Deputado vai propor CPI para apurar crime da Samarco

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Alunos do curso de Meio Ambiente do colégio Almirante Tamandaré conversam com o deputado Enivaldo dos Anjos no final do seminário

Roberto Junquilho

A proposta de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apuração do crime socioambiental causado pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, ocorrido em novembro de 2015, em Mariana, Minas Gerais, é o principal resultado do Seminário em Comemoração ao Dia  Estadual ao Meio Ambiente, realizado quarta-feira (22), na Assembléia Legislativa. A iniciativa será liderada pelo deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), em atendimento a solicitação de participantes do seminário, que não pouparam críticas ao posicionamento dos governos federal, estaduais (Minas e Espírito Santo) e municipais, principalmente relacionado ao acordo  para reparar os danos, que, segundo eles, é  insuficiente para normalizar a situação. Leia mais

Os tanques de guerra e a marcha dos insensatos

Roberto Junquilho

Uma semana depois do início da paralisação dos policiais militares reivindicando melhorias salariais, e ainda aturdido com os acontecimentos, ouço aplausos de vizinhos quando vejo o comboio das Forças Armadas borrar a paisagem de  Vitória, em mais um “Dia do Bandido” nesta quinta-feira (9.2). O saldo é assustador: mais de 100 homicídios no Estado, saques no comércio, incêndios, roubos, assaltos, agressões, ódio, intolerância e insensatez, um medo coletivo.

Ao invés de buscar o diálogo com o comando da paralisação da Policia Militar, o governo do Estado optou pela adoção de mecanismos extremos que resultam em um confronto aberto, simplesmente para manter sua política de ajuste fiscal que rende dividendos políticos, infla orgulho e exalta vaidades, mas está longe de resolver a questão. O governo afirma não ter caixa para bancar melhorias salariais reivindicadas pelos PMs e também por professores e o funcionalismo em geral, mas, de outro lado, concede isenção fiscal no montante de mais de R$ 4 bilhões até 2018. Leia mais

Não basta excluir os pobres, é preciso matá-los?

Roberto Junquilho

A chacina de presos prossegue no Norte do País e já passa da casa dos 100. Uma situação que coloca os presídios de várias capitais em estado de alerta, num cenário construído por políticas públicas equivocadas e incapazes de impedir a deterioração de um sistema cuja marca é um estado vingativo, sem a preocupação de resgatar camadas da população historicamente exploradas e desassistidas.  Os números da tragédia mostram que os mais atingidos são pretos e pobres.

Isso está configurado em declarações de agentes públicos do primeiro escalão do governo diretamente envolvidos nas chacinas e no noticiário apelativo e sensacionalista, que colocam o assunto bem distante de um debate profundo sobre a questão prisional no Brasil, principalmente a superlotação dos presídios, a falta de fiscalização e a corrupção que permite o controle das prisões por parte de facções criminosas em grande parte do território nacional. Some-se a esse cenário preocupante o fato de que mais de 40% dos presos brasileiros são provisórios, ainda não foram julgados em primeira instância. Leia mais

O Brasil e os construtores do caos

Roberto Junquilho

“Todo Feio”, “Índio”, “Caranguejo”, “Santo”, “Boca Mole” “Justiça”, “MT”, “Angorá” são alguns dos indivíduos perigosíssimos que a partir de agora estão às voltas com as autoridades judiciais, depois de denunciados pelo Ministério Público juntamente com dezenas de outros da mesma espécie. Para contrariar o que você certamente deve estar imaginando, não se trata de uma quadrilha desbaratada em morros periféricos desse país. Eles integram a esfera de poder, com livre trânsito nas altas rodas.

Os apelidos pertencem à nata da classe política, delatada por executivos da construtora Odebrecht por ter recebido elevados valores em propinas pelo conhecido caixa 2. Os nomes da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula não constam na relação, é bom lembrar, já que os dois são frequentemente citados em matérias jornalísticas requentadas. Leia mais

“Sono buona gente, ma tutti ladri”

Roberto Junquilho

O cenário no País é de caos, de bagunça generalizada em todos os setores da vida nacional. A população sente o reflexo direto dos desmandos praticados pela classe política, com o manto de um poder Judiciário apático e conivente e o estímulo da mídia familiar elitista que comanda o barco segundo os seus interesses. O governo de Michel Temer não tem mais sustentação do ponto de vista ético e de gestão, em decorrência dos números da economia, das acusações de corrupção entre seus ministros, em especial o ato vergonhoso de Geddel Vieira Lima, seu principal articular político. Está na hora da renúncia.

A pressão da sociedade cresce e os jovens se destacam nos protestos, principalmente contra a PEC 55, e aqui e acolá ocorrem atos contrários às ações nocivas promovidas pelos usurpadores do poder. Mas isso ocorre de forma isolada, na medida em que cada facção partidária da esquerda quer a parte maior do bolo, e, assim, não obtém a força necessária para que possam ser olhados como uma movimentação de massa capaz de mudar a situação. Leia mais

As farmácias, o vicioso círculo lucrativo das doenças

Roberto Junquilho

No local onde funcionava a Calçados Itapuã, fechada há poucos meses, em frente ao Centro da Praia, será inaugurada nos próximos dias mais uma grande farmácia, totalizando nove estabelecimentos desse tipo em um raio de cerca de 300 metros na região da Reta da Penha. Talvez você esteja pensando, como muitos, que a nova loja é sinal de que a população amplia a cada dia sua comodidade, tendo o acesso aos medicamentos facilitado.

Pode ser, mas há outro fator bem mais preocupante: a medicalização da sociedade, como demonstra o crescimento fora do comum dos números do setor farmacêutico. O poderio de corporações transnacionais cujo objetivo é, unicamente, vender mais e não, necessariamente, curar enfermidades, monta um cenário que cobre, principalmente, os países emergentes, como o Brasil. Leia mais

O silencioso e mortal cortejo do pó preto sobre a cidade

 

As nuvens negras passam pela Praia do Canto e se espalham sobre Vitória
As nuvens poluentes passam pela Praia do Canto e atingem toda a cidade

Roberto Junquilho

É de manhãzinha lá pelas 5h40m desse chato horário de verão quando abro a janela. Assusto-me com a marcha silenciosa de nuvens escuras formadas por partículas de minério de ferro e de outras substâncias venenosas sobre o belo contorno da cidade. Invadem o céu e despejam toneladas de veneno, atingem o mar, onde já não se nota o azul, engolido que foi pelas partículas de metal que recebe diariamente, ganhando uma estranha coloração de chumbo.
As gigantes corporações Vale e Arcelor Mittal Tubarão comandam o triste espetáculo, responsável por sujeira, doenças, mortes.

Mas isso não conta, o que importa, de verdade, é a proteção de um modelo econômico distanciado da realidade do cidadão, do bem estar de cada um, com a cumplicidade da mídia e acobertado por promoções tipo Feira do Verde, fazendinhas, reservas florestais, tudo dentro do conceito de engodo característico do marketing, encarregado de dar o verniz aceitável, alvo de elogios e premiações, como recente evento de entidade de classe, ao homenagear a poluidora Arcelor pelo “excelente trabalho social que realiza”. Leia mais

Jornalista argentino aponta dedo dos EUA contra governos populares na América Latina

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Nestor e Olga: “Macri é Temer, Temer é Macri”.

Roberto Junquilho

“Existe uma ofensiva do poder econômico, com o dedo dos Estados Unidos, para acabar com os governos populares, progressistas, na América Latina. Voltar para o neoliberalismo, ao predomínio do mercado em benefício dos setores mais concentrados da economia em prejuízo das conquistas sociais das últimas décadas”.

A afirmativa é do jornalista argentino Nestor Busso, que passa férias no Brasil com sua esposa, a também jornalista Olga Busso. Ele é um dos formuladores da Lei dos Medios, responsável pela quebra do monopólio dos grandes grupos de mídia na Argentina, agora modificada pelo presidente Maurício Macri.

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Perplexo e indignado com a política, entro de férias

Roberto Junquilho

A partir de hoje, entro em período de férias para promover meu livro “Fogo Estranho no Altar”, que chega às livrarias no final do mês de setembro, aqui e em Portugal. Não poderia sair sem explicitar a minha indignação com o resultado da sessão do Senado Federal que colocou a presidenta Dilma Rousseff na condição de ré no processo pela sua cassação.

A cassação da presidenta, apesar de esperada, traz um sentimento de perplexidade significativa, porque representa um tremendo retrocesso em nossa jovem democracia e forte ameaça às conquistas sociais da última década. A partir de agora, começa a fase do arrocho, principalmente com as alterações previstas nas relações entre patrões e empregados, que vêm de cima para baixo, como bem demonstra recentes declarações de lideranças empresariais, fortalecidas com a cumplicidade do interino Michel Temer. Leia mais

Visão limitada da classe política engaveta projetos importantes

Roberto Junquilho

Projetos de mobilidade urbana da Grande Vitória anunciados por sucessivos governos do Espírito Santo se encaixam como um exemplo perfeito da visão limitada da classe política, ressaltadas raríssimas exceções. Em consequência, há um desorganizado cenário na gestão pública, principalmente com a paralisação de programas e projetos toda vez que ocorre a mudança do gestor pela via de processo eleitoral.

Ações de novos gestores públicos, geralmente anunciadas com grande estardalhaço, envolvem contratação de especialistas em diferentes áreas, técnicos, servidores e gastos em campanhas publicitárias. Como demoram a sair do papel ou são, simplesmente, engavetadas, provocam significativos prejuízos e frustração para as equipes técnicas. Leia mais