Os circuitos que fazem acontecer a cena da música independente no Brasil e no ES

Os circuitos que fazem acontecer a cena da música independente no Brasil e no ES

 

Dos eventos realizados no Festival Reconecta com objetivo de pensar e refletir sobre cultura e a produção cultural contemporânea, os convidados que formaram a mesa do “Seminário da Música – Novas pautas e desejos”, realizado no dia 4 de março, nos jardins do Solar Monjardim, abordaram, sobretudo, o papel das tecnologias da informação na difusão, divulgação e distribuição de música. A questão é pertinente e atualíssima e ao mesmo tempo apresenta-se como um desafio. Se por um lado a internet facilitou a interação entre artista, produtores e público, por outro lado é um ambiente altamente pulverizado, onde há muita gente, boa ou ruim, atuando e buscando atenção e destaque. Entender este novo mundo e saber atuar nele e ao mesmo tempo construir circuitos alternativos de apresentação foram as questões que marcaram o debate entre os quatros participantes da mesa e destes com o público presente.

Uma das dificuldades que mais afetam o e reconhecimento do trabalho de bandas e músicos é, sobretudo, a falta de espaço para a apresentação. Essa é uma realidade conhecida por músicos capixabas como Gil Mello, que resolveu transformar sua própria moradia em casa de show e centro cultural. Há sete meses ele e o sócio, Heitor Riguette, abriram, no centro da cidade, a Casa Verde, um espaço alternativo que recebe de bandas e músicos daqui e de fora. Essa tem sido uma estratégia seguida por produtores e músicos que buscam criar outros circuitos de shows e também de contato com artistas de outros estados. “É uma forma que buscamos de dar relevância ao trabalho do artista. Se não há lugar para se apresentar, não há como ser visto e conhecido,” disse Gil, que acrescentou: “não quero desmerecer os bares com música ao vivo, mas espaços como o que criamos tem outra vibe que permitem troca e convivência entre os músicos e atrai um público que vem em função do show do artista.”

A cena alternativa

Criar espaço para que a arte circule e aconteça foi a estratégia buscada também pela produtora Mariana Fagundes, que participa do Coletivo Casinha, um espaço do circuito alternativo em Campos, estado do Rio. Desde que começou a funcionar, a sede do coletivo tem atraído músicos e um público considerável para os shows que são realizados lá. “Fomos surpreendido, o que mostra que há demanda dos artistas e há um público ávido por novidade e pelo som da música que não é tocada na rádio”, disse.

Mariana agora estará à frente da produção de mais uma edição na cidade do “Grito do Rock”, festival criado pelo coletivo Fora do Eixo em colaboração com produtores das cidades onde o evento ocorre e que hoje é uma das maiores referências no circuito musical alternativo do país. A curadoria dos eventos locais é realizada pelos produtores através da internet, pelo site Toque Brasil, rede de música brasileira que conecta bandas, músicos e produtores através de uma plataforma que reúne eventos, projetos e festivais. “A internet é fundamental para a divulgação e distribuição da produção musical hoje. Tem sido pela rede que conhecemos e convidamos artistas e bandas para os eventos que realizamos”, disse Mariana. “No interior do país é o que funciona para a produção de eventos e na divulgação do artistas.”

Circuitos on line

Foi com o propósito de ajudar a divulgar o trabalho de músicos que vêm construindo a cena alternativa da música no Brasil que Josué Veloso, produtor em Recife, Pernambuco, criou a página “Brasileiríssima”, no Facebook, para compartilhar música e abrir espaço de divulgação para bandas e músicos que buscam um lugar ao sol no mercado musical do país. “No início, muita gente achou que não ia dar certo, mas o resultado tem sido surpreendente. Temos sete milhões de seguidores.” A repercussão da página levou à criação do site Brasileiríssimo, que chega a recebe cerca de 700 emails por semana com trabalhos de artistas de todas as partes do país. “A seleção e curadoria dos eventos que participamos é feita com base no perfil das bandas. Buscamos aquelas que têm a ver com a vibe desses festivais.”

São festivais como o Grito do Rock, que acontece em vários pontos do país, e eventos locais como o Bananada, em Goiânia, o Festival do Sol, em Natal, o Infinitas e eventos produzidos pelo coletivo Expurgação, em Vitória, que dão visibilidade para além da rede e da internet. E tem diversos outros eventos, como atesta Gil Mello, nas capitais e cidades do interior do país. “Há muita gente circulando e fazendo a cena independente e um público surpreendente.” São estes circuitos, reais e virtuais, que têm propiciado o aparecimento de novidades e fenômenos como Liniker, o cantor paulista que estourou para o Brasil a partir da rede social e que fechou o Festival Reconecta com um show que pôs um público de três mil pessoas para cantar e dançar da primeira à última música.

 

Links para as páginas dos espaços citados

Brasileiríssimos                                                                       http://brasileirissimos.xpg.uol.com.br/                https://www.facebook.com/br4sileirissimos/info/?tab=page_info

Grito do Rock                                                                                                                 http://gritorock.org

Toque Brasil                                                                                                                  http://tnb.art.br/universo

Casa Verde                                                                     https://www.facebook.com/casaverdesubtropico/?fref=ts

 Casinha                                                                                           https://www.facebook.com/casinha360/?fref=ts

 

Na foto: da esquerda para a direita: o mediador Vitor Lopes (Lab. Muy), Gil Mello, Lívia Egger (produtora), Josué Veloso e Mariana Fagundes