Seculo

 

Moradores da Piedade se reúnem mais uma vez com gestores de Vitória


10/07/2018 às 15:54
Um mês depois do último homicídio registrado no Morro da Piedade, quando Wallace de Jesus Santana, de 26 anos, foi morto na parte alta do bairro, a comunidade continua na luta por melhor segurança e ampliação dos serviços públicos. Neste ano, já foram quatro assassinatos, incluindo o dos irmãos Ruan e Damião Reis, em março; e de Lucas Verdi, em maio. Os três com menos de 22 anos. Nesta quinta-feira (12), gestores municipais responsáveis por serviços públicos na Piedade vão novamente se reunir com a comunidade para dar continuidade às discussões de ampliação e melhorias. O encontro será no Centro de Vivência, às 17 horas. 
 
Até o momento, no entanto, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) ainda não respondeu ofício de representantes da comunidade que pediram uma reunião para discutir um local para implantação da base da Polícia Militar (PM). Moradores querem que o policiamento fique na parte alta do Morro.
 
Segundo o Instituto Raízes, a reunião contará com representantes das secretarias municipais de Saúde, Educação e Assistência Social para tratar dos serviços prestados pelas unidades de saúde, Centros de Referência de Asssistência Social (CRAS), Conselho de Engenharia e Agronomia (Crea), escolas municipais, Centro de Vivência de Idoso e outros equipamentos. “Continuamos com as nossas ações pelo Morro da Piedade e, em parceria com as demais instituições, em busca de fortalecer nosso território com cultura, políticas públicas, arte e paz. Assim, na próxima quinta feira, convidamos a todos os moradores para uma importante”, disse postagem da ONG em sua rede social.
 
Dado do Raízes da Piedade apontam que, até o mês de julho, 127 moradores deixaram comunidade, o que representa 39 casas abandonadas no Morro da Piedade. Apenas três famílias voltaram para o morro. Além disso, algumas famílias já acionaram a Defensoria Pública para avaliar a situação e pensar em alternativas jurídicas.
 
De acordo com o militante do movimento negro, Lula Rocha, coordenador do Círculo Palmarino, “ainda é muito cedo pra dizer que a situação da Piedade está resolvida. Porém, após um mês do episódio violento que chamou novamente as atenções para os problemas vividos pelas moradoras e moradores, podemos dizer que a comunidade está mais mobilizada e ciente da sua força coletiva do que antes”. 
 
Lula prossegue: “Esperamos que o poder público até aqui tenha aprendido que não será com autoritarismo, ações midiáticas e policialescas que os problemas serão solucionados. É necessário investir no diálogo, reverter prioridades e, sobretudo, acreditar no potencial extraordinário desta comunidade. Caso isso ocorra, daremos uma demonstração de como podemos caminhar diante de situações semelhantes que se espalham em diversas comunidades do Espírito Santo. Na próxima quinta um outro passo será dado com a realização desta reunião”, explicou Lula.
 
Caminhada pela Paz
No domingo, 1º de julho, foi realizada uma Caminhada pela Paz, que contou ainda com um culto ecumênico, e também teve um tom de protesto. A comunidade continua aguardando resposta da Sesp sobre pedido oficial de reunião. Os moradores querem ser ouvidos pelos representantes do Estado sobre o local para instalação do posto policial. O desejo da maioria é que a base seja montada na parte alta do Morro da Piedade. Participaram da Caminhada Pela Paz cerca de 50 pessoas, além de moradores, integrantes de movimentos sociais e lideranças religiosas, sobretudo ligadas à Igreja Católica. Houve também apresentação do grupo de dança Griôs.
 
Num encontro realizado no último dia 23 deste mês, somente a Prefeitura de Vitória compareceu, o que resultou na decisão de não ceder ao governo as áreas do telecentro e do Centro de Vivência, localizadas no pé do morro, para a instalação de um posto da Polícia Militar. A comunidade reagiu contrária ao projeto anunciado em coletiva de imprensa pelo governo do Estado, uma vez que sequer foi consultada sobre, e também porque deseja que a base da PM seja instalada na parte mais alta do bairro. 
 
De acordo com representantes da ONG Raízes da Piedade, o fato de a Prefeitura ter recuado na decisão foi uma vitória, mas não total. “Ganhamos o primeiro tempo; agora temos o segundo. A luta continua porque a Sesp precisa nos ouvir. Eles não abrem nenhum canal de diálogo e, assim, fica difícil”, disseram na ocasião.

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