Homenagem a Sérgio Sampaio reafirma a Rua Gama Rosa como de novo point da balada noturna da capital

A Rua Gama Rosa tomou forma a partir da década de 1920, quando casas e sobrados foram construídas ao longo de sua via para dar moradia aos funcionários públicos. Muitos anos depois, quando o centro se tornou o principal eixo comercial da cidade, passou a ser endereço de boas lojas e boutiques. A partir da década de 1980, as lojas foram fechando e a rua foi tomada por sede de sindicatos e viu fechar o lendário Britz Bar, quando o comércio e o próprio bairro decaíam. Mas atualmente, a rua tem estado movimentada e experimenta uma nova vibe desde que, há cerca de quatro anos, novos bares ali se instalaram. Casa de Bamba, Doca 183 e Grapino Rango Bar, as três casas vêm fazendo da Gama Rosa um novo point, ou de novo point, de balada noturna da capital.

Na noite de ontem, por exemplo, as casas compartilharam público que foi prestigiar os músicos que se apresentaram simultaneamente nas três como parte do X Festival Sérgio Sampaio. Na homenagem ao cantor e compositor capixaba, o movimento da rua fez lembrar os tempos do Britz, que ficava na esquina da Gama Rosa com a Rua Treze de Maio, cerca de 100 metros depois do epicentro atual, mais no meio da rua, literalmente. Ontem, as calçadas ficaram apertadas para tanta gente circulando, papeando e curtindo novas versões da música do “velho bandido” e a noite de terça-feira. Sobrou gente até para a Sorveteria Mammi’s, que não fazia parte do pool do evento, mas aproveitou bem o movimento da rua. Estava cheia.

Uma rua pedestre

Não é a primeira vez que as casas da Gama Rosa compartilham evento e público. Tem sido assim desde quando ocorreu ali, no ano passado, o Projeto Sonzêra, com apresentação e exibição de vídeos de músicos que fazem a cena atual da produção musical capixaba; tem sido assim no carnaval, quando a rua serve de passarela aos novos blocos que surgem no centro da cidade; foi assim quando a Gama Rosa fez parte da programação do Festival Reconecta, ocorrido na primeira semana de março, como o evento “Não pare de dançar”; é assim na festa de fim de ano que as casas da rua promovem conjuntamente.

Tanta festa e tanta gente reunida sinalizam a vocação baladeira que as três casas imprimiram à rua e pode sugerir que a Gama Rosa é mais pedestre que dos automóveis. Pelos menos à noite. Muitos dos que estiveram lá ontem vieram do Sesc Glória, onde rolaram seminários para discutir a obra e o legado de Sampaio. Mas outros nem estiveram lá, foram direto para a Gama Rosa.

A constatação vem a propósito. Na edição de domingo do jornal “A Tribuna”, arquitetos e urbanistas discutiram e sugeriram novos usos para ruas do centro da cidade. A Gama Rosa foi apontada como uma rua com vocação para o lazer e a vida noturna. Foi sugerido mesmo que a rua seja fechada para o tráfego de veículos e seja destinada apenas ao tráfego pedestre. Uma rua de lazer 24 horas, como em Curitiba. Uma boa ideia para requalificar a rua e incrementar negócios e a economia do centro da cidade, estimulando novos investidores e empreendedores. Afinal, o centro tem se mostrado receptivo a eventos e iniciativas que unem cultura, lazer, diversão, como a Virada Cultural, o Dia do Samba e o carnaval que renasce em suas ruas.

Seria também uma forma de reconhecer e apoiar o esforço de empreendedores individuais que apostaram no bairro e vem incrementando o lugar de maneira muito mais eficaz que os mil projetos feitos e nunca realizados de revitalização do centro da cidade.

Fica a dica.

Gama Rosa

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