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Hartung 'fora de cena' articula para evitar mais divisão no bloco governista


12/07/2018 às 16:31
A desistência do governador Paulo Hartung de concorrer à reeleição provocou uma série de divisões na base aliada do governo, levando o governador a agir ativamente, apesar de afirmar estar fora de cena, a fim de evitar que o quadro se agrave. 
 
O surgimento do nome do vice-governador César Colnago (PSDB) entre os pretendentes à vaga na disputa ao governo e a liberação de assessores influentes como o ex-secretário da Casa Civil Roberto Carneiro (PRB), para possibilitar a retomada do bloco do deputado Amaro Neto (PRB) que organizou a disputa à Prefeitura de Vitória, em 2016, são claros sinais do dedo de Hartung no processo, embora ele negue.  
 
Nesta quinta-feira (12), os 10 partidos envolvidos no processo de escolha do substituto de Hartung adiaram a decisão e incluíram os nomes de Colnago e do empresário Aridelmo Teixeira, dono da faculdade Fucape e presidente licenciado da ONG ES em Ação, transferindo a indicação para a semana que vem. 
 
Hábil jogador no tabuleiro político, Hartung move as peças para impedir a debandada de quadros essenciais para a manutenção do modelo de gestão pública liderado por ele. Trincado, atinge a base de seus discursos de auto-exaltação, como modelo a ser seguido pelo restante do País. 
 
É exatamente esse ponto que poderá levá-lo a outros cargos, inclusive na cena nacional, e divulgado como legado glorioso que não pode ser esquecido. Historiadores de plantão estão aí mesmo para fazer recortes em matérias jornalísticas graciosas.
 
Afirma não ter candidato, mas, com sutileza, estimula a aceitação do nome do deputado estadual Amaro Neto (PRB) e deixa correr solto o desejo do vice-governador César Colnago, presidente do PSDB, mesmo partido do senador Ricardo Ferraço.
 
Os três são os mais cotados para substituí-lo na empreitada de enfrentar nas urnas o ex-governador Renato Casagrande (PSB), até então com ligeira vantagem, como mostram os números das pesquisas e que teriam motivado Hartung e desistir, para encerrar a trajetória de embates eleitorais sem uma única derrota. 
 
Liberando Roberto Carneiro, que reassume a presidência do PRB, partido que ele controla, Hartung estimula a reorganização do grupo de Amaro Neto que concorreu à Prefeitura de Vitória. Perdeu por pouco, mas ganhou valioso capital eleitoral, que o capacita a disputar o Senado ou o governo do Estado, como ele mais deseja. 
 
Tanto é assim, que consegue o apoio da maioria dos deputados estaduais e se capacita a exercer um nível de pressão que não pode ser ignorado. Por isso está no jogo, com força, e o governador sabe disso e estimula o movimento. Até mesmo porque, com Amaro no governo, a possibilidade de manter sua influência é maior. 
 
O nome do vice-governador César Colnago no tabuleiro tem duplo viés. De um lado, funciona como incenso e encobre as desventuras de uma pré-campanha do vice à Câmara Federal sem muitas chances de vitória. 
 
De outro, esse sim, funciona como alça para segurar o senador Ricardo Ferraço, que, inquieto e temeroso, conversa à boca miúda com gente de outros matizes. Com o presidente do seu partido candidato, caem por terra as chances de o senador migrar para outras asas. 
 
De quebra, agrada o bloco corporativo empresarial do grupo ES em Ação, núcleo maior de direcionamento da gestão atual e beneficiário da política de renúncias fiscais mantida em caixas pretas inquebrantáveis. 
 
Hartung joga em todos os níveis. Sai de cena, mas mantém o bastão. Dele não se aparta.

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