Dois em cena – Branca Santos Neves e Jace Teodoro

Dois em cena – Branca Santos Neves e Jace Teodoro

Jace Teodoro conheceu Branca Santos Neves por causa de uma música de Billie Hollyday. Ele me contou: “um dia entrei no salão de ensaios da Academia de Karla Ferreira, onde fazia aulas de dança, cantarolando ‘You’ve changed’ e uma voz vinda do fundo do salão me acompanhou. Era Branca.”

Minha mãe se apresentava assim, puxando conversa, chegando (ou cantando) junto. Sempre alerta, sempre interessada. “Branca me apresentou a muitas pessoas interessantes. Eu vinha do Rio de Janeiro depois de 16 anos morando lá e sem conhecer quase ninguém em Vitória. Ela era uma pessoa aglutinadora e foi generosa comigo.” Depois do primeiro encontro, tornaram-se inseparáveis, trabalhando e badalando pela cidade.

Dois espetáculos

Eu encontrei Jace em vésperas de lançamento de seu terceiro livro de crônicas, “A palavra que apalavra”, título também do último espetáculo que ele criou e encenou com a minha mãe. O espetáculo em que ela começou a esquecer palavras.

“Fizemos dois espetáculos juntos”, lembra Jace. O primeiro foi “Enquanto uns cegos, outros olhos”, em meados da década de 1990, e que também reunia teatro, música, dança e poemas, como não poderia deixar de ser. As palavras estão em Jace desde muito cedo, ainda nas salas de aula onde ele já gostava de ler em voz alta seus exercícios de redações. “Palavra tem a ver com ritmo, respiração, pontuação”. Ele contou que o processo de criação dos espetáculos que fez com Branca era também um processo coletivo e acontecia durante os ensaios. “Em ‘A palavra que apalavra’ eu tinha uma ideia do que seria o espetáculo, que foi sendo criado com os jogos de palavras que eu Branca fazíamos durante os ensaios e pelo ritmo e melodia que vinham do acordeom do Mirano. Foi um ‘working in progress.’” “A palavra…” contava ainda com as participações de Duda Padovan e Paulo Sodré e teve direção de Erlon Paschoal.

Os dois espetáculos passaram pelos teatros Sesi, Carlos Gomes e o Galpão, que hoje funciona como cerimonial para festas e comemorações.

Últimos palcos

A princípio, Jace se mostrou reticente com meu convite para falar de Branca e mencionar o início do processo de esquecimento. Mas entendeu que a proposta é como uma homenagem à história e as memórias dela. Então ele recordou a casa do Barro Vermelho e a sala estúdio que ela adaptou para aulas de postura corporal e onde ocorreram ensaios dos espetáculos. A mesma sala ampla e um tanto austera que foi mudando e mostrando os novos interesses de Branca – no início o pôster de Caetano no tempo da Tropicália e depois e até a venda da casa, transformada em sala estúdio e que serviu aos primeiros ensaios de “Enquanto uns cegos…”

“Branca era uma atriz entusiasmada, que se punha à disposição das criações artísticas, e uma pessoa corajosa. Lembro que pensei uma cena de seio desnudo para ‘A palavra…’, mas fiquei com receio sobre ela aceitar, afinal poderia parecer escandaloso para uma mulher de 60 anos. Que nada, ela topou na hora e tirou a blusa ali mesmo. Levei um susto.” O problema para ela é que “A palavra…” era um espetáculo de muito texto, marcação e coreografia. E Branca começou a demonstrar dificuldade de memorizar. “Tivemos que diminuir a participação dela para não sobrecarregá-la, mas mantive a cena solo do seio desnudo, quando o palco era todo dela”, lembra Jace.

A cena do esquecimento do poema em “A palavra que apalavra”, que mencionei no post anterior foi um dos primeiros sintomas do mal que foi afastando minha mãe dos palcos. Ela ainda faria alguns trabalhos com Paulo de Paula, que a introduziu ao palco em meados da década de 1970, e que foi seu parceiro mais constante – como ator ou como diretor. Aos poucos ela foi deixando os palcos e as câmeras.

 

Jace Teodoro e a crônica nossa de cada dia

Jace Teodoro e a crônica nossa de cada dia

Aviso aos navegantes recentes: esse é o segundo texto sobre as memórias de Branca Santos Neves contadas por mim com o auxílio precioso de quem conviveu com ela. Jace, agora.

***

Os sintomas da do mal que acomete minha mãe e que a deixa agora sem memória foram surgindo aos poucos. Pequenos esquecimentos que a princípio não pareciam tão diferentes de um jeito avoado que ela sempre teve e que até parecia diverti-la. Mas foi ficando mais constante. Um dia, no palco, deu-se um lapso. O poema “A mulher das cebolas”, de Jace Teodoro, que ela declamava em ato do espetáculo “A palavra que apalavra”, ficou pelo meio.

Sou uma mulher derramando lágrimas ao meio-dia, pra quem não há manhãs nem fins de tarde. Apenas cebolas como guia/ mais couve, ovos estrelados, bife e cabelos de gordura (…)

Jace intercedeu e deu guia. E então Branca falou mais ato e recordou o poema até o fim:

Sou essa mulher de sonhos partidos ao meio/ que não conhece do sexo a virtude. Apenas calcinhas no varal e dois dedos tentando acordar o bico adormecido dos seios.

“A palavra que apalavra” é também o título terceiro livro de Jace, autor das duas obras de títulos idênticos, mas de formas e conteúdos diferentes. Enquanto uma é livro de crônicas recém-lançado, a outra foi um espetáculo que reuniu dança, teatro e música que ele criou e mais uma vez atuou com Branca Santos Neves, em 2000. Um espetáculo que conciliou todos os talentos de Branca e Jace.

Jace foi um dos muitos amigos que frequentou a casa de Branca no Morro do Barro Vermelho.

A palavra que apalavra, o livro

Antes de seguir com as lembranças da parceria (que seguirei em próximo post), faço um parêntese para falar de Jace e do livro dele. Pois que então, além de ator e bailarino, Jace é dado às criações que as palavras possibilitam, sobretudo quando em forma de crônicas. Jace, além de jornalista (também), é um cronista natural, que sabe extrair assunto do cotidiano corriqueiro e versar com leveza, humor e um pouco de pimenta sobre situações aparentemente banais da vida diária e das notícias do dia. Como ele mesmo escreveu: “miudezas cotidianas são atrativos e cardápio deste cronista”. A astúcia, a perspicácia e a delícia dos textos de Jace surpreende até mesmo o tédio dos insensíveis.

A crônica de Jace trata o leitor como um amigo a quem ele conta, comenta e confidencia casos, fatos, notícias e sentimentos. As palavras são coloquiais, fluidas e exatas nas intenções e no espírito do texto.

Já nos títulos, Jace mostra seu estilo. Ele adora dar títulos, acha que são como convite ao texto ou a moldura deles. Alguns são feitos de citações e referências, como “Ando meio desligado”, que conta casos de gente avoada na vida, como a amiga que esqueceu um bob no penteado da noite; ou em “Maria Bethânia, tu és para mim…” para exaltar a rainha cantante que ele assistiu no espetáculo “Bethânia e as palavras” e que tanto admira; “O vento levou” sobre uma viagem alucinada num Transcol no tráfego da Terceira Ponte; ou ainda “Pela estrada afora”, uma crítica aos motoristas apressados dos ônibus rodoviários – “que se acham a última pastilha do freio antes da descida pro inferno de Dante” – e às estradas mal conservadas do país.

Outros títulos introduzem textos sobre estados de ânimo – “Preguiça” – ou de espírito – “Um brinde aos encontros”. Como um bom cronista, Jace Teodoro é um observador atento, sensível e pessoal do comportamento humano e dos fatos da nossa atualidade.

Noite de autógrafos, muitos autógrafos

“A palavra que a palavra”, o livro, reúne 41 crônicas publicadas entre 2013 e 2014 no Caderno Dois do jornal A Gazeta. O lançamento aconteceu ontem, no Canto do Vinho, Praia do Canto, e atraiu muita gente, pois Jace é querido, curtido e do balacobaco.

Estive lá, mas não falei com ele. A fila do autógrafo era longa e lenta, já que a Jace não basta a dedicatória, mas também a conversa e a entrevista, os abraços e beijos e fotos, muitas fotos. Então, deixo para pegar a dedicatória para o meu exemplar numa próxima ocasião, afinal precisava voltar para casa para escrever o texto. Mas ao menos pude vê-lo feliz e cercado de amigos e admiradores na noite de lançamento de seu novo livro, que, pelo visto, já é um sucesso desde ontem.

***

A propósito, a produção da noite e da obra foi da Caju Produções, a mesma produtora que viabilizou “A palavra que apalavra”, o último espetáculo que Branca e Jace fizeram juntos.

Foto: Léo Alves

Branca e a memória

Branca e a memória

 


Todas as mães são especiais. Branca Santos Neves é especial e não só por ser minha mãe, o que já é suficientemente especial para mim. Mas Branca é especial também porque suas histórias são memória de um tempo interessante em Vitória. O tempo que ela viveu intensamente. E há tempo que guardo a ideia de escrever essas histórias, histórias que ela já não pode me contar, porque ela não fala mais comigo.

Ela não fala com ninguém. Já quase não fala mais. Vive alheia, longe da gente e talvez já não se lembre de si mesma. É o mal que a acomete. Minha mãe sofre de Alzheimer há alguns anos e não lembra mais.

Houve uma época que conversamos sobre eu contar sua história, suas memórias. E começamos a registrar as lembranças da Rua Graciano Neves, onde ela cresceu. A ideia era chegar à casa do morro, mas não chegamos. Agora a memória dela é um fio sem meada. Então vou aproveitar este espaço para contar um pouco sobre Branca e lembrar histórias dela e de pessoas que fizeram parte da crônica da vida da capital de tempos atrás. São histórias de amigos que conviveram com ela e que me ajudam a contar dessas memórias, porque ela já não pode mais.

Vou começar pela casa no morro onde ela morou por mais de 30 anos e onde se tornou a pessoa de quem vou contar. É assim que me lembro dela. E vou começar daí porque acho que ela iria gostar. E porque sinto saudade.

 

A casa dela já não existe mais. Aliás, já quase não existe casa na Praia do Canto. Vitória cresceu e é hoje uma cidade vertical e engarrafada. Mas do tempo que inicio essas histórias, a Praia do Canto era quase só de casas. E era menor. Ainda havia a Praia Comprida que dividia o bairro que é hoje toda a Praia do Canto.

A casa ficava no Barro Vermelho, que naquele tempo demarcava apenas a subida e a parte alta do morro. Foi uma das primeiras casas ali, construída em 1966, toda em tijolos de madeira nobre da mata atlântica – o que atualmente seria considerado um crime.

Mas do tempo que conto, na Rua João Manuel de Carvalho, no alto do morro do Barro Vermelho, só havia três casas, a de Carlos e Ângela Salazar, a de Jônice e Ilsa Tristão e a de Paulo e Ângela Oliveira Santos. E acho que naquela época a rua nem tinha esse nome ainda. Acho que não tinha nome nenhum. Não carecia porque já naquela época, em Vitória valiam mais as referências do que os nomes das ruas. E na Praia do Canto todo mundo se conhecia e sabia onde ficava a casa de cada um. Seja como for, a quarta casa no que veio a ser a Rua João Manuel de Carvalho foi a casa de Victor e Branca Santos Neves, a casa de madeira onde ia quase todo mundo que morava em Vitória e que gostava de fazer música, pintura, teatro e dança. Todo mundo que gostava de conversar sobre política, literatura e cinema e de encontrar quem gostava também. Ia lá todo mundo que gostava de Branca Santos Neves. E foram muitos.

 

A casa do morro era de bom tamanho, com três salas, três quartos, três banheiros, um escritório que também servia de suíte para hóspede – era uma casa hospitaleira, com certeza – cozinha, varanda e um quintal grande, que rodeava a casa toda. No início, não tinha muro. Não era necessário. A Praia do Canto era um bairro calmo e tranquilo, e mais ainda o morro do Barro Vermelho e suas poucas casas – naquela época o Barro Vermelho era um pedaço da Praia do Canto e não um novo bairro, mais abrangente, como é hoje.

Era uma casa decorada de maneira comportada e eficiente, senão austera pelo menos sóbria, de acordo com o que devia ser as casas das famílias tradicionais. Aos poucos foi mudando, acompanhado novos interesses e gostos de Branca. Para mim, um dos primeiros sinais da mudança foi na parede do fundo da sala maior, que ganhou um pôster imenso de Caetano Veloso, da época que ele lançou “Transa”, o disco objeto que ela ouviu, ouviu e ouviu.

Minha mãe gostava tanto de Caetano, que chegou a me assustar.

– Você não sabe o que me aconteceu – disse nervosa e esbaforida ao telefone.

Pensei logo em coisa ruim, tamanha era a sua aflição. E afinal, estávamos no Rio de Janeiro dos anos 80, época em que a cidade já era sinônimo de beleza e violência.

– Encontrei Caetano – disse ela eufórica, quase sufocada.

Depois, mais calma, contou tê-lo encontrado por acaso numa livraria do Leblon. Ficou muda. Caetano percebeu a admiração e a timidez e generosamente puxou uma conversa breve, banal, gentil. Algo sobre livros ou talvez sobre o tempo. Não importa, o fato é que ela sentiu uma emoção imensa e como uma adolescente que às vezes parecia ser, disse que nunca mais lavaria a mão que foi tocada pela mão de Caetano na despedida. O amor [ficou] mais firme do que quando começou.

Branca ouviu todos os discos de Caetano. Só parou de ouvir quando foi deixando de lembrar.

 

A propósito, além de ser minha mãe, Branca Santos Neves foi atriz, bailarina, cronista, curiosa, animada, de muitos amigos e dona de uma casa sempre cheia de gente e movimentos.

 

                                                                                             Continua...

Daqui por diante sigo essas histórias pela minha memória e pela lembrança dos amigos, das pessoas que conviveram com ela e que são também protagonistas das histórias que virão. Histórias de gente interessante em Vitória.

 

 

Novos rumos ou em busca do tempo passado

Neste quase um ano do blog Flânerie foquei a cidade e principalmente o centro da cidade de Vitória. Foram crônicas e reportagens, sobretudo reportagens, que me exigiram tempo que agora não tenho tido mais. Outras tarefas e necessidades mais urgentes estão a me tirar o tempo necessário às apurações e levantamentos necessários às reportagens. Além do mais, os temas de que tratei em muitos post, sobretudo temas culturais, passaram a ser matéria, boa matéria, de outras editorias deste jornal que me acolhe. Mas isso talvez seja mero pretexto meu, pois pretendo continuar conversando – entrevistando? – pessoas. Pessoas que vão me ajudar a contar memórias e histórias de Vitória.

Então, não estou abrindo mão do blog, pois gosto de pesquisa (reportagem) e escrita. O que preciso é conciliar meu tempo com meu gosto. E farei isso mudando o foco do blog, das atualidades da cidade para a memória de quem conta história desta cidade. Uma memória que é também minha (o que me facilita o trabalho), mas não só.

E vou recomeçar retomando uma ideia guardada que é tratar da memória de quem tem história nessa cidade. Vou falar das memórias e dos amigos de Branca Santos Neves, minha mãe. Vou falar dela e com ela falar da cidade de Vitória.

E começo logo mais, no post que segue, flanando por um tempo passado. Um post que é, sobretudo, uma homenagem a elas, Branca e a cidade.

Vitória no centro: muita bunda e pouco busto

Vitória no centro: muita bunda e pouco busto

Na praça arborizada, eles mantêm o olhar firme. São cinco pares de olhos petrificados em rostos cujos semblantes expressam orgulho e autoridade e parecem mirar a eternidade. Nenhum deles encara o observador na praça. Têm os olhos elevados pelo pedestal e as vistas distantes que miram para além da praça, como contemplando um futuro que não viram.   São vultos de personalidades capixabas entronizados em bustos de bronze como forma de homenagem. Têm todos a mesma altura, mas não se sabe se a mesma estatura histórica. Quem sabe? As pessoas na praça simplesmente os ignoram.

Aliás, quem seria capaz de dizer de quem são aqueles bustos de perfis severos que contornam a Praça Costa Pereira, no centro da cidade? Pois para quem nunca prestou atenção, lá estão homenageados em pedra e bronze cinco homens que ajudaram a forjar a cidade de Vitória e o estado do Espírito Santo. Cinco governadores (ou presidentes da então província) que em seu tempo comandaram o poder político e os destinos de estado, da cidade e os contornos do próprio centro da capital, que guarda testemunho, em forma de arquitetura e urbanismo, da passagem de cada um deles.  Os cinco bustos personificam Afonso Cláudio, Muniz Freire, Jerônimo Monteiro, Florentino Avidos e aquele que dá nome ao logradouro, José Fernandes da Costa Pereira Júnior, que quando governou a província, ainda no tempo do império, mandou aterrar a enseada onde é hoje a praça.

A Praça Costa Pereira, a propósito, é o local no centro histórico de Vitória que concentra o maior número de monumentos em forma de escultura que homenageiam nossos vultos. Fora dali, há poucos bustos, pois apesar de histórico, o centro não é de muitas homenagens. Mesmo na cidade alta, lugar de muita história e dos palacetes que sediam ou já sediaram o poder no estado, há apenas um homenageado. Domingos José Martins, o revolucionário, tem busto exibido em frente à sede do Instituto dos Advogados do Espírito Santo, próximo ao Palácio Anchieta. Mais abaixo, na Praça Ubaldo Ramalhete Maia, entre as Ruas Sete de Setembro e Treze de Maio, há dois bustos que lembram o interventor federal que dá nome à praça e outro em homenagem a um forasteiro, o médico paulista Euryclides de Jesus Zerbini, reconhecido por ter realizado o quinto transplante de coração do mundo, o primeiro do Brasil.

De corpo inteiro

Doutor Zerbini é uma das poucas figuras que não têm relação direta com a história do estado, mas que mereceram ser lembrados no centro histórico. Os outros são o Papa Pio XII, com monumento na praça que fica em frente à agência central do Banco do Brasil, e Getúlio Vargas, na praça de mesmo nome, na Avenida Beira Mar. Apenas esses dois ganharam homenagem de corpo inteiro. Aos demais coube apenas um corpo estranho, formado por cabeças que mostram rostos austeros, ombros que sugerem ternos de bom valor e um pedestal alto que substitui o corpo ausente de pessoas já falecidas, pois claro, busto em praça só merece quem já morreu.

Em partes

Nada austeros em comparação aos bustos de nossos vultos, mas talvez mais estranhos, são os corpos dos manequins expostos nas vitrines e nas calçadas das muitas lojas de roupas da Avenida Jerônimo Monteiro e das ruas Sete de Setembro e Treze de Maio. São corpos esquartejados, que nem sempre têm rostos e exibem apenas a parte do corpo em que se veste o produto à venda. São troncos sem membros que vestem camisas, quadris e pernas que vestem calças, pés que calçam meias e bundas só de calcinhas. São como monumentos efêmeros que mudam de roupa ao sabor das modas e das estações e que são olhados e tocados por gente interessada pelos preços mais em conta do comércio do centro da cidade.

São corpos estranhos que não homenageiam alguém em especial, mas quem se importa?

Bundas

Manequins na Avenida Jerônimo Monteiro

III FLIC: resistência e insistência na promoção da arte e da cultura do Espírito Santo

III FLIC: resistência e insistência na promoção da arte e da cultura do Espírito Santo

O post da semana está sendo publicado com um atraso proposital, para dar tempo de acompanhar a abertura da III Feira Capixaba do Livro que começou ontem, quarta-feira, 10 de maio, e segue até domingo, 15, na Fábrica de Ideias, em Jucutuquara. Com programação diversa, o objetivo da Feira é aproximar autores e leitores e formar público para a literatura de uma maneira geral, e para a literatura produzida no Espírito Santo, em particular. O cardápio é vasto como é propósito de uma feira. Mas o primeiro dia serviu para dar uma ideia dos dilemas e desafios que envolvem a produção literária no Espírito Santo. Serviu também para uma constatação: a necessidade de afirmar a cultura do capixaba não só no país, mas no próprio estado. “Precisamos fazer o nosso lugar, senão não existiremos” como colocou Rogério Borges, secretário de Cultura da Ufes, na primeira mesa de debates da Feira, sobre a necessidade de apoiar iniciativas que incentivem a difusão e o reconhecimento da expressão cultural do Espírito Santo, aqui e acolá.

Esta foi a principal questão colocada no primeiro dia do evento. E não é uma questão pequena, pois diz respeito à própria realização da Feira, que persiste numa terceira edição pela insistência, dedicação e idealismo de suas organizadoras, Regina Menezes, Esther Abreu e Suzi Nunes, que com pouco apoio e sem nenhum patrocínio, conseguem de novo atrair e reunir atores importantes no cenário cultural e literário capixaba com a disposição de debater, palestrar, bater papo, expor obras e entreter com literatura e arte o público que comparecer à Fábrica de ideias neste fim de semana.

Não é pouca coisa num país que lê pouco, num estado pouco expressivo no cenário nacional e sem o interesse e a atração de patrocínio público e privado, mesmo com o evento tendo sido aprovado na Lei Rouanet e apto para captação recursos. Não é pouco coisa num país deficiente em educação e de baixo consumo cultural. “Em nosso estado há uma vasta produção não só literária, mas artística de uma maneira geral, mas que é pouco conhecida pelo próprio capixaba”, diz Regina, que acredita que o papel da Feira é justamente dar visibilidade à literatura e arte produzida em todo o estado do Espírito Santo, além de debater o papel dos agentes na promoção da cultura capixaba.

Entraves e desafios da comercialização

Uma das questões mais urgente diz respeito à comercialização de obras de autores do estado. Como boa parte da literatura aqui produzida é publicada via incentivo fiscal ou apoio de órgãos governamentais, cria-se uma dificuldade de comercialização de livros por livrarias, já que estas não podem emitir nota fiscal, uma vez que a edição das obras é isenta de impostos. “Este é um problema que estamos levando à secretaria estadual de Fazenda e à Assembleia Legislativa, de forma que possamos pensar uma solução a este entrave e assim possibilitar colocar nossos livros à disposição de um público mais amplo” e não só aquele que frequenta bibliotecas públicas, o destino final da maioria da literatura produzida aqui, informa Regina.

E boa literatura e bons autores é o que não tem faltado no estado. Desde que foram lançados em 2009, os editais da Secretaria de Estado da Cultura permitiram a edição de 99 obras de autores novos ou reeditados, como informou o subsecretário de cultura do estado, José Roberto Santos Neves.

Outro desafio é sensibilizar as prefeituras municipais para apoiar a ampliar a participação de autores locais. Para dar conta do propósito, as organizadoras percorreram mais de vinte municípios capixabas promovendo uma prévia local da Flic, de forma a atrair público e autores locais para o evento principal que ocorre agora na Fábrica de Ideais. Nestas andanças pelo estado, bancada pelas próprias organizadoras, sobressai, sobretudo, o apoio das academias de letras municipais que não só acolhem o evento localmente, mas participam efetivamente da programação em Vitória. Este ano, por exemplo, participam da Feira as academias de letras de Vitória, Vila Velha, Castelo, Marataízes, São Mateus, São José do Calçado, Iúna e Aracruz.

“Nosso trabalho é um trabalho de formiguinha, porque acreditamos que fazemos boa literatura no Espírito Santo”, diz Regina, que assim como os demais participantes, estão na Flic por questão e vontade própria, isto é, voluntariamente.

Novos apoios

Apesar das dificuldades apontadas, algumas instituições do estado mostram interesse em apoiar a permanência do evento no calendário cultural do estado. A participação de representantes de órgãos de governo do estado e dos municípios tem apontado neste sentido. Segundo Regina, o Banestes e o Sicoob já manifestaram interesse em apoiar a próxima edição, que pode ocorrer no campus da Ufes em Goiabeiras, segundo Rogério Borges. “Podemos oferecer toda uma infraestrutura para receber a Feira, que poderá usufruir dos auditórios, teatro, cinema e salas que a universidade dispõe”.

Vale informar que a terceira edição da Flic é uma realização da Academia Espiritosantense de Letras, Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e da Academia Feminina Espirtosantense de Letras, com apoio da Prefeitura Municipal de Vitória.

Programação

Para que estiver interessado, segue link com a programação completa da III Feira Literária Capixaba:

http://media.wix.com/ugd/2d94ae_eaa1b00d4ce14a6a9b2d1335aa5242e6.pdf

Mudando de ares porque Vitória também é mar

Mudando de ares porque Vitória também é mar

 

Dois amigos conversam na sede da Escola Náutica Capixaba. É segunda-feira, dois de maio, e o céu e o mar estão claros, azuis. Sopra uma brisa leve de vento sul e faz um dia lindo. Enquanto esperam a hora de entrar no mar, comentam a decisão da Ufes de aderir ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) como forma de acesso aos seus cursos. Um deles comenta que a decisão poderá aumentar em muito a cobiça por uma vaga na nossa única universidade pública por estudantes de outros estados. Ele explica a razão: “quem não gostaria de viver em Vitória?” Pode até ser, e possivelmente é, que muitas pessoas, moradoras ou forasteiras, tenham dúvidas quanto às virtudes de viver ou estar na cidade. Mas pergunte a um velejador e ele provavelmente dirá: “quem não gostaria?”

Vitória situa-se a 20°19’09’ de latitude sul e a 40°20’50’ de longitude oeste no hemisfério sul, entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio, tendo a leste o oceano Atlântico. Por ser a maior parte ilha, Vitória é contornada por mar. Sua posição na terra, sua geografia, o recorte de seu relevo conferem à cidade uma fama justa. Vitória é uma cidade de bons ventos.

Ventória, a cidade dos ventos

A qualidade do vento em Vitória é assim explicada por um dos mais destacados velejadores capixabas. Segundo Ricardo Conde, bicampeão mundial de Windsurf, esporte que exige grande conhecimento de causa, os ventos em Vitória sopram, sobretudo, nos quadrantes Nordeste e Sul, sendo o primeiro predominante. Conde descreve assim as características de nossos ventos:

“Pela manhã, o vento sopra mais ao norte e vai girando até por volta das 11 horas, quando praticamente para por 20 a 30 minutos e aí encaixa no quadrante nordeste e sopra com força.” Ele informa que nordeste é mais forte no período de janeiro e fevereiro (média de 12 a 20 nós) e principalmente em agosto e setembro ( média de 17 a 25 nós com dias que podem alcançar 30 nós). Quanto ao vento sul, Conde explica que por não ser um vento térmico, pode soprar a qualquer hora do dia. “Geralmente dura três dias e pode variar de uma brisa suave a ventos de até 25 nós. É um vento constante e mais frio.”

“É raro o dia que não venta em Vitória”, completa Edmar Zouain Campos, que está à frente da Escola Náutica Capixaba, que tem sede na enseada da Curva da Jurema, de frente para a Ilha do Frade.

Camburi

As características de nossos ventos fazem da cidade um bom lugar para a prática de várias modalidades de esportes do mar. As brisas suaves são propicias às práticas menos radicais, como caiaques e stand up. A curva da Jurema é lugar ideal para essas práticas, pois em geral apresenta um mar liso, de pouca ondulação.

Mas Camburi, nossa praia continental, é a melhor raia do estado, concordam Conde e Edmar. “Principalmente pela formação em enseada, Camburi permite a montagem de várias raias, seja no vento nordeste, seja no vento sul. A raia tem características específicas sem muita interferência de marés, fazendo com que prevaleça a técnica dos velejadores”, diz Conde. “Camburi agrada a gregos e troianos, pois o vento ali é constante e a raia livre, sem tráfego de embarcações,” diz Edmar. “É propícia tanto aos esportes de vela, como o windsurf, kitesurf e regata, quanto às modalidades de canoagem, como a canoa havaiana.”

Velejar e remar

Edmar explica ainda que os bons ventos fazem do Espírito Santo um celeiro de campeões em diversas modalidades náuticas e de vela. Perguntei o nome de alguns e ele citou vários, como o próprio Conde, Leonardo Venturini, Carlos de Castiglione, Regina Destefani, Renato Araújo, Ricardo Leitão. “Tem muita gente velejando e remando em nossas praias e competindo em mares além.”, diz. E no estado todo tem espaços que oferecem essas práticas não só por esporte, mas também como lazer. Na Escola Náutica Capixaba, por exemplo, é possível alugar caiaques, stand up, barcos à vela, canoas. O preço do aluguel varia de 30 reais, por 40 minutos no mar, a 40 reais, por uma hora. A Escola promove ainda a remada da lua cheia e a remada para ver o sol nascer, que reúne aqueles que gostam de estar no mar à noite ou nas primeiras horas do dia. Afinal, em Vitória, os ventos sempre sopram a favor.

Ao fim da entrevista, Edmar gentilmente me convidou para voltar no dia seguinte para um passeio de caiaque. Pena que na manhã de terça-feira o vento sul entrou forte e fechou o tempo. Mas não esqueci o convite. Aguardo apenas uma brisa suave.

Serviço

Escola Náutica Capixaba (agendamentos):

Página no Facebook: https://www.facebook.com/EscolaNauticaCapixaba/?fref=ts

Telefone de contato: 9998 33604

Nota sobre 23 títulos e um evento

Ontem, no Palácio Anchieta, um público de mais de mil pessoas prestigiou a noite de lançamento dos livros dos autores capixabas contemplados pelos editais da Secretaria de Cultura do Estado, modalidade autor estreante, edição 2014 e 2015.

Mas este post, que será breve, trata mais da cerimônia do que dos livros e seus autores, que estes são 23 e não caberiam no tamanho adequado (ou recomendado) de um texto para blog. Mas como este é um bom assunto, alguns deles – livro e autor – poderão ser comparecer aqui nesta tela futuramente.

A nota ruim

Então, a cerimônia.

Dados os pronunciamentos de praxe das autoridades, o público de mais de mil pessoas foi demasiado, uma vez que a ideia era que cada um autografasse os exemplares de seus livros. Uma ideia até simpática, mas que se mostrou se não impraticável, pelo menos nada eficiente. Ficou nítido o incômodo e a tensão dos autores com tanta gente em volta das mesas ávidas por um exemplar e uma dedicatória. Faltou livro, faltou um pouco mais de organização.

Nem todos ali presentes conseguiram obter os exemplares. Eu até dei sorte. Consegui exemplares de dez títulos lançados ou relançados na noite, sem contar “Chorume”, que por antecipação já havia recebido das mãos do autor, Tiago Zanoli. Melhor seria ter mantido a logística das cerimônias anteriores de distribuir kits em sacolas com um exemplar de cada título. Quem se interessasse que buscasse depois o autor e a dedicatória.

A nota boa

A nota boa da noite foi ver um público de fato interessado e descontraído circulando pelo Salão São Tiago para prestigiar a nova literatura capixaba – aliás, a nova e a mais antiga, já que foram lançadas novas edições de livros de Fernando Tatagiba, Amylton de Almeida e Deny Gomes, autores reconhecidos das letras capixabas.

E a nota ainda melhor é saber que aqui na terra capixaba temos autores fazendo boa literatura, autores que merecem ser lidos.

Homenagem a Sérgio Sampaio reafirma a Rua Gama Rosa como de novo point da balada noturna da capital

A Rua Gama Rosa tomou forma a partir da década de 1920, quando casas e sobrados foram construídas ao longo de sua via para dar moradia aos funcionários públicos. Muitos anos depois, quando o centro se tornou o principal eixo comercial da cidade, passou a ser endereço de boas lojas e boutiques. A partir da década de 1980, as lojas foram fechando e a rua foi tomada por sede de sindicatos e viu fechar o lendário Britz Bar, quando o comércio e o próprio bairro decaíam. Mas atualmente, a rua tem estado movimentada e experimenta uma nova vibe desde que, há cerca de quatro anos, novos bares ali se instalaram. Casa de Bamba, Doca 183 e Grapino Rango Bar, as três casas vêm fazendo da Gama Rosa um novo point, ou de novo point, de balada noturna da capital.

Na noite de ontem, por exemplo, as casas compartilharam público que foi prestigiar os músicos que se apresentaram simultaneamente nas três como parte do X Festival Sérgio Sampaio. Na homenagem ao cantor e compositor capixaba, o movimento da rua fez lembrar os tempos do Britz, que ficava na esquina da Gama Rosa com a Rua Treze de Maio, cerca de 100 metros depois do epicentro atual, mais no meio da rua, literalmente. Ontem, as calçadas ficaram apertadas para tanta gente circulando, papeando e curtindo novas versões da música do “velho bandido” e a noite de terça-feira. Sobrou gente até para a Sorveteria Mammi’s, que não fazia parte do pool do evento, mas aproveitou bem o movimento da rua. Estava cheia.

Uma rua pedestre

Não é a primeira vez que as casas da Gama Rosa compartilham evento e público. Tem sido assim desde quando ocorreu ali, no ano passado, o Projeto Sonzêra, com apresentação e exibição de vídeos de músicos que fazem a cena atual da produção musical capixaba; tem sido assim no carnaval, quando a rua serve de passarela aos novos blocos que surgem no centro da cidade; foi assim quando a Gama Rosa fez parte da programação do Festival Reconecta, ocorrido na primeira semana de março, como o evento “Não pare de dançar”; é assim na festa de fim de ano que as casas da rua promovem conjuntamente.

Tanta festa e tanta gente reunida sinalizam a vocação baladeira que as três casas imprimiram à rua e pode sugerir que a Gama Rosa é mais pedestre que dos automóveis. Pelos menos à noite. Muitos dos que estiveram lá ontem vieram do Sesc Glória, onde rolaram seminários para discutir a obra e o legado de Sampaio. Mas outros nem estiveram lá, foram direto para a Gama Rosa.

A constatação vem a propósito. Na edição de domingo do jornal “A Tribuna”, arquitetos e urbanistas discutiram e sugeriram novos usos para ruas do centro da cidade. A Gama Rosa foi apontada como uma rua com vocação para o lazer e a vida noturna. Foi sugerido mesmo que a rua seja fechada para o tráfego de veículos e seja destinada apenas ao tráfego pedestre. Uma rua de lazer 24 horas, como em Curitiba. Uma boa ideia para requalificar a rua e incrementar negócios e a economia do centro da cidade, estimulando novos investidores e empreendedores. Afinal, o centro tem se mostrado receptivo a eventos e iniciativas que unem cultura, lazer, diversão, como a Virada Cultural, o Dia do Samba e o carnaval que renasce em suas ruas.

Seria também uma forma de reconhecer e apoiar o esforço de empreendedores individuais que apostaram no bairro e vem incrementando o lugar de maneira muito mais eficaz que os mil projetos feitos e nunca realizados de revitalização do centro da cidade.

Fica a dica.

Gama Rosa

CHORUME, primeiro romance de Tiago Zanoli. Para ler e cheirar.

CHORUME, primeiro romance de Tiago Zanoli. Para ler e cheirar.

 

Ele é fotógrafo e jornalista, apesar de dizer que desta última atividade já estar recuperado. Tiago Zanoli tem 37 anos e é escritor. Também. Na verdade, ser escritor foi o que desejou desde sempre. Desejo realizado na forma do romance novela “Chorume”, seu primeiro livro, lançado recentemente e que ele distribuiu a amigos e interessados na noite de ontem, na calçada do Grapino Rango Bar, na Rua Gama Rosa, centro.

“É um livro para cheirar”, diz o autor. E é o que o título e a capa sugerem, mas tem a ver também com a vida do personagem, “um cara escroto”, como Tiago o definiu na dedicatória que escreveu no meu exemplar, movido a pó, álcool, sexo e contravenção e que narra sua saga em primeira pessoa. É uma saga vertiginosa de um personagem sem nome, mas cheio de ação, desejo e vacilo, como pode ser sentido já nas primeiras páginas do primeiro capítulo, intitulado “cheirações de narizinho”, a propósito. Mais eu não conto e nem posso, pois ainda não terminei de ler o meu exemplar.

O processo de criação

A inspiração para o primeiro romance veio exatamente do rastro de cheiro deixado pela passagem do caminhão de lixo. Veio de um episódio que ele levou para o livro e para o personagem. Veio de uma manhã em que Tiago foi despertado pelo suor do lixo [que] escorreu e se entranhou na rua, deixando no ar, por horas, seu desagradável perfume. “A palavra chorume ficou em minha cabeça e foi a partir dela que criei história e personagens”, diz. É assim que Tiago cria, a partir das vivências da rua, dos bares, dos bêbados, “da conversa com o flanelinha que te fila um cigarro”. A rua é o seu motivo e inspiração. A rua e a contravenção.

A princípio o livro teria a forma de contos. Mas por sugestão do amigo e escritor Saulo Ribeiro, que achou que a história caberia melhor como novela e não dispersa em contos, transformou-se em um romance de 110 páginas. As dicas de Marcelino Freire dadas durante oficina literária na Ufes, também ajudaram Tiago a lapidar o texto do romance. E as leituras de autores como Reinaldo Moraes, autor de “Pornopopéia”, e Lourenço Mutarelli, que escreveu “O cheiro do ralo”, o inspiraram. Henry Miller e Rubem Fonseca também. E Reinaldo Santos Neves, que ele entrevistou quando repórter do 2º Caderno de A Gazeta e que considera um dos maiores autores brasileiro.

Em obra: novos projetos, novas escrituras

A criação de Chorume foi possível depois que o projeto do livro foi aprovado em edital da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES) de 2014. Dos mil exemplares impressos, 600 serão distribuídos em bibliotecas públicas e em bibliotecas de escolas públicas do estado. Outros 200 serão distribuídos em evento da Secult, a ser realizado ainda este mês provavelmente, e outros 200 estão sendo distribuídos pelo próprio autor, como ocorreu na noite de ontem.

Atualmente Tiago Zanoli está ocupado em escreve um roteiro para filme de longa metragem com o cineasta Edson Ferreira, diretor de “Entreturnos”. Será mais um projeto seu contemplado por edital da Secult. E faz anotações para um livro de contos e um romance. A alma e o perfil dos personagens estão sendo organizados em pastas, onde ele guarda ideias e inspirações. Alguns sobreviverão, outros não. É assim que ele cria.