Vitória no centro: muita bunda e pouco busto

Vitória no centro: muita bunda e pouco busto

Na praça arborizada, eles mantêm o olhar firme. São cinco pares de olhos petrificados em rostos cujos semblantes expressam orgulho e autoridade e parecem mirar a eternidade. Nenhum deles encara o observador na praça. Têm os olhos elevados pelo pedestal e as vistas distantes que miram para além da praça, como contemplando um futuro que não viram.   São vultos de personalidades capixabas entronizados em bustos de bronze como forma de homenagem. Têm todos a mesma altura, mas não se sabe se a mesma estatura histórica. Quem sabe? As pessoas na praça simplesmente os ignoram.

Aliás, quem seria capaz de dizer de quem são aqueles bustos de perfis severos que contornam a Praça Costa Pereira, no centro da cidade? Pois para quem nunca prestou atenção, lá estão homenageados em pedra e bronze cinco homens que ajudaram a forjar a cidade de Vitória e o estado do Espírito Santo. Cinco governadores (ou presidentes da então província) que em seu tempo comandaram o poder político e os destinos de estado, da cidade e os contornos do próprio centro da capital, que guarda testemunho, em forma de arquitetura e urbanismo, da passagem de cada um deles.  Os cinco bustos personificam Afonso Cláudio, Muniz Freire, Jerônimo Monteiro, Florentino Avidos e aquele que dá nome ao logradouro, José Fernandes da Costa Pereira Júnior, que quando governou a província, ainda no tempo do império, mandou aterrar a enseada onde é hoje a praça.

A Praça Costa Pereira, a propósito, é o local no centro histórico de Vitória que concentra o maior número de monumentos em forma de escultura que homenageiam nossos vultos. Fora dali, há poucos bustos, pois apesar de histórico, o centro não é de muitas homenagens. Mesmo na cidade alta, lugar de muita história e dos palacetes que sediam ou já sediaram o poder no estado, há apenas um homenageado. Domingos José Martins, o revolucionário, tem busto exibido em frente à sede do Instituto dos Advogados do Espírito Santo, próximo ao Palácio Anchieta. Mais abaixo, na Praça Ubaldo Ramalhete Maia, entre as Ruas Sete de Setembro e Treze de Maio, há dois bustos que lembram o interventor federal que dá nome à praça e outro em homenagem a um forasteiro, o médico paulista Euryclides de Jesus Zerbini, reconhecido por ter realizado o quinto transplante de coração do mundo, o primeiro do Brasil.

De corpo inteiro

Doutor Zerbini é uma das poucas figuras que não têm relação direta com a história do estado, mas que mereceram ser lembrados no centro histórico. Os outros são o Papa Pio XII, com monumento na praça que fica em frente à agência central do Banco do Brasil, e Getúlio Vargas, na praça de mesmo nome, na Avenida Beira Mar. Apenas esses dois ganharam homenagem de corpo inteiro. Aos demais coube apenas um corpo estranho, formado por cabeças que mostram rostos austeros, ombros que sugerem ternos de bom valor e um pedestal alto que substitui o corpo ausente de pessoas já falecidas, pois claro, busto em praça só merece quem já morreu.

Em partes

Nada austeros em comparação aos bustos de nossos vultos, mas talvez mais estranhos, são os corpos dos manequins expostos nas vitrines e nas calçadas das muitas lojas de roupas da Avenida Jerônimo Monteiro e das ruas Sete de Setembro e Treze de Maio. São corpos esquartejados, que nem sempre têm rostos e exibem apenas a parte do corpo em que se veste o produto à venda. São troncos sem membros que vestem camisas, quadris e pernas que vestem calças, pés que calçam meias e bundas só de calcinhas. São como monumentos efêmeros que mudam de roupa ao sabor das modas e das estações e que são olhados e tocados por gente interessada pelos preços mais em conta do comércio do centro da cidade.

São corpos estranhos que não homenageiam alguém em especial, mas quem se importa?

Bundas

Manequins na Avenida Jerônimo Monteiro

Homenagem a Sérgio Sampaio reafirma a Rua Gama Rosa como de novo point da balada noturna da capital

A Rua Gama Rosa tomou forma a partir da década de 1920, quando casas e sobrados foram construídas ao longo de sua via para dar moradia aos funcionários públicos. Muitos anos depois, quando o centro se tornou o principal eixo comercial da cidade, passou a ser endereço de boas lojas e boutiques. A partir da década de 1980, as lojas foram fechando e a rua foi tomada por sede de sindicatos e viu fechar o lendário Britz Bar, quando o comércio e o próprio bairro decaíam. Mas atualmente, a rua tem estado movimentada e experimenta uma nova vibe desde que, há cerca de quatro anos, novos bares ali se instalaram. Casa de Bamba, Doca 183 e Grapino Rango Bar, as três casas vêm fazendo da Gama Rosa um novo point, ou de novo point, de balada noturna da capital.

Na noite de ontem, por exemplo, as casas compartilharam público que foi prestigiar os músicos que se apresentaram simultaneamente nas três como parte do X Festival Sérgio Sampaio. Na homenagem ao cantor e compositor capixaba, o movimento da rua fez lembrar os tempos do Britz, que ficava na esquina da Gama Rosa com a Rua Treze de Maio, cerca de 100 metros depois do epicentro atual, mais no meio da rua, literalmente. Ontem, as calçadas ficaram apertadas para tanta gente circulando, papeando e curtindo novas versões da música do “velho bandido” e a noite de terça-feira. Sobrou gente até para a Sorveteria Mammi’s, que não fazia parte do pool do evento, mas aproveitou bem o movimento da rua. Estava cheia.

Uma rua pedestre

Não é a primeira vez que as casas da Gama Rosa compartilham evento e público. Tem sido assim desde quando ocorreu ali, no ano passado, o Projeto Sonzêra, com apresentação e exibição de vídeos de músicos que fazem a cena atual da produção musical capixaba; tem sido assim no carnaval, quando a rua serve de passarela aos novos blocos que surgem no centro da cidade; foi assim quando a Gama Rosa fez parte da programação do Festival Reconecta, ocorrido na primeira semana de março, como o evento “Não pare de dançar”; é assim na festa de fim de ano que as casas da rua promovem conjuntamente.

Tanta festa e tanta gente reunida sinalizam a vocação baladeira que as três casas imprimiram à rua e pode sugerir que a Gama Rosa é mais pedestre que dos automóveis. Pelos menos à noite. Muitos dos que estiveram lá ontem vieram do Sesc Glória, onde rolaram seminários para discutir a obra e o legado de Sampaio. Mas outros nem estiveram lá, foram direto para a Gama Rosa.

A constatação vem a propósito. Na edição de domingo do jornal “A Tribuna”, arquitetos e urbanistas discutiram e sugeriram novos usos para ruas do centro da cidade. A Gama Rosa foi apontada como uma rua com vocação para o lazer e a vida noturna. Foi sugerido mesmo que a rua seja fechada para o tráfego de veículos e seja destinada apenas ao tráfego pedestre. Uma rua de lazer 24 horas, como em Curitiba. Uma boa ideia para requalificar a rua e incrementar negócios e a economia do centro da cidade, estimulando novos investidores e empreendedores. Afinal, o centro tem se mostrado receptivo a eventos e iniciativas que unem cultura, lazer, diversão, como a Virada Cultural, o Dia do Samba e o carnaval que renasce em suas ruas.

Seria também uma forma de reconhecer e apoiar o esforço de empreendedores individuais que apostaram no bairro e vem incrementando o lugar de maneira muito mais eficaz que os mil projetos feitos e nunca realizados de revitalização do centro da cidade.

Fica a dica.

Gama Rosa

Uma memória, um jornal e a rua – O Diário da Rua Sete

Nestes tempos turbulentos que temos vivido em nosso país em que muito se debate o papel da mídia, me veio à lembrança um jornal. Mas a turbulência atual é apenas um pretexto para começar este texto, pois o jornal de que vou falar nasceu de interesses políticos partidários. E essa não é a história mais interessante deste jornal, mas vale como pretexto. Vale como pretexto ainda porque a sede deste jornal ficava na Rua Sete de Setembro, centro de Vitória, bairro que tem sido meu assunto. Estou me referindo a “O Diário”, “o maior jornal da Rua Sete de Setembro”, com anotou Antônio de Paula Gurgel, na apresentação do livro “O Diário da Rua Sete – 40 versões de uma paixão”.

Pode parece pouco para um jornal, mas naquela época, entre as décadas de 50 e 80, a Rua Sete era o local onde a cidade acontecia. Era a rua das lanchonetes e das boas lojas, a rua em que a Vitória que eu conhecia se encontrava. Aos sábados, principalmente. Isso no tempo em que o centro de Vitória era de fato central para a vida da cidade, bairro que concentrava a maior parte do comércio da capital, dos escritórios e consultórios, das agências bancárias e dos cinemas, quase todos eles –, com exceção do Trianon, que ficava em Jucutuquara, estavam no centro o Juparanã, Odeon, Glória, Vitorinha, Santa Cecília, São Luiz, Paz. Esse era o tempo dos chamados cinemas de rua, aqueles que a gente alcançava a partir da calçada. Não havia shoppings em Vitória. A não ser que se considere o conceito de shopping a céu aberto. Considerando, assim era a Rua Sete e suas adjacências.

A Rua Sete

A Rua Sete era a nossa Rua do Ouvidor tardia. A Rua do Ouvidor, no centro do Rio de Janeiro, para quem não sabe ou lembra, foi a primeira rua do comércio chique do Brasil, frequentada pela elite brasileira na passagem dos séculos XIX e século XX. Como a Gomes Freire em São Paulo hoje, mas sem as marcas internacionais. As marcas da Rua Sete eram locais, construídas pelo esforço de nomes imigrantes que hoje são nomes a muitas das famílias de empreendedores capixabas.

Mas então, no final da Rua Sete, já na parte em que ela é íngreme, ficava a sede de O Diário, que ainda segundo Gurgel, “ocupou uma posição de vanguarda na imprensa capixaba”. Pelas descrições do autor e nos depoimentos de quem passou por sua redação, o Diário era uma escola, um laboratório e, talvez, uma festa. Como não seria uma festa o jornal que nos anos do regime militar e da ditadura se entrincheiraram os jovens que poderiam facilmente atender às três qualidades que significavam a perdição daquela época: maconheiro, veado e comunista, insultos terríveis de então, mas que podiam corresponder perfeitamente a uma boa parte daquela turma? Ser taxado assim foi o suficiente para fazer de todos eles rebeldes com causas, alegres e irreverentes subversivos.

Esse orgulho subversivo era comemorado quase que diariamente no Britz Bar, na Rua Gama Rosa, onde os homens e as mulheres de O Diário se encontravam, além de outros e outras. Onde Vitória falava, fumava e bebia muito. Mas não só a política interessava àquela turma. Jazz e psicanálise, Eros e Tanato, contemplação e viagem, Godard e Ginsberg, Vietnam e Paris, Os Beatles e Os Mutantes. Havia novas propostas acontecendo no mundo, na música, no cinema, na literatura, no teatro, no comportamento, na política. Em todos os sentidos. O mundo explodindo em sete mil cores e revoluções. E foi por aí que minha mãe, Branca Santos Neves, se entendeu com O Diário. Ela teve lá, nos anos 70, uma coluna em que escrevia sobre cinema e literatura.

O Diário existiu, ou sobreviveu, por 25 anos. Nasceu por interesse político partidário, mas se notabilizou por ter sido o lugar de formação de muita gente que se fez no jornalismo capixaba, pela reportagem analítica e por ter sido o primeiro jornal da cidade a adotar a foto-reportagem para informar com imagens os fatos do dia. Coincidentemente, a decadência do jornal veio junto com o período de decadência da Rua Sete como centro comercial da cidade e da própria decadência do bairro que perdeu a centralidade da vida da cidade.

Casa de Bamba e os desafios de empreender no centro da cidade

Casa de Bamba e os desafios de empreender no centro da cidade

 

Já não há mais dúvida que de uns cinco anos para cá o centro histórico de Vitória tem se tornado lugar de movimento cultural e de lazer, sobretudo, a partir da Rua Sete de Setembro. A responsabilidade por isso é atribuída por muito dos frequentadores e moradores do bairro à feira livre de sábado e ao samba da Xepa que acontece nos bares da rua, à Casa de Stael e ao coletivo musical Regional da Nair, que muitas vezes se apresentou no Bar da Zilda, na Rua Maria Saraiva, uma travessa que liga a Rua Graciano Neves à Rua Sete. Mas o reconhecimento é estendido por muitos também à Casa de Bamba, que não está na Rua Sete, mas na Gama Rosa, hoje considerada um das ruas mais interessantes de lazer, entretenimento e movimento cultural de Vitória.

Desde que abriu na rua, no dia 27 de julho de 2012, a Casa de Bamba atraiu e continua atraindo um público não só morador do centro, mas também de outros lugares. A casa faz o estilo boteco pé limpo pelo esmero na decoração dos ambientes – piso e mezanino – e um cardápio que nunca falha, seja na comida e na bebida, seja pela programação musical que prima pelo samba e suas vertentes, afinal é uma casa de bambas. “Nossos clientes vêm de Jacaraípe, de Guarapari, Vila Velha, de toda Vitória“, diz Edit Nunes, sócia da Casa em parceria com o músico Saulo Santos.

O sucesso do lugar acabou estimulando a abertura de outros bares na rua, como o Grapino e o Doca 183, empreendimentos de dois ex-funcionários da Casa. E ao invés de concorrência, a Casa apostou em parcerias e a rua ganhou eventos. “Quando o Doca e o Grapino abriram, pensei que poderíamos trabalhar juntos para criar movimento para nossas casas e para a rua”, diz Edit. Desde então a Gama Rosa ganhou movimento pela iniciativa de produtores que buscam a rua e a parceria dos bares para produzir eventos como o “Não pare de dançar”, realizado dentro do Festival Reconecta e o Projeto Sonzêra, que invadiu a rua e os bares com o som da nova produção musical capixabas. Dos eventos próprios, realizados conjuntamente pelas três casas, estão “Vem que gama”, baile de máscaras que tem contribuído na revitalização do carnaval de rua no centro da cidade; o Gama Verde, inspirado nas festas irlandesas regadas a muito chopp; festa junina e a festa de fim de ano. Em todas estas, o público paga um ingresso e circula livremente pelas casas e pela rua.

Uma aposta no centro e um desafio diário

A Casa de Bamba foi uma aposta de Edit, uma mineira que como muito de seus conterrâneos conheceu o mar no Espírito Santo e aqui criou raízes. Depois foi para a Califórnia, onde morou por dez anos trabalhando em bares e restaurantes e nas diversas funções desse tipo de negócio. Na volta ao Brasil, escolheu Vitória para viver e investir. Pela experiência adquirida lá fora, apostou na área de bar e restaurante e optou pelo centro como endereço do negócio. Então, passou a acompanhar os vários projetos do Poder Público de revitalização do bairro e pensou que este se daria pela ação de empreendedores, ou por gente que gosta de desafios, o caso dela.

Mas não é fácil, admite Edit. O negócio dá empate. “Dá para a gente se sustentar. E só.” Entre as dificuldades apontadas por ela, está o excesso de impostos e exigências que o poder público impõe a quem empreende no Brasil. E às vezes a vizinhança também coloca problema. “Providenciamos tratamento acústico e as reclamações cessaram”. Mas a exigência de adaptação da casa para o público deficiente com a instalação de um elevador é mais complicada. “A casa está em um imóvel tombado e que não tem estrutura para receber um elevador. Estamos num impasse”, queixa-se.

Outra preocupação de Edit e de outros comerciantes do centro da cidade é possibilidade de transferência do Fórum para a Enseada do Suá. Se confirmada a mudança, isso terá um impacto profundo para empreendedores que não vivem apenas da agenda de fim de semana. “Lojas, restaurantes, serviços, tudo perde. Afinal, além do Fórum, temos mais de 160 escritórios de advocacia na região. Com a transferência, haverá uma debandada de clientes”, diz ela, lembrando que a Casa de Bamba funciona como restaurante de segunda a sexta-feira no horário das 11 às 14 horas.

Em função destas questões, há seis meses os empreendedores da Rua Gama Rosa fundaram a Associação dos Bares, Restaurantes e Lojistas – a “Vai que Gama” para dar maior poder de reivindicação e interlocução junto ao Poder Público. Uma das propostas da Associação é transformar a Gama Rosa numa espécie de “Rua das Flores”, a rua de Curitiba que foi a primeira no país a ser exclusiva de pedestres e estabelecimentos que oferecem comida, diversão e arte 24 horas por dia. “É uma de nossas ideias para permitir melhor retorno a quem investe no centro”, diz Edit. Tomara que os agentes envolvidos consigam soluções que evite que o centro retorne ao ciclo de decadência que viveu por mais de 30 anos e afaste de suas ruas público e empreendedores como Edit.

Casa de Bamba, serviço:

De segunda a sexta-feira, das 11 às 14 horas: almoço self service
De terça a sábado, das 18 horas à meia noite: bar com música ao vivo
Segundo domingo de cada mês, das 12 às 17 horas: feijoada com samba
Endereço na rede: https://www.facebook.com/casadebambavix
Telefone para reservas e informações de programação: (27) 3222 3074

Os alfaiates do centro da cidade e o fim da roupa sob medida

Os alfaiates do centro da cidade e o fim da roupa sob medida

 

Eles contam entre si meia dúzia de profissionais. O mais conhecido, segundo os outros, é Juarez DeMartin, que tem ateliê no décimo andar do Edifício Sarkis, Rua da Alfândega, 22, e que já vestiu sete governadores, assunto que ele não aguenta mais ver mencionado. Nada contra os governadores, mas sim uma profunda desilusão com a profissão e o negócio da alfaiataria, ofício que para ele hoje em dia só tem mais valor que do que o de mecânico de máquina de escrever. “Só eles estão pior que a gente”, diz mal humorado.

Essas impressões nem eram para estar aqui, pois DeMartin se recusou a me dar entrevista. Mas na meia hora que me deu atenção, depois de tentar me colocar para fora de seu ateliê umas três vezes, ele se mostrou eloquente o suficiente para me dar ideia do desânimo que tem experimentado nos últimos anos com a falta de mão de obra competente e a perda da clientela para a impessoalidade do pret a porter, da roupa de loja. Afinal, alfaiataria é uma arte. “Só um alfaiate é capaz de fazer o colarinho certo para pescoço como os de Castelo Branco, João Figueiredo e Marco Maciel”, diz ele se referindo a dois presidentes e um vice-presidente da república de complexões físicas peculiares com a expertise de quem conhece as medidas do poder.

O desgosto de DeMartin é o mesmo de seus colegas José do Egito Flores e Luiz Santini, que também lamentam a perda do bom gosto, do corte perfeito e da paciência do cliente para esperar dez dias, média de tempo necessário ao feitio de um terno na medida certa. Foi o pouco das informações que consegui tirar deles, pois assim como DeMartin, os dois demonstram um imenso desânimo com o ofício e uma impaciência com jornalistas. É compreensível, afinal por que falar de uma profissão que na visão e impressão dos profissionais do centro da cidade está se extinguindo? “Não há mais clientes para a roupa sob medida”, lamenta Santini, que tem ateliê em frente ao de DeMartin, na outra ponta do corredor do décimo andar do Edifício Sarkis e está no ofício desde 1958.

Os alfaiates da Rua Sete – reformas e ajustes

Mas se por um lado há os que se queixam da roupa de loja, é justamente esta que garante a maior parte da clientela de Sebastião Ferreira Lopes e Almir Amorim, alfaiates com ateliês na Rua Sete de Setembro. “Se a roupa é de loja, é quase certo que vai precisar de ajustes, principalmente se a pessoa estiver acima do peso. Comprimentos, frequentemente, também requerem ajustes”, diz Almir, 66 anos, que divide com uma colega costureira ateliê e oficina na Galeria D’Arc quase em frente ao ateliê e oficina de Sebastião, 72, que ocupa uma loja na Galeria Boulevard, do outro lado da rua.

Mas Almir e Sebastião admitem que hoje é raro pedidos para confecção de ternos sob medida, que custam em média mil reais, fora o tecido. A maior demanda é mesmo para serviços de ajuste e reformas. “Um terno de loja pode custar 200 reais e não precisa de tempo de espera para ser adquirido, mas é quase certo que necessitará de ajustes para ficar minimamente adequado”, reforça Sebastião. E é um negócio que parece render bem ou pelo menos razoavelmente.  Almir e Sebastião já foram sócios, tanto que a placa da loja de Sebastião anuncia “Tião e Almir, alfaiates”. Agora cada um tem seu próprio negócio e clientes. E talvez tenham ainda bom futuro. Pelo menos é o que parece para Felipe Augusto, de 23 anos, o mais novo dos 11 filhos de Sebastião e que trabalha com o pai no ateliê oficina da Rua Sete.

Nota de esclarecimento

Juarez DeMartin é um senhor de 82 anos e 60 de uma alfaiataria de qualidade reconhecida pelos seus pares e clientes. E sua antipatia e mau humor são apenas aparentes e para início de conversa. E ele é também um senhor solidário com colegas, tanto que insistiu para que eu fosse procurar Alvinho, que precisa de uma força depois de enfrentar problemas de saúde. Mas Alvinho já não está mais lá no ateliê do Edifício Alexandre Buaiz, na Avenida Florentino Avidos, que está fechado, pois ele já não tem mais condições de atuar.

José do Egito tem 78 anos e ateliê na Rua Duque de Caxias. Sobre Santini, de 76 anos, já disse tudo que pude saber a não ser que ele nunca precisou de óculos para dar conta de seu ofício.

 

Na foto: Sebastião e o filho Rafael Augusto no ateliê da Rua Sete. 

Regional da Nair e o carnaval que volta a tomar as ruas do centro da cidade

Regional da Nair e o carnaval que volta a tomar as ruas do centro da cidade

 

Para quem passa o carnaval em Vitória, dá a impressão de que a folia só acontece nos balneários vizinhos, como Jacaraípe, Manguinhos, Barra do Jucu, Guarapari. Na capital restam os blocos, a maioria pequenos blocos de amigos de bairro animados por batucadas, bandinhas ou carros de som e cerveja, claro, muita cerveja. Mas acontece que de uns quatro, cinco anos para cá, o grupo musical Regional de Nair tem feito renascer o carnaval de rua de Vitória. E isso acontece de novo no centro da cidade, lugar que foi palco do velho e animado carnaval de rua da capital, que andava há tempos esquecido e desaquecido.

Essa foi a impressão que ficou do domingo, 7 de fevereiro, quando o Regional arrastou um público de quase três mil pessoas ao longo da Avenida Jerônimo Monteiro em direção à Praça Costa Pereira e ao som do samba e das marchinhas de carnaval que fazem o repertório do grupo. No meio do público, grupos de palhaços, centuriões romanos, vikings, piratas, borboletas, enfermeiras, Amys Winehouses, pequenos super-heróis – porque havia crianças também – e noivas, muitas noivas de ambos os sexos e todos os gêneros, cada grupo fazendo a sua festa no meio da festa maior que foi o carnaval do Regional.

A praça é do povo. A avenida e a escadaria também    

Na parada final do itinerário, a Escadaria São Diogo serviu de palco para os músicos enquanto a praça serviu à plateia, formada por um mar de gente colorida e animada que cantou e dançou o repertório do grupo com a disposição que deve ter um folião. A cena era de remeter aos velhos carnavais de mascarados da cidade, que quem tem idade pode lembrar, e que também giravam em torno da Praça Costa Pereira e seu entorno. Bonito de ver também a Escadaria São Diogo, construída para dar acesso pedestre à praça embaixo, como palco do samba, da marcha, do Regional e do carnaval que volta a agitar as ruas do centro da cidade.

Não seria exagero prever que o Regional da Nair pode estar trazendo para a cidade a mesma espontaneidade e o mesmo espírito que serviram de inspiração aos blocos que há cerca de 30 anos fizeram renascer o carnaval de rua da cidade do Rio de Janeiro e que vem ocorrendo agora também na cidade de São Paulo – segundo notícias recentes o carnaval de rua na capital paulista surpreendeu. Não em Salvador e Recife, que estas sempre foram firmes mesmo quando o carnaval de rua foi perdendo a animação na maioria das capitais do país há cerca de 40 anos.

Novos blocos, mais carnaval

E não foi só o samba do Regional da Nair que animou o carnaval no centro. Foi com certeza o que atraiu mais foliões. O grupo encerrou seu show no meio do público, mas deixou muita gente ainda circulando pela Praça Costa Pereira e pela Rua Sete e adjacências em busca de outros blocos e mais carnaval. Porque havia. Nos dias de folia, o centro da cidade foi palco de mais e novos grupos que vem se formando no bairro e dando força para animar o carnaval nas suas ruas. É o caso de blocos como os Amigos da Onça, que estreou este ano e já é promessa para o ano que vem, se depender da saudade que já deixou em quem esteve nas imediações do Parque Gruta da Onça na tarde de terça-feira, 9 de fevereiro.

Nota baixa – ambulantes demais, organização de menos

A nota destoante do carnaval de rua do centro da cidade fica por conta do excesso de ambulantes na Praça Costa Pereira e nas ruas do entorno. Todos os dias, camelôs invadiram a praça sem a menor cerimônia ocupando e impedindo calçadas, trechos de rua e apertando o público. Se aumentar a adesão de novos foliões, e a tendência é essa – tomara! –, a praça vai ficar pequena e o risco de desconfortos vai aumentar. Alô prefeitura, basta organizar.

No mais, feliz ano novo.

Fotos: Vânia Nicoli 

Beit Tefilah, a sinagoga que atrai a comunidade judaica para o centro da cidade

Beit Tefilah, a sinagoga que atrai a comunidade judaica para o centro da cidade

 

No centro histórico de Vitória encontram-se igrejas, capelas e conventos, templos religiosos que atestam a prevalência da fé católica na cidade desde o tempo de nossos fundadores. De uns anos para cá, cresceu também, e muito, o número de templos pentecostais ou evangélicos. Na Rua Duque de Caxias, por exemplo, há uma igreja Maranata e uma assembleia de Deus, uma em frente à outra, atraindo gente crente. São quase todos templos voltados à fé cristã, ou assim considerados. Mas se fossemos considerar como Leonardo Gama compreende a sua religião, teríamos mais um templo que também poderia ser considerado cristão. Há dois anos o centro da cidade abriga uma sinagoga, casa que comumente é atribuída ao culto à religião judaica.

Leonardo abre a Bíblia para desfazer a aparente contradição. A justificativa está no Ato dos Apóstolos, 2, v. 6-13, que relata a vinda do Espírito Santo, o Espírito de Deus que se manifesta em todas as línguas e para todos os povos. Isso quer dizer, segundo ele, que à vinda e obra de  Jesus (Yeshua, em hebraico) significou a expansão da fé judaica para o mundo todo e para todas as pessoas. “Cristianismo e judaísmo são uma mesma religião”, conclui. Leonardo e os demais frequentadores da Sinagoga seguem a religião judaica de linha messiânica, isto é, a linha que reconhece em Jesus o Messias e veem nele um seguidor da tradição e fé judaica. “Todo o fundamento da palavra de Cristo está no Torá”, diz ele em referência ao livro sagrado dos judeus e que corresponde ao antigo testamento na Bíblia.

A casa, um sinal

A sinagoga ou Casa de Oração (Beit Tefilah) pertence à Congregação Judaico-Messiânica Rechovot e ocupa o antigo casarão da Ladeira Dom Fernando onde antes funcionava a maternidade Pro Matre, próximo ao Convento de São Francisco, na Cidade Alta. Seu primeiro proprietário foi José Jacob Saad, um libanês de origem judaica, que a fez erguer na primeira metade do século XX. É uma casa imensa, de arquitetura eclética tardia – do tempo em que no centro havia chácaras – e recuperada da ruína e do abandono pela Congregação.  Um bom serviço prestado ao bairro, região onde ainda se veem muitas casas e prédios em abandono e ruína.

Talvez não seja a única sinagoga do estado, é certa na cidade a presença de outras casas voltadas ao culto à religião judaica. Mas possivelmente é a maior e a que atrai um número expressivo de seguidores.Segundo o site da Congregação, seus membros contam 230 pessoas. É um dado surpreendente, visto que o censo do IBGE de 2010 informa que mal chega a 300 o número dos que se declaram judeus na cidade de Vitória. O instituto informa ainda que a fé judaica cresceu 32% entre 2000 e 2010. A julgar pelo número de membros da Casa, entre 2010 e 2015, esse número deve ter aumentado consideravelmente.

Mas o fato é que a conversão entre a maioria dos membros da Congregação é mesmo recente.  Glauber Fonseca chegou a Casa há dois anos, depois de frequentar as igrejas católica e batista. “O que me atraiu fui o estudo da palavra no contexto histórico bíblico.” Assim como ele, a maioria dos membros da Casa são desde sempre cristãos, mas professavam outra religião, sobretudo católica e pentecostal. A conversão, disseram-me todos com quem conversei, veio por um sinal ou como destino. Glauber, que é guarda municipal, acredita que o sinal veio por meio de uma ocorrência policial que atendeu nas imediações da Casa. Convidado a entrar, não deixou mais de frequentar e trouxe a família, mulher e duas filhas pequenas. A pastora Sandra Mara Oliveira acredita que o fato de a Casa ter sido construída por um judeu foi um sinal, ou destino, para que a sinagoga se instalasse no centro, depois de passar por Bairro República, Jardim da Penha e Ilha de Santa Maria.

Origem judaica, vocação comercial

Como se vê, a origem judaica não é necessária para tornar-se membro da Congregação. Há entre seus membros pessoas de outras origens religiosas e étnicas. Mas alguns buscaram e descobriram raízes judias em suas genealogias. Em geral, a busca leva a descoberta de um cristão novo, judeus forçosamente convertidos ao cristianismo por imposição da inquisição portuguesa no tempo dos descobrimentos. É o caso de Rafael Victor Almeida Pereira, membro da Congregação há quatro anos, que descobriu no bisavô a origem cristã nova dos Pereira. Alguns historiadores afirmam que Pereira, Oliveira, Nogueira e Da Silva (sim, Da Silva também) são sobrenomes que atestam a ascendência judaica de muitos de nós. Se for assim, somos então muitos. “De cada quatro indivíduos mandados para povoar e formar colônias no Brasil, três eram cristão novos”, contabiliza Rafael.

A presença da sinagoga no centro tem feito com que se forme uma comunidade judaica no bairro. É caso de Rafael e Leonardo que se tornaram moradores do centro há quatro e dois anos respectivamente. Eles se mudaram para o bairro para ficarem mais próximos da Casa e dos negócios. Rafael, que mora na Rua Sete de Setembro, é proprietário do Zayin Café, que ocupa uma loja de dois andares discreta e aconchegante na galeria do edifício Antares, Rua Graciano Neves, 99. A cafeteria foi aberta há cinco meses e serve além de cafés quentes e gelados, chás, sucos, saladas, tortas e quiches, cardápio típico nos bons cafés da cidade. O cardápio não segue a culinária judaica tradicional, mas não serve presunto nem derivados de carne suína em geral. E no período da Páscoa, e de acordo com a tradição e preceitos judaicos (Levítico 11, na Bíblia), os alimentos servidos não levam fermento.

Leonardo, que é médico, mudou-se para um apartamento nas imediações do Viaduto Caramuru, próximo a Casa, e abriu há um ano, junto com a mãe e uma das irmãs, a loja “Tenda de Abrãao”, também na galeria do edifício Antares, mas no lado que dá para a Rua Sete. A loja, além de comercializar artigos judaicos e bíblicos, possui uma livraria voltada às tradições de sua fé e religião.

Tradições guardadas

Assim como os demais membros da Congregação, Rafael e Leonardo seguem e guardam as tradições judaicas. Nem a loja nem a cafeteria abrem aos sábados, em obediência ao sabbath, período de recesso do trabalho que é observado a partir do por do sol da sexta-feira até o por do sol do sábado. É um período de estudos e orações na Casa.

E foi em respeito às tradições e a história da fé judaica que no sábado chuvoso, 23 de janeiro, a Casa celebrou o “Ano Novo das Árvores”, evento que alude à estação dos frutos em Israel. A comemoração ocorreu na Praça Getúlio Vargas, em frente à Avenida Beira Mar, que ganhou uma nova árvore, uma paineira rosa plantada pelos membros da Congregação. Mais um presente da Casa para o centro da cidade.

Dia do Samba: ‘tava apertadinho, mas ‘tava bom

 

Assim como o Viradão Cultural, festa que comemorou em setembro o aniversário da cidade de Vitória, o Dia do Samba encheu de gente as ruas do centro da capital no último domingo, 29 de novembro. Mas ao contrário do Viradão, mais abrangente, o evento que comemorou uma das mais expressivas criações da cultura popular brasileira ficou concentrado no já tradicional corredor do samba que se forma nos fins de semana ao longo da Rua Sete de Setembro e seu entorno.

O palco maior desta vez foi montado na Praça Ubaldo Ramalhete que já estava cheia antes da apresentação do Regional da Nair, que fez encher ainda mais a praça. É sempre assim, quando toca o Regional junta muita gente. Tem até quem atribua ao conjunto a razão do novo movimento da Rua Sete. Bom, senão a principal razão, pelo menos um delas. Pois com certeza a rua tem sido movida a samba, do Regional, da Piedade, de Papo Furado e nos botecos ao longo da rua e nas ruas adjacentes. Bar do Nei, Bar do Bimbo, Bar do Gegê, Bar da Zilda. Bares frequentados por muita gente que não é ruim da cabeça nem doente do pé. Então, é justo que sejam prestigiados para receber as atrações desta terceira edição do evento na cidade.

Apertados, mas felizes

Mas o aperto com certeza veio daí. A Praça Ubaldo Ramalhete ficou pequena para tanta gente e tanto ambulante ao seu redor. Difícil alcançar a praça e as calçadas sem se espremer entre caixas de isopor, carrinhos de pipoca, barracas de churros, de churrasquinho, acarajé, cachorro quente e muito mais da gastronomia pedestre que toma conta da rua quando não há ordem e nem organização no passeio público. Dá para melhorar, prefeitura. No ano passado, apesar da chuva, a Praça Costa Pereira estava mais confortável, mas este ano a praça foi descartada como um dos palcos do evento.

Mas foi bom. Apesar de algum desconforto, não houve confusão. E tinha gente de todo tipo e de todas as tribos perambulando pelas ruas do centro ao som do samba bom. Ruas em festa. E este é um cenário sempre bem vindo. Tomara que este evento, assim como o Viradão, permaneça no calendário cultural da cidade que tem o centro como palco.

A cidade por uns fios, Vitória. A cidade por Thaiana Gomes, fotógrafa

A cidade por uns fios, Vitória. A cidade por Thaiana Gomes, fotógrafa

 

A paisagem é mais do que um estilo de pensar e escrever, é uma forma de viver à deriva,                 entre o  banal  e  o sublime,  a materialidade  do  cotidiano  e a  leveza  do devaneio.                            (Denilson Lopes)

Vitória é uma cidade de nome próprio feminino, assim como são femininos próprios os nomes das cidades invisíveis de Ítalo Calvino. Se Vitória fosse uma das cidades de Calvino, talvez pudesse ser descrita (à semelhança da Ercília do autor) como a cidade dos fios. Ao menos no seu centro histórico, Vitória é uma cidade de muitos fios. Ali, é difícil olhar a paisagem sem enquadrá-los.

Daí me veio a ideia de deliberadamente enquadrar os fios sobre o centro de Vitória por meio de um pequeno ensaio em imagem, como uma crônica visual. Convidei Thaiana Gomes para produzi-lo. Convidei Thaiana porque conheço seu interesse particular pelo registro da geometria urbana, pelas linhas horizontais que cortam e se misturam, em ruído, contraste ou harmonia, à cidade vertical. Sei também de seu interesse pela paisagem passageira, a paisagem móvel vista de passagem no trânsito da cidade que se mostra fugaz.

Fragmentos e movimento   

Conheci Thaiana enquanto estive professora do curso de Comunicação da Ufes. Thaiana foi minha aluna e gosta de fotografia. Mas ela reluta em se considerar fotógrafa. Acha que ainda tem muita estrada pela frente. É provável, afinal tem apenas 24 anos. Mas isso talvez seja apenas timidez. Thaiana tem olhos de observação e a sensibilidade necessárias para captar o instante decisivo que organiza as formas com precisão e harmonia e revelam a boa imagem fotográfica.

Seu trabalho de final de curso deu-se justamente sobre a fotografia da cidade em movimento, fragmentos da paisagem urbana vista do ônibus, na viagem diária de quem atravessa o centro em direção a outros bairros. Seu olhar é passageiro, assim como são passagens os fios do centro da cidade. E não apenas por serem linhas, elementos que sugerem condução e continuidade, mas porque de fato, e ao contrário dos fios da Ercília de Calvino, os fios em Vitória têm função. São condutores por onde trafegam energia e comunicações e sugerem ou supõem a vida que pulsa ao redor, pela cidade. São também retratos da desordem e poluição urbana.

Do celular

Para captar a cidade em seu movimento e condução, Thaiana opta pela câmera do celular, do dispositivo móvel que hoje todos nós temos em mãos. Assim como em seu trabalho de final de curso, as imagens produzidas para este ensaio são uma leitura “de um deslocamento de percepções da cidade, paisagens, e, fundamentalmente, dos monumentos concretos da urbanidade, em imagens duras em alto contraste”. Seu desejo foi, enfim, poetizar a cidade.

 

 

   

Sunday Sale, 2ª edição: mais comida, mais diversão e arte no centro da cidade

Sunday Sale, 2ª edição: mais comida, mais diversão e arte no centro da cidade

 

Bom ver quando a segunda edição de uma boa ideia vem ainda melhor. Bom ver boas ideias sendo executada com entusiasmo por suas produtoras e curtida por uma galera ainda maior e mais animada. Assim foi a segunda edição do Sunday Sale em Vitória que lotou os espaços do Guananaaí Hostel, no centro da cidade, no último domingo, com exposição e comercialização de produtos de marcas locais, oficina criativa, pocket show, exposição de arte, performances, gastronomia e bar.

E melhor ainda é saber que o Sunday Sale se torna agora permanente no calendário cultural e entra para a agenda de eventos da cidade. A ideia é realiza-lo de dois em dois meses, segundo a idealizadora do evento, Carolina Liczbinski. Nada mais justo. Estava bom de ver tanta gente jovem e bonita circulando pelos aposentos do Guananaaí e pelo quintal lateral do casarão que abriga o hostel. A não ser pelos andares de cima, onde ficam os quartos dos hóspedes, cada canto da casa tinha um expositor, um bar, um drink e música, muita música curtida por uma gente descontraídos em suas sandálias de dedo ou rasteirinhas. Nada de afetação, o público que frequenta o centro não é dado a isso.

Segundo a produtora e curadora do evento em Vitória, Kamilla Albani, a proposta do Sunday é divertir e agradar a muitos gostos e dar espaço para produtos e iniciativas criativas. Da produção artesanal de vestuário, papelaria, customização de roupas e bicicletas, gastronomia vegana e vegetariana e à bebida artesanal e à música autoral. Enfim, a proposta do evento parece mais próxima de um público mais ligado ao consumo de produtos e dietas alternativas e com espaço para receber a produção autoral de artistas locais e outros que vieram especialmente para o evento, como o caso do grupo Dr. Swing, formado por músicos sul americanos que tocam nas ruas e bares do Rio de Janeiro. Dos locais, André Prando e a dupla Júlia Papel e Isadora Dalvi deram o tom do som do evento.

Noite adentro

O Sunday Sale é, enfim, um evento que parece ter encontrado um público perfeito em Vitória. Pelo menos foi a impressão que deixou para mim. E desta vez ainda mais forte, pois se na primeira edição, realizada em agosto e registrada aqui neste blog, o público aderiu com força, desta vez ainda mais, principalmente no fim da tarde e início da noite, quando o fluxo de gente só aumentava. Então que seja bem vinda a próxima edição, que deve ocorrer em janeiro.

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Melhor que palavras, imagens que dão um pouco do clima do que foi a segunda edição do Sunday Sale em Vitória.