Mostra de Cinema e Audiovisual da Ufes exibe a produção de novos e futuros realizadores capixabas

Mostra de Cinema e Audiovisual da Ufes exibe a produção de novos e futuros realizadores capixabas

 

Hoje às sete e meia da noite, no Centro Cultural Sesc Glória, será lançado o livro “Plano Geral: panorama histórico do cinema no Espírito Santo”. Esta informação e dica servem para introduzir outro evento, um assunto da semana passada, mas que ainda vale registro aqui, pois trata justamente da produção audiovisual capixaba. O assunto é a 6ª edição da mostra Próximos Olhares. Vale o registro, ainda que tardio, pelo fato desta ter sido a última edição da Mostra, segundo o anúncio feito na abertura do evento, no dia 2 de dezembro, no Cine Metrópoles. Então, um post para registrar o evento que por seis semestres exibiu a produção dos alunos dos cursos de Cinema e Audiovisual e de Música da Ufes. Desde 2013, o evento mostrou para a comunidade academia e para o público geral os primeiros trabalhos em nível profissional daqueles que são ou serão os novos realizadores do audiovisual capixaba.

No balanço geral, foram exibidas 72 produções que envolveram cerca de 180 alunos na realização de filmes nos mais diversos formatos, como videoclipes, ficção e documentário em curta metragem e pôs em prática o conhecimento adquirido em sala de aula e nos laboratórios da universidade sobre linguagem, técnica, poética, estética, teoria e prática do cinema e audiovisual. A mostra serviu também para dar conhecimento público daquilo que os cursos oferecem para a formação de seus alunos. “A realização de filmes para o evento colocou o aluno em contato com todas as fases de produção audiovisual e exigiu que ele pusesse em prática o conhecimento adquirido nos conteúdos dos cursos”, explica Gabriela Alves, professora do curso de Cinema e Audiovisual e supervisora da Próximos Olhares.

Da sala de aula à sala de cinema

A mostra veio justamente para colocar a produção dos alunos para fora das salas de aula. “Filmes são feitos para serem exibidos”, diz Klaus’Berg Bragança, professor de Cinema e Audiovisual e coordenador da mostra junto com Marcus Neves, professor do curso de Música. Klaus diz que o objetivo da mostra Próximos Olhares foi colocar os filmes em circulação – “filmes são feitos para públicos” – e mostrar que é possível realizar bons produtos com poucos recursos.

De fato, baixos custos e poucos recursos não inviabilizam a produção e nem impossibilitam boas realizações. Filmes feitos para a Próximos Olhares foram exibidos e premiados em outras mostras e festivais de cinema aqui e pelo país a fora, como o Festival de Vitória, a Mostra Produção Independente da ABD&C, o FECIN, o Cine MuBe, a Mostra Universitária de Curtas LGBT e a Mostra de Audiovisual Universitário da América Latina na UFMT.

“A mostra é o nosso primeiro teste com a tela de cinema. Saber que nossos trabalhos seriam exibidos em público e não se restringiriam às exigências das disciplinas foi um importante motivador em todo processo de concepção e produção do filme” diz Aline Lopes, diretora de “Reduto”, uma das três produções em curta metragem de ficção exibidas na sessão “Projeção” na 6ª Mostra. As outras duas foram “Guaiamu”, de Victor Neves, e “Um possível blues”, de Láisa Freitas.

Outro objetivo importante da mostra, que é uma ação do programa de extensão universitária vinculado ao Departamento de Comunicação Social (DepCom) e ao Departamento de Teoria da Arte e Música (DTAM), foi integrar as produções dos dois cursos. Tanto que as três produções exibidas na sessão “Projeção” foram realizadas por alunos do curso de Cinema e Audiovisual em parceria com o Grupo de Experimentação Sonora, (GEXS) projeto de extensão vinculado ao curso de Música.

Além dos três curtas, a 6ª edição da Próximos Olhares exibiu também, na sessão “Curto e Grosso”, 11 filmes de até quatro minutos narrados e montados em imagens fotográficas.

The end

Vale lembrar que a Próximos Olhares não pretendeu ser uma mostra competitiva, mas ser, sobretudo, de exibição da produção acadêmica em Cinema e Audiovisual. Mas os esforços para realizar a mostra têm sido demasiados, assim como a exigência de disponibilidade e dedicação dos envolvidos. Outras questões de cunho institucional inviabilizam a realização de mostras futuras, que de qualquer jeito deixa um saldo positivo para os cursos de Cinema e Audiovisual e de Música e para a própria universidade, pela oportunidade de dar resposta à sociedade daquilo que é produzido em seus cursos e em seus campi. Vai deixar saudade.

 

Foto: cena de “Reduto”, de Aline Lopes

O Espírito Santo na ficção de Juliano Salgado, um cineasta

O Espírito Santo na ficção de Juliano Salgado, um cineasta

Dizem que o cinema é uma catarse. Juliano Ribeiro Salgado parece concordar.  Pelo menos é o que se pode inferir quando ele diz que depois de “O Sal da Terra”, a relação conflituosa com seu pai se resolveu. O Sal da Terra, filme que Juliano codirigiu com o cineasta alemão Win Wenders e mereceu prêmios internacionais, além da indicação do Oscar 2015 de melhor documentário, retrata a obra de Sebastião Salgado, pai de Juliano e fotógrafo notável, ainda que, para alguns, controverso. Muitas de suas belas imagens documentaram a questão humana na sua dimensão mais desumana, da fome, da guerra e da destruição ambiental.

Como Juliano já revelou em outras entrevistas, Sebastião foi um pai ausente, o que não é difícil de deduzir sobre alguém que percorreu os quatro cantos do planeta documentando a vida humana em conflito ou em total isolamento. Trabalho que quase sempre exigiu de Sebastião Salgado permanências prolongadas em lugares distantes e longa ausência de casa.

Pai e filho

A obra que afastou pai e filho foi a mesma que os reconciliou, uma reconciliação realizada em formato audiovisual, e não poderia ser de outra forma em se tratando de Sebastião e Juliano Salgado. O Sal da Terra é também o resgate do pai enquadrado pelo olhar do filho, na contemplação de sua obra e na compreensão de seu trabalho. Em entrevista ao site “brasileiros.com.br”, Juliano declarou que sua intenção ao realizar o filme foi reencontrar seu pai. “Eu conhecia as histórias, sabia as reportagens que podiam contar a trajetória do Sebastião. Mas quando eu vi duas horas e meia de entrevista, filmada pelo Wim, foi que entendi o que o Sebastião tinha passado, o quanto ele sofreu e aprendeu naquelas situações todas. Isso mudou minha visão sobre ele.”

Até antes da realização do filme, pai e filho tinham uma relação distante e difícil. “Antes, não conseguíamos ficar cinco minutos sem brigar. Hoje mantemos longas conversas sobre tudo”, diz o filho. “Acho que agora nossas questões estão resolvidas.”

O Espírito Santo

Juliano esteve em Pedra Azul a convite da Galpão Produções especialmente para prestigiar a sessão de abertura do 21º Vitória Cine Vídeo Itinerante e a exibição de O Sal da Terra. Conversamos antes do início da sessão. Ele fala fluentemente o português, mas com um claro acento francês.  Juliano nasceu em 1974, na França, país onde seus pais foram morar em 1969, em pleno recrudescimento do regime militar. Juliano é filho da ditadura, um filho estrangeiro de pais exilados.

O assunto não vem à tona à toa. O projeto ao qual se dedica agora parece de alguma forma tratar da história mal contada do Brasil. E terá como contexto o Espírito Santo. E será uma história de suspense, assim como ficará em suspense esta história. Juliano não quer revelar do que se trata o projeto, afinal ainda é um projeto em elaboração. “Estamos na fase de desenvolver o roteiro, quando muita coisa pode mudar”, justificou. Mas de certo é que será uma história que terá cenário no estado e a algum fato relevante à nossa história.

Algum sinal do que pode vir a ser o enredo do filme está na preocupação que Juliano demonstra com a falta de cuidado do Brasil sobre sua própria história. “Não contamos a história real e isso produz mitos que não se sustentam na realidade. Idealizamos um país tolerante e multirracial, quando na verdade somos um país racista. Não resgatamos ainda o passado da ditadura militar, apenas superficialmente. E isso me preocupa e incomoda”. Essas são indicações do que poderá vir a ser o primeiro longa de ficção de Juliano. Foi o que ele sinalizou. Mas só daqui a três anos mais ou menos (tempo necessário para realizar de um filme em longa metragem) poderemos saber com certeza.

Mão de obra local

A ideia de filmar no Espírito Santo deve-se ainda ao fato de o estado ser pouco conhecido no restante do país. “Amigos de São Paulo com quem conversei nada sabem sobre o estado. E há história aqui.” Juliano faz questão que a equipe técnica do longa seja formada no estado. “Queremos trabalhar com mão de obra capixaba. Por isso, vamos formar técnicos daqui para participar desta produção”, adianta ele.

No mais, aguardemos.

21º Vitória Cine Vídeo Itinerante – levando cinema da serra ao mar

21º Vitória Cine Vídeo Itinerante – levando cinema da serra ao mar

A convite da Galpão Produções, estive no fim de semana em Pedra Azul para acompanhar a primeira? sessão 21º Vitória Cine Vídeo Itinerante, que teve um sabor especial, a exibição do documentário “O sal da terra” e a presença de seu codiretor, Juliano Ribeiro Salgado, filho do personagem tema do filme, o fotógrafo Sebastião Salgado. O convite simpático me permitiu fugir por algumas horas do calor inclemente da planície praiana e a oportunidade de bater um papo com Juliano, que entre outros assuntos, informou sobre o projeto de rodar um longa metragem de ficção no e sobre o Espírito Santo com equipe técnica formada aqui.

Mas antes da entrevista (que será publicada no post seguinte), vale informar sobre o Festival Itinerante, pois afinal este foi o motivo do convite.  Depois de passar por Domingos Martins e Marataízes no fim de semana, as próximas sessões ocorrerão em Cariacica (quarta-feira, 21, na Praça Central de Campo Grande), na Vila de Itaúnas (sexta-feira, 23, em frente à Igreja de São Sebastião) e em Manguinhos (sábado, 24, na pracinha da Vila). A programação para estas sessões vai privilegiar a exibição de filmes de curta metragem da produção brasileira recente.

Mercado curto

As sessões se iniciam às 19 horas e são abertas ao público, como não poderia deixar de ser, em se tratando de uma iniciativa que busca justamente a formação de plateia e a difusão para um público mais amplo da produção brasileira em curta metragem. Os filmes de curta metragem têm pouca penetração no mercado comercial do audiovisual do país. Se o mercado não se interessa, cabe aos festivais colocar essa produção em circulação. “Hoje, são os festivais e a internet o espaço de exibição para o curta. É nesse sentido que o Vitória Cine Vídeo Itinerante atua, de formar público para o cinema nacional e em especial, o cinema de curta metragem”, diz Larissa Delbone, diretora executiva da Galpão Produções. Por isso também, a opção da praça pública como local de exibição, acessível a quem quiser e a quem estiver por lá.

As localidades de exibição também são pensadas para atender a um publico que não tem acesso fácil a salas de cinema. Em Pedra Azul, onde não há cinema, cerca de 250 pessoas prestigiaram a sessão especial de O Sal da Terra, que abriu a itinerância do Festival numa homenagem especial a um dos mais prestigiados fotógrafos da atualidade. Agora o Festival segue com a exibição de cinco filmes de curta metragem recém-produzidos. Boa sessão!

Programação das próximas sessões

Se Não… (Ficção / 16 minutos / Amazonas / 2015 / Classificação Livre), de Moacyr Freitas. Sinopse: Zé Ninguém é o velho do saco, que vive no imaginário das crianças daquela cidadezinha do interior. João, Juca, Guilherme e Marquinhos, em suas brincadeiras do cotidiano, estão sempre às voltas com o tal Zé Ninguém e, na casa da arvore, esse é o assunto que domina a roda de conversa. Um dia, o sumiço do robô de Guilherme, faz com que ele acuse João de ter pegado o robô, pois João o cobiçava. Mas João se limitava a falar que foi o velho do saco. Passado alguns anos os colegas se separaram, mas Guilherme ainda tem aquela duvida se foi o João ou não, quem pegou o tal robô. Já como médico, Guilherme é chamado para atender a uma urgência, e ao se deparar com o corpo de um desconhecido, ele passa a reviver todas as suas lembranças de infância. Link para fotos: http://migre.me/rGlG3

A Culpa é do Neymar (Ficção / 10 minutos / Rio de Janeiro / 2015 / Classificação Livre), de João Ademar. Sinopse:  o curta, que se passa no ano de 2011, apresenta a história de Jair, um botafoguense fanático que entra em delírio ao descobrir que Túlio, seu único filho, influenciado pela Neymarmania, passou a torcer pelo Santos. Nesse contexto, Sandra, sua esposa, buscará todas as alternativas para trazer o marido à razão e restaurar a paz familiar. Link para fotos: http://migre.me/rGlwP

À Festa. À Guerra (Ficção / 17 minutos / Rio de Janeiro / 2015 / Classificação Livre), de Humberto Carrão Sinoti. Sinopse: um prefeito de uma cidade que está passando por muitas greves e manifestações assume uma estratégia para atrair investimentos: encomendar de uma escola de samba do carnaval do Rio de Janeiro um desfile que fale de sua cidade. O que ele não sabia e agora parece intuir é que o carnaval não é somente festa e alegria. Link para fotos: http://migre.me/rGlza

Até a China (Animação / 15 minutos / Rio de Janeiro / 2015 / Classificação Livre), de Marcelo Marão. Sinopse: Fui pra China só com bagagem de mão. Na China os motociclistas usam casaco ao contrário e os restaurantes servem cabeças de peixe, lagostins e enguias. A funcionária do evento estuda cinema e gosta de filmes de Kung Fu. Comprei pés de galinha embalados a vácuo. Link para fotos: http://migre.me/rGlBi

Insular (Documentário / 16 minutos / Espírito Santo / 2015 / Classificação Livre), de Tati W. Franklin. Sinopse: “Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo.” (John Donne). Curta-metragem que convida o espectador a imergir o olhar no modo de vida de uma família que mora em uma ilha. É um filme de significado livre, cabe ao espectador preenchê-lo e permitir a experiência do contato com esse universo. Link para fotos: http://migre.me/rGlE8