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'Barragem dos Imigrantes' é ironia de Hartung contra produtores rurais de Domingos Martins e Viana


11/07/2018 às 17:28
Mesmo antes de resolver judicialmente a desapropriação dos imóveis previstos de serem alagados pela grande Represa do Rio Jucu Braço Norte, o governador Paulo Hartung já escolheu um nome para uma de suas principais obras do pacote anunciado para o último ano de mandato: Barragem dos Imigrantes – uma homenagem, como justifica, aos descendentes de imigrantes europeus que se estabeleceram na região a partir do final do século XIX.
O Projeto de Lei nº 158/2018 foi enviado para a Assembleia Legislativa no dia 18 de junho, onde já cumpriu os trâmites da Procuradoria Geral para seguir à apreciação das comissões da Casa.
 
“Pra escolher o nome é rápido e prático. Pra resolver os problemas dos filhos e netos de imigrantes, aí não resolve”, critica Julio Cesar Velten, um dos 79 proprietários rurais que buscam, na Justiça, valores justos para suas terras, localizadas entre Viana e Domingos Martins.
 
O Palácio Anchieta tem ignorado deliberadamente o pleito dos proprietários rurais. Nenhuma das mensagens com pedidos de audiência com o governador foi respondida. Um grupo chegou a se deslocar até a Assembleia no início de maio para participar de uma reunião pública que aconteceria com a diretoria da Companhia Espírito- Santense de Saneamento (Cesan) sobre o impasse das indenizações.
 
Mas, na última hora, a reunião foi transferida para a sede da Cesan, a portas fechadas com o deputado Marcelo Santos (PDT). O grupo registrou a fuga da Cesan e a falta de respeito em uma ata e continuou sem conseguir ser ouvido.
 
Alguns proprietários já obtiveram vitórias na Justiça, conseguindo provar que a avaliação de preço feita pela Cesan está excessivamente subestimada. Na maioria dos casos, adverte Julio, os valores propostos e depositados em juízo pelo Estado correspondem a 10% ou 15% do valor real de mercado.
 
A grande maioria, no entanto, tende a ser despejada, pois não tem dinheiro nem conhecimento suficiente para exigir seus direitos na Justiça. Irão receber uma quantia ínfima, que inviabilizará a compra de imóvel semelhante em outro lugar.
 
“Alguns são filhos de pessoas que já morreram e não têm como provar, pois os titulares já faleceram há anos, isso é passado de pai pra filho. São pessoas que vivem da terra e não venderiam, então nunca se preocuparam com documentos, pois todos respeitam as suas divisas de propriedade”, conta.
 
Julio Velten prevê uma tragédia na região, pois há pessoas que estão dispostas a matar e morrer ao invés de sair do lugar onde vivem e herdaram de seus antepassados. 

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