Seculo

 

Cartas embaralhadas


10/07/2018 às 20:35
O governador Paulo Hartung repete a estratégia de confundir e embolar as articulações políticas no Estado e o jogo de 2018 - quase - volta à estaca zero. O recuo na candidatura à reeleição abriu uma corrida por novas acomodações tanto no bloco governista como de oposição. O primeiro trabalha com dois nomes, o senador Ricardo Ferraço (PSDB) e o deputado estadual Amaro Neto (PRB). Já o palanque socialista se mantém firme com o ex-governador Renato Casagrande, porém, sem saber os efeitos de sua estratégia daqui pra frente, já que a candidatura vinha se fortalecendo como o anti-Hartung. No caso de Ricardo, pesquisas eleitorais recentes já o testaram no cenário sem o governador e ele não aparece, em princípio, com condições de abater Casagrande numa disputa de primeiro turno, além de também ter tido, como o governador, sérios arranhões à sua imagem. Já Amaro estava inserido no campo ao Senado com boas cotações ao lado do senador Magno Malta (PR), mas ninguém sabe do alcance numa disputa deste porte. O principal problema, no entanto, continua sendo a segunda fase do pleito, hoje considerada certa. Enquanto o mercado se vira para armar outro tabuleiro eleitoral, Hartung espalha aos quatro cantos seus motivos. Nas entrelinhas, porém, deixa claro mais uma vez que nunca suportou bola dividida e derrotas eleitorais. Se o adversário for Casagrande, então, tudo indica que menos ainda. 
Mesa aberta
Na ressaca do anúncio de Hartung, muitos partidos se movimentaram nesta terça-feira (10). Nove legendas do lado da situação, podendo agregar mais duas – o PR de Magno Malta e o Podemos da senadora Rose de Freitas – e uma frente de seis siglas menores que resolveu ciscar para o lado de Casagrande. 
Contradições
Mas tem uns “poréns”. Como Magno e Rose se explicariam ao eleitor numa aliança com qualquer candidato que tenha a marca palaciana, depois de tanto esbravejar por aí? 
Sem trauma
Já Ricardo Ferraço, só de cogitar em aceitar a candidatura demonstra ter superado o "abril sangrento" de 2010, que o tirou da cabeça de chapa do palanque palaciano na última hora para dar lugar a Casagrande, numa manobra costurada às escondidas. Corajoso, hein?!
Já vimos esse filme
De toda forma, apesar de todas as evidências, ainda há muita gente que não coloca a mão no fogo pela decisão de Hartung. Ninguém esquece a tese do salvador da pátria.
Sei!
O deputado estadual Sergio Majeski (PSB), candidato ao Senado na chapa de Casagrande, comentou nas redes sociais as declarações de Hartung para justificar o recuo no pleito: “Desistiu porque quer ‘passar o bastão’? Sei!! Estou rindo, mas com muito respeito”.
Ressuscitou
Aliás, quem reapareceu nessa história do recuo do governador foi a secretária de Estado de Comunicação, Andréa Lopes. Depois de passar meses como principal porta-voz de Hartung, marcando presença em jornais, coletivas e eventos públicos, ela deu uma mergulhada que não passou despercebida nos bastidores. O motivo ainda é um mistério.
‘Zzzz’
A classe política e o empresariado do Estado têm mais um palanque para chamar de seu nesta sexta-feira (13), no auditório da Federação das Indústrias do Estado (Findes), quando será realizado o Seminário Infraestrutura e Mobilidade Urbana: Tendências Globais. De novo, lá vêm discursos sobre a ferrovia...
Maia vem aí...
Esse foi o tal evento usado como justificativa para a recente visita de interlocutores do governo ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em Brasília. Ele é um dos convidados de honra do evento, assim como – de novo – o senador Ricardo Ferraço (PSDB) e, claro, Hartung.
Cardápio
Estiveram com Maia, no final de junho, o ex-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Filho, o Zé Carlinhos (PSD); o ex-secretário de Estado de Agricultura, Octaciano Neto (PSDB); e o deputado estadual Marcelo Santos (PDT). Todos candidatos da base. Se o encontro levantou especulações, naquela ocasião, sobre articulações para o pleito, agora, então...
PENSAMENTO:
“Agora eu compreendo que agitação não é vida. É vaidade”. Geraldo Eustáquio de Souza

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