Uma noite no Livepub com Afonso Abreu e amigos, muitos amigos

No dia 14 de setembro, quarta-feira da semana passada, revi e ouvi o trio original dos Mamíferos tocando juntos outra vez.  Fui assistir Afonso Abreu e convidados no show comemorativo “Afonso Abreu – 70 anos”, ideia que segundo ele, “foi sacanagem do Murilo”, seu filho e produtor. “Quem gosta de comemorar 70 anos? E depois eu só faço aniversário no dia 18”, informou. Afonso estava de ótimo humor, cercado de amigos e atrasado.

– Como sempre –, disse Marco Antônio Grijó, o que sempre chega cedo. “Compromisso é compromisso”. Mas ele deve estar acostumado, afinal são 50 anos fazendo música e dividindo palcos com Afonso.

E depois de muitos anos, revi Mário Ruy, que sempre foi magro e continua. Fácil reconhecê-lo, apesar de tanto tempo. “Bom tempo”, foi o que ele me disse e não se referia apenas ao tempo decorrido, mas sim ao tempo do início. Mário Ruy foi um dos amigos convidados para tocar com Afonso naquela noite. Outro que se apresentou com Afonso foi Gabriel Grossi, um dos maiores representantes da harmônica e que integra o “Hamilton de Holanda Quinteto”, além de Marco Antônio e Pedro de Alcântara. Os dois últimos formam com o anfitrião o conjunto Afonso Abreu e Trio, que toca com frequência mensal no Livepub, dentro o projeto LiverJazz.

Mas rever Afonso, Marco Antônio e Mário Ruy, o trio original de “Os Mamíferos”, tocando juntos mais uma vez foi motivo a mais para ir ao Livepub. Estão todos bem, reconhecíveis nas aparências e nos humores, e tocando ótima música desde sempre.

Sobre acrescidos ou outros amigos

Entre os que estiveram naquela noite no Livepub para assistir Afonso e amigos, revi Paulo Branco, também depois de anos, e ainda Álvaro Abreu, o irmão, este visto e revisto.  Mas não vi Rogério Coimbra. “Deve estar no Rio,” me disse Afonso, que emendou: “ele sempre diz que está no Rio quando tem show meu”. O humor de Afonso é delicioso.

Encontrei também com Marcos Moraes, irmão de Zé Renato, que foi casado com Zilá que também casou com Chico Lessa. Era um mundo pequeno, esta ilha. Lembrei da Zilá porque foi a primeira noiva, que eu soube, que chegou na igreja numa motocicleta. Mas não me lembro em qual casamento, com Chico ou com Zé Renato.

Paulo Branco, Zé Renato, Rogério Coimbra e Chico Lessa estão entre os compositores, instrumentistas e poetas que orbitaram e contribuíram com a história e com o repertório dos Mamíferos, quando não, foram acrescidos à banda e estenderam para mais de três o trio original, que naquela noite, tocou junto “Malandro”, composição de Afonso e Mário Ruy. São todos amigos de longa data. Grandes amigos, afinal o nível das amizades pode ser medido pelo tamanho das implicâncias.

Próximos capítulos – um livro

Contar desses encontros serve de pretexto para recordar um pouco mais da banda, que foi formada quando os três contavam 20 anos em 1966. Fazendo as contas, comemoram-se este ano 50 anos do surgimento do grupo e 70 de cada um. E as efemérides não vão passar em branco. Em novembro, o projeto Aurora Gordon lança o livro “Os Mamíferos – crônica biográfica de uma banda insular”, de Francisco Grijó, que conta em detalhes e a partir de memórias e depoimentos de seus principais personagens e daqueles que de uma forma ou de outra estiveram envolvidos nessas histórias, a trajetória do grupo que sacudiu a cena musical de Vitória dos anos 1960 e 1970. São histórias de pessoas interessantes que fizeram parte da crônica cultural capixaba no contexto da contracultura, tendo a ilha como cenário.

De minha parte, conto mais em próximo post e através de texto que remontam ao início dessas histórias. São textos jornalísticos que ajudam a recuperar memórias e climas de outras épocas e revelam um pouco sobre cultura e comportamento na Vitória de 50 nos atrás. O pretexto é comemorar essas trajetórias. Afinal, são 70 anos.

Foto: Miro Soares

9 pensamentos sobre “Uma noite no Livepub com Afonso Abreu e amigos, muitos amigos

  • 20 de setembro de 2016 em 20:37
    Permalink

    Manuela você sempre me emocionou.Sua beleza,seu ritmo de criança inteligente,sempre correndo,brincando com o “Duque”.cão intelectual e “beatnik”,brazão dos Mamíferos que
    aportavam em sua casa de madeira na colina do Barro Vermelho.
    Om beijo ardente,com dizia o nosso querido Arlindo…Adorei.

    Responder
  • 22 de setembro de 2016 em 17:00
    Permalink

    …afinal o nível das amizades pode ser medido pelo tamanho das implicâncias. Hahaha… Genial !!! E Rogério no Rio… Beijo pro Afonso !!! Outro enorme pra você… N

    Responder
  • 24 de setembro de 2016 em 12:15
    Permalink

    Manuela, você está tocando melhor que Os Mamíferos. Deve ter sido uma noite com boas lembranças. Pena que Afonso monitore minhas viagens para marcar os shows, não me dando chance de comparecer; da próxima vou passar uma falsa notícia. Continue flanando.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>