Sunday Sale, celebração cultural e consumo sustentável no centro da cidade

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No domingo, 16, Vitória recebeu a primeira edição do Sunday Sale na cidade, evento que é ao mesmo tempo feira comercial e festa cultural de incentivo e promoção de marcas locais e projetos da economia criativa, além de espaço de exposição de artistas independentes, músicos autorais e oficinas de criação. Foram 28 expositores de roupas, calçados, acessórios, itens de decoração, design, livros, discos e arte plástica, reunidos num dos belos casarões que o centro de Vitória preserva e que desde o ano passado abriga o Guanaaní Hostel. O público que compareceu para prestigiar e consumir moda, arte e cultura, cerca de 400 pessoas, era predominante jovem, como tem sido em eventos que vêm sendo realizado no centro por gente também jovem.

A proposta do Sunday Sale é parecida com o Mercado Mundo Mix, surgido em meados dos anos 1990, e que abriu espaço para exposição e venda de produtos das novas marcas ainda não inseridas no mercado comercial. Mas diferentemente deste, o Sunday Sale quer propor e incentivar o consumo sustentável, além de celebrar arte e cultura. “Não se trata apenas de promover marca, mas criar uma cultura de sustentabilidade. Os produtos aqui expostos têm essa característica”, diz a artista plástica Kamilla Albani, uma das produtoras do evento em Vitória.

Coletivos e independentes

Thais Rodrigues, do Coletivo AIO, por exemplo, encontra muito das matérias primas básica de sua produção no descarte dos moradores de Jardim da Penha, onde mora. Há poucos dias encontrou teclados de computadores. Vão virar porta copos. As luminárias coloridas que expôs no Sunday são feitos de cano de PVC e as almofadas, de sacos de grãos para exportação. Mas Thais vê eventos como Sunday como solução para circulação produtos e de troca e interação entre os expositores. “Novas ideias e parcerias podem surgir nesses encontros”, diz. Ela acredita ainda que o contato direto entre produtor e consumidor é enriquecedor para o primeiro, que pode descobrir tendências de consumo, e para o segundo, que adquire produtos mais em conta, sem intermediários, algumas vezes podendo ser customizados.

Outro aspecto interessante que se pode constatar no evento é quantidade de gente produzindo coletivamente. Mais da metade dos expositores ali presentes faz parte de coletivos criativos, uma nova proposta de produção e gestão compartilhada de negócio. Essa tem sido uma tendência entre produtores e criadores. “Facilitamos nosso negócio e unimos esforços, mesmo que cada um realize produto próprio”, diz o estilista Tiago Manauará. “E a troca de ideias é enriquecedora”, completa Ériko Artur, parceiro de Tiago no Coletivo Manga Rosa, que aliás fazia no Sunday a primeira exposição coletiva de produtos. “Temos feito coisas juntos, mas o Manga Rosa está nascendo hoje e aqui”, informou Tiago, que expunha suas confecções.

Fora dos espaços e eventos de exposição, a forma de comercialização dos criadores é a internet.

Além dos expositores e seus produtos, o evento ofereceu ainda corte de cabelo e barba (e  como estão barbudos os jovens hoje em dia), tatuagem, massagem, música ao vivo e nas carrapetas, comidas, bebidas e drinks, porque é assim que se faz a festa.

Carol na estrada

O Sunday Sale é um projeto itinerante, iniciado em pubs de Porto Alegre há pouco mais de um ano. Esta é a sua quarta versão e a primeira em um hostel, tipo de lugar ideal para evento, segundo sua idealizadora Carolina Liczbinski, 21 anos de vida e milhares de quilômetros de estrada. “Os hostels costumam oferecer o espaço ideal para este tipo de feira, que é ao mesmo tempo celebração cultural e consumo sustentável. E isso não só pelo espaço em si, mas também pela própria filosofia deste tipo de estabelecimento, em geral gerido por pessoas abertas à novidade.”

Carol já está de partida. Daqui ela segue rumo ao norte, mais precisamente para a Bahia, onde pretende realizar mais uma edição Sunday Sale. De lá, leva o evento para Belo Horizonte, no dia 20 de setembro, no Samba Room Hostel. Ela escolhe as cidades por gosto e curiosidade. Foi assim que veio dar em Vitória. Quis conhecer a cidade. O motivo? Apenas porque não conhecia. A decisão deixou amigos perplexos, pois veem Vitória, ou melhor, o Espírito Santo, como “aquele fim de mundo”. Vitorinha não merece. Carol concorda e acha que aqui seria um bom lugar para morar, no dia que ela cogitar morar em algum lugar e não em vários, como tem sido desde o dia que jogou para alto carro, apartamento, namorado e cachorro e pôs o pé na estrada. “Viajar é preciso”, acha ela.

Mas não há motivo para preocupações. Enquanto Carol segue Brasil a fora, Kamilla assume a produção do Sunday Sale por aqui. A segunda edição já está garantida. Ocorre daqui a dois meses. Falta apenas marcar a data.

2 pensamentos sobre “Sunday Sale, celebração cultural e consumo sustentável no centro da cidade

  • 22 de fevereiro de 2017 em 03:51
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    Vi seu site, ele é mesmo muito interessante.Parabéns pelo trabalho de vocês é realmente muito bacana.

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