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CEU de São Pedro oferece nova estrutura cultural a um dos maiores bairros de Vitória


10/07/2018 às 19:11

Inaugurado no último domingo (8), o Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) de São Pedro, localizado mais especificamente na Ilha das Caieiras (Rua 23 de abril, nº 35), em Vitória, inclui um espaço de 2,4 mil m² construídos, com quadra de esportes, pista de skate e prédio três pavimentos com salas de balé, música, danças urbanas, artesanato livre e artesanato conceitural, biblioteca, auditório, anfiteatro, salões multiuso, refeitório e banheiros, além de abrigar estruturas municipais como o Centro de Apoio ao Empreendedor, Espaço de Qualificação e Inclusão Digital e o Centro de Referência em Assistências Social (Cras) de São Pedro.

Para saber um pouco mais sobre o espaço, conversamos com Stel Miranda, músico, fotógrafo, produtor e ativista cultural que é representante da comunidade e vice-presidente do Conselho Gestor do CEU.

O que é o CEU?

- O CEU significa Centro de Artes e Esportes Unificidados. Tem um recorte específico e faz parte de um todo muito maior. Está relacionado com o PAC2 do governo Dilma, o Programa de Aceleração do Crescimento, então faz parte de um macroprojeto que acontece no país todo. O recurso vem do Ministério da Cultura, mas quem captou esse recurso foi a Secretaria de Assistência Social de Vitória, que trabalha junto com a Secretaria de Cultura, seguindo a metodologia de gestão que o CEU propõe.

Quais as características desse equipamento público?

- A gente pode comecar pela localização. Sempre vai se enconrar no âmbito periférico ou rural, sempre adjunto a algum outro servico que tenha viés federal. O CEU de São Pedro funciona ao lado do Condomínio Santo André, condomínio urbano entregue pelo programa Minha Casa, Minha Vida, funciona anexo a ele. Outra coisa que podemos destacar do CEU é uma parada chamada de gestão compartilhada. Quem está na direção do CEU é um conselho gestor composto por 15 pessoas, sendo dez da sociedade civil e cinco do poder público. Então são cinco pessoas representantes da comunidade, cinco de entidades da sociedade civil organizada e cinco da prefeitura. O CEU é adjunto e passível da necessidade de cada reigão, sendo estruturado e pensado a partir da demanda comunitária. Não vem como projeto de governo, vem como política pública. Antes de vir engessado, traz possibilidade de dividir a responsabilidade com a comunidade para atender os anseios dela.

Por quê São Pedro foi escolhido para receber esse empreendimento?

- São Pedro tem inúmeros aparelhos públicos, mas isso não é suficiente para diminuir os níveis de violência, analfabetismo, atingir melhores dados de empregabilidade, segurança alimentar.

Se compararmos o Brasil com outros países, não temos nem a metade de servidores públicos que a gente precisa. É preciso melhorar esse atendimento. Quando se vem traçando outra proposta de metodologia, colocando parte da gestão nas mãos da comunidade, com recursos do Ministério da Cultura, que faz com que não precisemos estar pedindo benção pra secretário, sem vincular recursos com política partidária, podemos ter um resultado muito positivo, com liberdade de trabalho e monitoramento.

É uma necessidade estrutural, que demorou a ser consolidada pela via burocrática, foi quase uma via sacra, como a ampliação do Aeroporto de Vitória. Recurso captado numa outra gestão, muitas reuniões, foram mais de três anos de atraso na entrega. Foi uma luta coletiva da comunidade, uma exigência que a comunidade fez ao poder público. Uma obra que deu muita dor de cabeça para ser entregue por causa da via burocrática. Eu sou dos que pensa que não existe aparelho público que não seja opressor, mas é um aparelho a mais para trabalhar a demenda comunitária sem os problemas que se tem na maioria dos espaços burocráticos.

Que tipos de atividades o espaço vai abrigar?

- São Pedro tem dois aparelhos muito importantes que estavam sem espaço físico adequado, o Circuito Cultural de Vitória e o Centro de Referência em Assistência Social, que passam a funcionar no CEU. O Circuito Cultural funciona num galpão, com muito calor, sem acessibilidade para portadores de necessiades especiais, sem banheiro. Não era um espaço humanizado. Quando a gente fala que São Pedro é um celeiro de artistas, tem que dar condições decentes para a galera, estruturas em que possam fazer a melhor execução de acordo com sua área. Trabalhar arte e cultura sem humanização é um tiro no pé, e isso se perpertuou por oito anos.

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