Seculo

 

Ocupação em Distrito de Saúde indígena chega ao fim após quinze dias


13/06/2018 às 16:41
Após 15 dias de ocupação, desde o dia 28 de maio, no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Governador Valadares (MG), que também atende às aldeias do Espírito Santo, índios dos dois estados que organizavam o ato puseram fim à ocupação. A decisão ocorre depois de encaminhamentos das demandas em pauta e da visita do secretário geral da Sesai, Marcos Antônio Toccolini, de Brasília, que era uma exigência do movimento.
 
A Comissão de Caciques capixaba reuniu os líderes de onze aldeias de Aracruz, sendo sete Tupinikim – Caieiras Velha, Pau Brasil, Irajá, Comboios, Córrego do Ouro, Areal e Amarelos – e quatro Guarani – Boa Esperança, Três Palmeiras, Piraquê-açú e Olho d'Água –, onde vivem cerca de quatro mil indígenas.
 
De início, os índios garantiriam que só sairiam com a chegada do secretário-geral da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Marcos Antônio Toccolini, de Brasília, para que as negociações pudessem ser feitas. O secretário, primeiro, se negou ir até Valadares, quando alegou que não visitaria o Distrito ocupado, e que não queria transformar a situação em um palanque político. No entanto, mudou de ideia e foi até o local para negociar com os caciques.
 
Os indígenas destacam que a mobilização foi feita para que o secretário entendesse que os povos Tupinikim e Guarani são contra os “descasos e tirania desse governo ilegítimo”, referindo-se à gestão de Michel Temer. 
 
“Destaco a efetiva participação dos nossos jovens guerreiros, empunhados com seus arcos e flechas, defendendo a linha de frente e cumprindo copiosamente as ordens de seus líderes para o isolamento da área. As mulheres também foram perfeitas na organização das tarefas diárias”, destacou Vilson Tupiniquim, o Jaguareté, chefe da coordenação técnica local da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Aracruz, norte do Estado.
 
Cansados de reuniões improdutivas e muitas interrupções nos serviços da saúde indígena, as comunidades Tupinikim e Guarani exigiram respostas imediatas sobre diversas demandas, e conseguiram que algumas delas fossem atendidas pelo secretário. 
 
Entre elas, a exoneração do atual coordenador do DSEI-MG-ES, Célio Cezar Ferreira, que foi atendida e, de acordo com o secretário, o aval para exoneração já foi obtido pela Casa Civil; e a mudança do Escritório Local de Saúde para o interior da terra indígena, cujo pedido de transição se dará até o final de agosto.
 
Os índios solicitaram ainda um “apoiador”, que seria um servidor com prerrogativa de firmar convênios com instituições e hospitais. A contratação desse profissional será imediata, segundo garantia do secretário. Além dos serviços funerários, que serão atendidos em parceria com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e Prefeitura de Aracruz.
 
Serão disponibilizados também seis veículos para a reposição da frota Sucateada da Sesai juntamente com o aumento de 15% cota de combustível. Também um processo de contratação de motoristas e barqueiros, com prazo de 120 dias ,para início do processo de contratação dos trabalhadores. 
 
A instalação de telefônica e internet nos postos de saúde será realizado e o processo para a contratação dos serviços também será elaborado e, por fim, a ampliação da rede de água na aldeia de Pau Brasil, em Aracruz. 
 
Algumas, porém, ainda não foram aprovadas, como a construção do posto de saúde das aldeias de Caieiras Velhas, Pau Brasil e Comboios; a extensão da rede de água potável em todas as aldeias que estão como uma demanda reprimida há décadas; e a construção de banheiros nas casas das aldeias. 

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