Seculo

 

Helal Magazin e Capixaba


30/06/2018 às 00:50
Entre 1974 e 1975,  havia recebido um convite para trabalhar na lojinha da Helal, comandada por Zaki Helal, que ficava na Rua Duque de Caxias, atrás da grande Loja de departamentos da família. Eu era o responsável pela compra de discos das gravadoras e ajudava na sessão, embora o forte da loja fosse a comercialização de motobikes e motocicletas de grandes potências.
 
Ali fiz grandes amizades com representantes de gravadoras, como Odeon/EMI, CBS, RCA, Polygram, Ariola, Continental e SomLivre. Eram viajantes que tinham Vitória como rota e nossa capital era considerada uma boa praça de venda de discos. Lembro-me do português da Odeon, depois Nilson, do Carlinhos da CBS, Marcão, Victor Hugo da Polygram/Phillips, Geraldo da Continental e outros que não me recordo mais.
 
Nessa época morava em uma república na Antônio Aguirre, de frente para a antiga Odontologia. Meu companheiro de quarto era o saudoso José Coelho, cachoeirense também. Ele dormia, isto é, a gente dormia ouvindo a Rádio Jornal do Brasil, no seu radinho. Na época faziam receptores de verdade, pegavam todas as rádios em ondas médias e curtas.
 
Havia um programa somente com músicas de qualidade, nacionais e internacionais, chamado “Noturno” produzido e apresentado por Luís Carlos Saroldi, excelente produtor de rádio e que estava na JB. O programa terminava à meia-noite. E a gente, já quase pegando no sono, ouvia o Informe JB, com nada mais, nada menos Eliakim Araújo. Lembro ainda, que nosso ex-companheiro de república, Rosenthal Calmom Alves, se mudou para o Rio, arrumou emprego na JB, e produzia parte desse noticiário noturno, apresentado pelo Eliakim.
Rosenthal mandava notícias do Rio e curtia com nossa cara, ele que via a gente ouvindo a JB e que naquele momento redigia o informe para Eliakim ler.
 
Eu dividia o tempo na lojinha e na Rádio Vitória, até que um dia soube que Jairo Maia havia comprado a Rádio Capixaba, da Arquidiocese de Vitória, cujo Bispo era João Batista da Motta e Albuquerque. Recebi convite do Jairo Maia para ir trabalhar na emissora da colina, com ele e seu sogro Jefferson Dalla. Jairo era amigo do meu tio, Jose Américo (veio de Bom Jesus e passou por Cachoeiro) e também já sabia de minha atuação na Rádio Vitoria. Oswaldo Amorim me liberou e Zaki Helal concordou. Fui trabalhar com Jairo Maia.
 
Jairo sempre se deu bem com faturamento em seus programas de rádio. Concebeu um pensamento simples: se eu faturo X com três horas de programa, então irei faturar X+Y com uma programação inteira de rádio. Ledo engano. Não foi assim. Passados três anos, fez negócio com a família Borges e Huguinho assumiu. Jairo Maia tinha também suas lojas de discos (as melhores na época). Neste comércio ele enriqueceu. A que mais tinha movimento era a do Parque Moscoso.
 
Ele contava (piadista nato) que sua clientela do Parque Moscoso era composta de pessoas simples, mas que compravam de fato. Gostava de contar o caso de um cliente, que comprando se preocupou com seu veículo estacionado. Então pediu um momento para ver se estava tudo bem. Era uma bicicleta.
 
Outra história era de pessoas que estavam testando os discos que iriam adquirir, ouvindo através do fone de ouvido. Quando gostavam, gritavam, elogiando, e até xingando, na maior altura. Isso porque, dificilmente elas têm noção da altura da voz quando estão com fones no ouvido. Ele se divertia com isso. Seu gerente de lojas era Nilson Matias, que posteriormente veio a ser divulgador da Emi-Odeon
 
O registro
 
Os membros dessa república, ao lado da antiga Faculdade de Odontologia,  eram Jose Coelho, Dietrich Kaschner, Ricardo Oliveira (o secretário de saúde), Rosenthal Calmon Alves, o jornalista renomado e Jose Tarcísio, hoje diácono. Em cima morava o proprietário do imóvel, Sr. Beresford, homem bom e educado, pai de uma bonita menina, na época.
 
Outro registro
 
Mary Helal, irmã de Zaki e hoje esposa de Manuel de Paula, trabalhava como secretária do pai e do tio John no Magazin Helal. Eu era escalado (convidado) a almoçar com a família aos domingos na casa da Saturnino de Brito, para ler o versículo da bíblia escolhido pelo sr. Constanteen antes do almoço.
 
Foi nas ruas da Praia do Canto que aprendi a dirigir. Quem me ensinou foi justamente Mary Helal, que era um às no volante.
 

No capítulo seis – Rádio Capixaba.

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