Seculo

 

Muda alguma coisa?


12/07/2018 às 10:50
O placar marca, hoje, 50% para cada um, responde uma fonte credenciada do círculo interpartidário formado às pressas para definir entre Ricardo Ferraço (PSDB) e Amaro Neto (PRB) o substituto de Paulo Hartung na disputa ao governo do Estado. 
Impulsionados pela desistência do governador à reeleição, com medo de uma derrota, os movimentos do mercado político no Espírito Santo ganharam novo ritmo, antecipando revelações de posicionamentos guardados para a campanha, que começa oficialmente no dia 16 de agosto, depois de formalizadas as candidaturas na Justiça eleitoral.
Alguns mais entusiasmados, como o ex-prefeito de Vila Velha e pré-candidato a deputado federal pelo PSD, Neucimar Fraga, defendem publicamente o nome do deputado estadual e apresentador de TV, Amaro Neto, como o mais indicado. Outros, cautelosos, guardam silêncio, mas isso não significa que não se articulem.
Tomando a estimativa dos 50% para cada lado como verdadeira e considerando a trajetória política de Paulo Hartung, pode-se afirmar que será dele a decisão sobre os nomes, embora ele tenha dito que está fora do processo eleitoral. Nesse quadro, para o lado que pender o 1% dele será o nome escolhido para a disputa. 
Ao seguir os sinais emitidos pelo governador, há uma forte tendência favorável a Ricardo Ferraço, apesar da aparente rejeição dele para enfrentar o desafio. Com atuação de destaque no Senado Federal, Ricardo conta com o apoio de corporações empresariais, as mesmas que dão sustentação à atual gestão estadual, que são núcleos menores de forças que dominam o País. 
Já o deputado estadual Amaro Neto, mais apresentador de TV do que parlamentar, com um desempenho medíocre na Assembleia Legislativa. Sem poder contar em seu programa eleitoral com trabalhos desenvolvidos por meio de atuação política, Amaro ganhou expressão com o programa de TV que apresenta, que lhe proporcionou vertiginoso crescimento de capital eleitoral. Só. 
Sob a ótica do eleitor, o que muda? Na realidade, nada. Nos dois casos, o quadro que se desenha para o Espírito Santo é sombrio, o mesmo que se espalha no Brasil, marcado pelo retrocesso das políticas públicas e a ausência de transformações sociais que levem em consideração as camadas mais pobres da população. 
Diferentemente do discurso de auto-exaltação de Hartung, que apresenta o Estado como bom exemplo de gestão pública, esquecendo questões graves em setores básicos como segurança pública, educação e políticas sociais, só para citar alguns. Sem falar na falta de transparência nos processos de incentivos fiscais, área em que ele insiste em manter na caixa-preta. 
Ricardo representa o alto empresariado, com articulações junto aos comandos de poder que transformaram o Brasil em autêntica “republiqueta de banana”, enquanto Amaro segue a cartilha do populismo vazio, mais fácil de manipular. Ambos adotaram o modelo atual e não diferem muito do opositor político, Renato Casagrande (PSB), com quem disputarão o governo. 
A política está em nível baixo, todos sentem o peso, em consequência dos desmandos da classe política. É preciso mudar. No entanto, o novo não virá por meio de um controle corporativo, seja empresarial ou religioso, ou embalado nas asas de futilidades populistas. No quadro atual, para a população tudo fica no mesmo, seja Ricardo, Amaro ou Casagrande, os mais competitivos. Rose de Freitas, também candidata, sem condições de se eleger, vira fiel da balança no segundo turno. 

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