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XVI Semana de Filosofia traz Leonardo Boff a Vitória


08/07/2018 às 20:34
“Filosofia e o Espectro do Fascismo” é o tema da palestra que será proferida pelo teólogo, escritor e palestrante Leonardo Boff no dia sete de agosto, no Teatro Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), durante a XVI Semana de Filosofia, que acontece de seis a dez de agosto nas dependências do campus de Goiabeiras.

Na ocasião, Boff também receberá o título de Doutor Honoris Causa, concedido por unanimidade pelo Conselho Universitário da Ufes no final de junho.

O fascismo permeará todos os demais eventos da programação da XVI Semana de Filosofia, que tem como tema “Novos Rumos da Política Brasileira: Filosofia e o Espectro do Fascismo”. Serão diversos minicursos, palestras e comunicações, com a participação de professores da Ufes e de diversas universidades do Brasil.

O objetivo é abordar o momento político atual, no cenário de golpe, instalado em 2016, de uma forma que seja atrativa para toda a sociedade, e não apenas para o pequeno círculo acadêmicos de professores e estudantes.

“O fascismo está em voga atualmente, está pairando no ar, com cada vez mais discursos inflamados e fascistas. É preciso buscar novas discussões em meio a toda a sociedade”, afirma a estudante de Filosofia Marina de Moraes, uma das organizadoras do evento.

“A filosofia agora tem esse papel, de pensar, discutir e encontrar formas de transformar a sociedade. Pensar quais os modos de produção de vida que definem o que é viver na sociedade moderna, o que é a sociedade moderna”, pondera a estudante.

O professor Maurício Abdalla, também colaborador na produção da XVI Semana, ressalta a importância de manter as discussões políticas atuais no nível teórico, para combater o excesso de achismo.

E, nesse sentido, Leonardo Boff tem muito a contribuir, além de engrandecer a Ufes, que já homenageou personalidades como Rubem Alves, Sebastião Salgado e Augusto Ruschi como Doutor Honoris Causa. “Valoriza a nossa universidade”, comenta o docente, citando títulos e prêmios recebidos fora do país, incluindo o Nobel Alternativo, em 2001.

Defensores dos pobres e da natureza

Um dos mais respeitados pensadores do mundo, com extensa e influente obra a respeito de ecologia, espiritualidade, ética, política, teologia e filosofia, Leonardo Boff consegue transitar nas mais diversas esferas da sociedade, seja praticando a militância política de esquerda, defendendo os direitos dos mais pobres e oprimidos e os direitos da Mãe Terra, palestrando em empresas e universidades, ou participando das decisões das altas cúpulas da Organização das Nações Unidas (ONU).

Foi um dos iniciadores da teologia da libertação, tendo sido condenado, em 1985, a um ano de silêncio obsequioso pelo ex-Santo Ofício, por suas teses no livro Igreja: carisma e poder. A partir dos anos 80 começou a aprofundar a questão ecológica como prolongamento da teologia da libertação, pois não somente se deve ouvir o grito do oprimido, mas também o grito da Terra, porque ambos devem ser libertados. Em razão deste compromisso participou da redação da Carta da Terra junto com M.Gorbachev, S.Rockfeller e outros. Escreveu vários livros e foi agraciado com vários prêmios.

Junto com Mark Hathaway, escreveu nos USA The Tao of Liberation. Exploring the Ecogoy of Transformation com Prefácio de Fritjof Capra, ganhando a medalha de ouro da instituição Nautilus para criatividade intelectual e o primeiro lugar do livro religioso do ano. Foi assessor da presidência da Assembleia da ONU ao tempo da administração de Miguel d’Escoto Brockmann (2008-2009) e participa atualmente do grupo de reforma da ONU, especialmente quanto à Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade.

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