Uma memória, um jornal e a rua – O Diário da Rua Sete

Nestes tempos turbulentos que temos vivido em nosso país em que muito se debate o papel da mídia, me veio à lembrança um jornal. Mas a turbulência atual é apenas um pretexto para começar este texto, pois o jornal de que vou falar nasceu de interesses políticos partidários. E essa não é a história mais interessante deste jornal, mas vale como pretexto. Vale como pretexto ainda porque a sede deste jornal ficava na Rua Sete de Setembro, centro de Vitória, bairro que tem sido meu assunto. Estou me referindo a “O Diário”, “o maior jornal da Rua Sete de Setembro”, com anotou Antônio de Paula Gurgel, na apresentação do livro “O Diário da Rua Sete – 40 versões de uma paixão”.

Pode parece pouco para um jornal, mas naquela época, entre as décadas de 50 e 80, a Rua Sete era o local onde a cidade acontecia. Era a rua das lanchonetes e das boas lojas, a rua em que a Vitória que eu conhecia se encontrava. Aos sábados, principalmente. Isso no tempo em que o centro de Vitória era de fato central para a vida da cidade, bairro que concentrava a maior parte do comércio da capital, dos escritórios e consultórios, das agências bancárias e dos cinemas, quase todos eles –, com exceção do Trianon, que ficava em Jucutuquara, estavam no centro o Juparanã, Odeon, Glória, Vitorinha, Santa Cecília, São Luiz, Paz. Esse era o tempo dos chamados cinemas de rua, aqueles que a gente alcançava a partir da calçada. Não havia shoppings em Vitória. A não ser que se considere o conceito de shopping a céu aberto. Considerando, assim era a Rua Sete e suas adjacências.

A Rua Sete

A Rua Sete era a nossa Rua do Ouvidor tardia. A Rua do Ouvidor, no centro do Rio de Janeiro, para quem não sabe ou lembra, foi a primeira rua do comércio chique do Brasil, frequentada pela elite brasileira na passagem dos séculos XIX e século XX. Como a Gomes Freire em São Paulo hoje, mas sem as marcas internacionais. As marcas da Rua Sete eram locais, construídas pelo esforço de nomes imigrantes que hoje são nomes a muitas das famílias de empreendedores capixabas.

Mas então, no final da Rua Sete, já na parte em que ela é íngreme, ficava a sede de O Diário, que ainda segundo Gurgel, “ocupou uma posição de vanguarda na imprensa capixaba”. Pelas descrições do autor e nos depoimentos de quem passou por sua redação, o Diário era uma escola, um laboratório e, talvez, uma festa. Como não seria uma festa o jornal que nos anos do regime militar e da ditadura se entrincheiraram os jovens que poderiam facilmente atender às três qualidades que significavam a perdição daquela época: maconheiro, veado e comunista, insultos terríveis de então, mas que podiam corresponder perfeitamente a uma boa parte daquela turma? Ser taxado assim foi o suficiente para fazer de todos eles rebeldes com causas, alegres e irreverentes subversivos.

Esse orgulho subversivo era comemorado quase que diariamente no Britz Bar, na Rua Gama Rosa, onde os homens e as mulheres de O Diário se encontravam, além de outros e outras. Onde Vitória falava, fumava e bebia muito. Mas não só a política interessava àquela turma. Jazz e psicanálise, Eros e Tanato, contemplação e viagem, Godard e Ginsberg, Vietnam e Paris, Os Beatles e Os Mutantes. Havia novas propostas acontecendo no mundo, na música, no cinema, na literatura, no teatro, no comportamento, na política. Em todos os sentidos. O mundo explodindo em sete mil cores e revoluções. E foi por aí que minha mãe, Branca Santos Neves, se entendeu com O Diário. Ela teve lá, nos anos 70, uma coluna em que escrevia sobre cinema e literatura.

O Diário existiu, ou sobreviveu, por 25 anos. Nasceu por interesse político partidário, mas se notabilizou por ter sido o lugar de formação de muita gente que se fez no jornalismo capixaba, pela reportagem analítica e por ter sido o primeiro jornal da cidade a adotar a foto-reportagem para informar com imagens os fatos do dia. Coincidentemente, a decadência do jornal veio junto com o período de decadência da Rua Sete como centro comercial da cidade e da própria decadência do bairro que perdeu a centralidade da vida da cidade.

Casa de Bamba e os desafios de empreender no centro da cidade

Casa de Bamba e os desafios de empreender no centro da cidade

 

Já não há mais dúvida que de uns cinco anos para cá o centro histórico de Vitória tem se tornado lugar de movimento cultural e de lazer, sobretudo, a partir da Rua Sete de Setembro. A responsabilidade por isso é atribuída por muito dos frequentadores e moradores do bairro à feira livre de sábado e ao samba da Xepa que acontece nos bares da rua, à Casa de Stael e ao coletivo musical Regional da Nair, que muitas vezes se apresentou no Bar da Zilda, na Rua Maria Saraiva, uma travessa que liga a Rua Graciano Neves à Rua Sete. Mas o reconhecimento é estendido por muitos também à Casa de Bamba, que não está na Rua Sete, mas na Gama Rosa, hoje considerada um das ruas mais interessantes de lazer, entretenimento e movimento cultural de Vitória.

Desde que abriu na rua, no dia 27 de julho de 2012, a Casa de Bamba atraiu e continua atraindo um público não só morador do centro, mas também de outros lugares. A casa faz o estilo boteco pé limpo pelo esmero na decoração dos ambientes – piso e mezanino – e um cardápio que nunca falha, seja na comida e na bebida, seja pela programação musical que prima pelo samba e suas vertentes, afinal é uma casa de bambas. “Nossos clientes vêm de Jacaraípe, de Guarapari, Vila Velha, de toda Vitória“, diz Edit Nunes, sócia da Casa em parceria com o músico Saulo Santos.

O sucesso do lugar acabou estimulando a abertura de outros bares na rua, como o Grapino e o Doca 183, empreendimentos de dois ex-funcionários da Casa. E ao invés de concorrência, a Casa apostou em parcerias e a rua ganhou eventos. “Quando o Doca e o Grapino abriram, pensei que poderíamos trabalhar juntos para criar movimento para nossas casas e para a rua”, diz Edit. Desde então a Gama Rosa ganhou movimento pela iniciativa de produtores que buscam a rua e a parceria dos bares para produzir eventos como o “Não pare de dançar”, realizado dentro do Festival Reconecta e o Projeto Sonzêra, que invadiu a rua e os bares com o som da nova produção musical capixabas. Dos eventos próprios, realizados conjuntamente pelas três casas, estão “Vem que gama”, baile de máscaras que tem contribuído na revitalização do carnaval de rua no centro da cidade; o Gama Verde, inspirado nas festas irlandesas regadas a muito chopp; festa junina e a festa de fim de ano. Em todas estas, o público paga um ingresso e circula livremente pelas casas e pela rua.

Uma aposta no centro e um desafio diário

A Casa de Bamba foi uma aposta de Edit, uma mineira que como muito de seus conterrâneos conheceu o mar no Espírito Santo e aqui criou raízes. Depois foi para a Califórnia, onde morou por dez anos trabalhando em bares e restaurantes e nas diversas funções desse tipo de negócio. Na volta ao Brasil, escolheu Vitória para viver e investir. Pela experiência adquirida lá fora, apostou na área de bar e restaurante e optou pelo centro como endereço do negócio. Então, passou a acompanhar os vários projetos do Poder Público de revitalização do bairro e pensou que este se daria pela ação de empreendedores, ou por gente que gosta de desafios, o caso dela.

Mas não é fácil, admite Edit. O negócio dá empate. “Dá para a gente se sustentar. E só.” Entre as dificuldades apontadas por ela, está o excesso de impostos e exigências que o poder público impõe a quem empreende no Brasil. E às vezes a vizinhança também coloca problema. “Providenciamos tratamento acústico e as reclamações cessaram”. Mas a exigência de adaptação da casa para o público deficiente com a instalação de um elevador é mais complicada. “A casa está em um imóvel tombado e que não tem estrutura para receber um elevador. Estamos num impasse”, queixa-se.

Outra preocupação de Edit e de outros comerciantes do centro da cidade é possibilidade de transferência do Fórum para a Enseada do Suá. Se confirmada a mudança, isso terá um impacto profundo para empreendedores que não vivem apenas da agenda de fim de semana. “Lojas, restaurantes, serviços, tudo perde. Afinal, além do Fórum, temos mais de 160 escritórios de advocacia na região. Com a transferência, haverá uma debandada de clientes”, diz ela, lembrando que a Casa de Bamba funciona como restaurante de segunda a sexta-feira no horário das 11 às 14 horas.

Em função destas questões, há seis meses os empreendedores da Rua Gama Rosa fundaram a Associação dos Bares, Restaurantes e Lojistas – a “Vai que Gama” para dar maior poder de reivindicação e interlocução junto ao Poder Público. Uma das propostas da Associação é transformar a Gama Rosa numa espécie de “Rua das Flores”, a rua de Curitiba que foi a primeira no país a ser exclusiva de pedestres e estabelecimentos que oferecem comida, diversão e arte 24 horas por dia. “É uma de nossas ideias para permitir melhor retorno a quem investe no centro”, diz Edit. Tomara que os agentes envolvidos consigam soluções que evite que o centro retorne ao ciclo de decadência que viveu por mais de 30 anos e afaste de suas ruas público e empreendedores como Edit.

Casa de Bamba, serviço:

De segunda a sexta-feira, das 11 às 14 horas: almoço self service
De terça a sábado, das 18 horas à meia noite: bar com música ao vivo
Segundo domingo de cada mês, das 12 às 17 horas: feijoada com samba
Endereço na rede: https://www.facebook.com/casadebambavix
Telefone para reservas e informações de programação: (27) 3222 3074

Os circuitos que fazem acontecer a cena da música independente no Brasil e no ES

Os circuitos que fazem acontecer a cena da música independente no Brasil e no ES

 

Dos eventos realizados no Festival Reconecta com objetivo de pensar e refletir sobre cultura e a produção cultural contemporânea, os convidados que formaram a mesa do “Seminário da Música – Novas pautas e desejos”, realizado no dia 4 de março, nos jardins do Solar Monjardim, abordaram, sobretudo, o papel das tecnologias da informação na difusão, divulgação e distribuição de música. A questão é pertinente e atualíssima e ao mesmo tempo apresenta-se como um desafio. Se por um lado a internet facilitou a interação entre artista, produtores e público, por outro lado é um ambiente altamente pulverizado, onde há muita gente, boa ou ruim, atuando e buscando atenção e destaque. Entender este novo mundo e saber atuar nele e ao mesmo tempo construir circuitos alternativos de apresentação foram as questões que marcaram o debate entre os quatros participantes da mesa e destes com o público presente.

Uma das dificuldades que mais afetam o e reconhecimento do trabalho de bandas e músicos é, sobretudo, a falta de espaço para a apresentação. Essa é uma realidade conhecida por músicos capixabas como Gil Mello, que resolveu transformar sua própria moradia em casa de show e centro cultural. Há sete meses ele e o sócio, Heitor Riguette, abriram, no centro da cidade, a Casa Verde, um espaço alternativo que recebe de bandas e músicos daqui e de fora. Essa tem sido uma estratégia seguida por produtores e músicos que buscam criar outros circuitos de shows e também de contato com artistas de outros estados. “É uma forma que buscamos de dar relevância ao trabalho do artista. Se não há lugar para se apresentar, não há como ser visto e conhecido,” disse Gil, que acrescentou: “não quero desmerecer os bares com música ao vivo, mas espaços como o que criamos tem outra vibe que permitem troca e convivência entre os músicos e atrai um público que vem em função do show do artista.”

A cena alternativa

Criar espaço para que a arte circule e aconteça foi a estratégia buscada também pela produtora Mariana Fagundes, que participa do Coletivo Casinha, um espaço do circuito alternativo em Campos, estado do Rio. Desde que começou a funcionar, a sede do coletivo tem atraído músicos e um público considerável para os shows que são realizados lá. “Fomos surpreendido, o que mostra que há demanda dos artistas e há um público ávido por novidade e pelo som da música que não é tocada na rádio”, disse.

Mariana agora estará à frente da produção de mais uma edição na cidade do “Grito do Rock”, festival criado pelo coletivo Fora do Eixo em colaboração com produtores das cidades onde o evento ocorre e que hoje é uma das maiores referências no circuito musical alternativo do país. A curadoria dos eventos locais é realizada pelos produtores através da internet, pelo site Toque Brasil, rede de música brasileira que conecta bandas, músicos e produtores através de uma plataforma que reúne eventos, projetos e festivais. “A internet é fundamental para a divulgação e distribuição da produção musical hoje. Tem sido pela rede que conhecemos e convidamos artistas e bandas para os eventos que realizamos”, disse Mariana. “No interior do país é o que funciona para a produção de eventos e na divulgação do artistas.”

Circuitos on line

Foi com o propósito de ajudar a divulgar o trabalho de músicos que vêm construindo a cena alternativa da música no Brasil que Josué Veloso, produtor em Recife, Pernambuco, criou a página “Brasileiríssima”, no Facebook, para compartilhar música e abrir espaço de divulgação para bandas e músicos que buscam um lugar ao sol no mercado musical do país. “No início, muita gente achou que não ia dar certo, mas o resultado tem sido surpreendente. Temos sete milhões de seguidores.” A repercussão da página levou à criação do site Brasileiríssimo, que chega a recebe cerca de 700 emails por semana com trabalhos de artistas de todas as partes do país. “A seleção e curadoria dos eventos que participamos é feita com base no perfil das bandas. Buscamos aquelas que têm a ver com a vibe desses festivais.”

São festivais como o Grito do Rock, que acontece em vários pontos do país, e eventos locais como o Bananada, em Goiânia, o Festival do Sol, em Natal, o Infinitas e eventos produzidos pelo coletivo Expurgação, em Vitória, que dão visibilidade para além da rede e da internet. E tem diversos outros eventos, como atesta Gil Mello, nas capitais e cidades do interior do país. “Há muita gente circulando e fazendo a cena independente e um público surpreendente.” São estes circuitos, reais e virtuais, que têm propiciado o aparecimento de novidades e fenômenos como Liniker, o cantor paulista que estourou para o Brasil a partir da rede social e que fechou o Festival Reconecta com um show que pôs um público de três mil pessoas para cantar e dançar da primeira à última música.

 

Links para as páginas dos espaços citados

Brasileiríssimos                                                                       http://brasileirissimos.xpg.uol.com.br/                https://www.facebook.com/br4sileirissimos/info/?tab=page_info

Grito do Rock                                                                                                                 http://gritorock.org

Toque Brasil                                                                                                                  http://tnb.art.br/universo

Casa Verde                                                                     https://www.facebook.com/casaverdesubtropico/?fref=ts

 Casinha                                                                                           https://www.facebook.com/casinha360/?fref=ts

 

Na foto: da esquerda para a direita: o mediador Vitor Lopes (Lab. Muy), Gil Mello, Lívia Egger (produtora), Josué Veloso e Mariana Fagundes

Reconecta, um festival que mostra o fôlego cultural da cidade

Reconecta, um festival que mostra o fôlego cultural da cidade

 

Vitória é uma cidade onde tem gente fazendo literatura nas quebradas e na internet divulgando música e formando redes de distribuição; tem gente abrindo a casa e produzindo show; tem gente falando de música e gente contando história e tem poesia no poste. E em Vitória tem muita bicha preta, muita bicha branca, muita mulher negra e mulher branca no Hip Hop e tem crianças curtindo tudo isso acompanhadas de pai e mãe. Foi o que se viu no último domingo no Parque da Pedra da Cebola, quando cerca de três mil pessoas, gente das mais diversas tribos da cidade, esteve lá para prestigiar o show de Lineker e o último dia de ações culturais do Festival Reconecta, evento que durante quatro dias, de 3 a 6 de março, pretendeu mostrar “um recorte da produção cultural que pulsa aqui no Espírito Santo e Brasil afora”.

O show do cantor paulista, talento que viralizou na internet no final do ano passado com o EP “Cru”, foi o ponto final das atividades do dia, que teve ainda brechós, oficina de arte gráfica e desenho, encontro de danças urbanas, papo sobre alimentação como arte e ativismo e música, muita música. O domingo no parque deu uma pequena mostra do que foram os quatro dias do festival, evento que reuniu várias linguagens e experiências culturais em ações realizadas por toda a cidade e tudo ao mesmo tempo.

Do centro à periferia

O Festival Reconecta é uma realização do Lab. Muy – Arte e Cultura Digital com apoio da Secretaria de Estado da Cultura e uma extensão dos festivais Casa.Lab e Fábrica.Lab de Ideias, realizados em 2013 e 2014, respectivamente. Mas ao contrário destes dois, que se concentraram em um único espaço (a Casa Amarela, no centro da cidade, e a Fábrica de Ideias, em Jucutuquara), o Reconecta teve como palco principal os espaços abertos da cidade, como a Praça Costa Pereira, o Morro do Jaburu, e o Parque Pedra da Cebola. A ideia do festival é esta mesma, abrir espaços para exibir e refletir sobre as criações e as manifestações culturais que se realizam fora dos eixos massivos da produção cultural do país. Foram 225 envolvidos, entre artistas e ativistas, mais uma equipe de 40 pessoas, entre produtores, fornecedores que ocuparam ruas, praças, parques, jardins, bares e o Teatro Carlos Gomes com intervenções, shows, oficinas, bate papo e debates sobre a produção cultural contemporânea.

A escolha dos espaços para realização das ações do Reconecta levou em consideração as referências culturais que cada lugar emite e que permitiu envolver os quatro cantos da cidade. O centro foi palco do primeiro dia. “Não poderíamos abrir mão do centro, pois é lugar que tem movimentado a cidade e onde se encontram espaços reconhecidos na realização da cena cultural daqui como a Casa da Stael, a Casa Verde, os bares da Gama Rosa”, explica Fabrício Noronha, curador do evento e um dos sócios do Lab. Muy.

Quatro eixos

Os espaços foram escolhidos também em função dos quatro eixos pensados pela curadoria do evento com o objetivo de refletir questões pertinentes à cultura urbana e contemporânea que se manifesta na cidade, no estado e no país. O centro foi palco do eixo “Política, cultura e transformação”, no sentido justo de pensar a cultura como ação política. Além de atividades na Praça Costa Pereira e show com os músicos Macako e Otto, no Teatro Carlos Gomes foi realizada, no dia 3, a mesa de abertura do evento com seminário “A cultura como gatilho das transformações sociais do Brasil” (assunto do próximo post).

Em Jucutuquara o eixo foiConexão, cultura e ocupação”, com a realização de seminários sobre música (em próximo post), nos jardins do Solar Monjardim, e a intervenção de lambes poéticos nos postes da Avenida Paulino Miller. Mas as ocupações do dia extrapolaram o bairro e cobriram vários outros espaços com o evento “Não pare de dançar”, uma festa integrada entre vários bares e casas de shows da cidade conectados por um ônibus boate (com direito a bar e DJs) que circulou por todos os pontos – do centro à Praia do Canto e Jardim da Penha. Cada ponto promoveu suas próprias atrações e uma única pulseirinha, a 20 reais, dava acesso a todos eles.

Coletivo Jaburu

A escolha do Morro do Jaburu como palco do terceiro dia do festival aconteceu em função dos vários coletivos presentes na comunidade, muitos dos quais têm literatura como ação cultural. Daí o nome Palavra, cultura e visibilidade” para o terceiro eixo do festival. “O morro estava sedento por ações e eventos que pudessem fazer acontecer o potencial criativo dos coletivos criados ali e em outras comunidades que são expressão da cultura que se faz na periferia, seja na música, na dança, seja na literatura”, diz Fabrício. A proposta do festival foi abraçada pela Associação de Moradores e envolveu moradores, inclusive crianças da comunidade.

E por fim, o eixo “Conexão, cultura e partilha”, encerrou o festival coma ocupação da área das quadras do Parque Pedra da Cebola e o show das locais bandas Vão, Vão, Vão, Caxambu Santa Cruz, Rabujah e os artistas de São Paulo Tássia Reis e Lineker, um fenômeno também de presença em palco que botou todo mundo para cantar as músicas do seu primeiro CD, “Remonta”, que será lançado este ano.

Balanço Geral

No balanço geral do festival, o resultado foi positivo. “Estamos muitos felizes, atraímos quase 8 mil espectadores e ajudamos a dar espaço e visibilidade a muitas ações. Foram 121 propostas que recebemos na chamada pública que realizamos para o Reconecta. Uma quantidade que nos surpreendeu e mostra o potencial de realização cultural que pulsa na cidade. Infelizmente nem tudo foi possível contemplar por questões orçamentárias”, diz Fabrício. Mas ele garante que a quarta versão do festival já está certa, pois o projeto foi classificado em quarto lugar no Prêmio Funarte (edital Festivais), o que garante seu financiamento. Fabrício não quer adiantar o conteúdo, pois ainda está sendo pensado. O certo é que ano que vem tem mais. Que bom!