Falta de projeto turístico deixa Vitória sem ver navios de luxo

Terminal de Passageiros no Porto de Vitória. cenário de do abandono
Terminal de Passageiros no porto: cenário de abandono do turismo na cidade

Candidato à reeleição, o prefeito Luciano Rezende passa por uma fase politicamente desconfortável em um ano pré-leitoral.  Rompido com o governador Paulo Hartung, alvo de seus acenos constantes, sem, no entanto, encontrar resposta, e conservando em banho-maria o relacionamento com o ex-governador Renato Casagrande, ele vê um cenário mais escuro com a movimentação de vereadores em direção a Luiz Paulo Vellozo Lucas, ex-prefeito a quem derrotou em 2012 na corrida para a Prefeitura de Vitória, e a falta de entrega de obras à população. No setor de turismo, por exemplo, a falta de infraestrutura levou a cidade a perder a atracagem de navios de luxo com turistas recheados de dólares.

Em sua gestão, o que se apresenta é uma cidade suja, insegura, com a guarda municipal sucateada, mostrando sérios problemas na área da saúde, a começar pela falta de medicamentos de uso contínuo nos postos de atendimento, e sem um projeto para a mobilidade urbana. Restam as ciclovias, que funcionam em fins de semana e, às vezes, servem para atrapalhar outras atividades, como agora no desembarque de turistas no porto da cidade.

Um dos mais luxuosos transatlânticos que aportam nas costas brasileiras no verão, o Seabourn, cancelou as duas paradas previstas para o porto de Vitória, a primeira no dia 22 deste mês e a outra em 4 de março de 2016, por falta de infraestrutura para receber os cerca de 700 turistas. Ambas as paradas foram transferidas para Búzios e Rio de janeiro.

Mike Bush, diretor da Holland American, empresa que opera o Seabourn,  e a diretora para a América do Sul, Cláudia Magalhães, estiveram em Vitória para analisar a infraestrutura receptiva e optaram pelo cancelamento das duas paradas, diante do estado de abandono em que se encontra o setor. Um dos problemas está relacionado ao desembarque. As dificuldades começam no terminal de passageiros e vão se agravando na ciclofaixa pintada exatamente em frente ao local da movimentação de pessoas, táxis e vans.

Faz tempo que os vistosos navios de cruzeiro podiam ser vistos navegando na baía de Vitória. O fluxo começou a minguar desde o início da gestão Luciano Rezende, há três anos, em decorrência da falta de projeto específico para o turismo, que inclui, entre outros itens, a recepção aos visitantes e suporte para a operação de desembarque. Para esta temporada está previsto apenas um navio, o Maasdam, no dia 2 de fevereiro.

A Codesa disponibilizou o espaço e adotou outras providências, mas faltou, segundo técnicos do setor, o esforço da Prefeitura de Vitória. Com aspecto de abandono, o Terminal de Passageiros do porto de Vitória está fechado, com a pintura descascada e cheio de sujeira.

Esse cenário retrata o que a cidade terá para oferecer ao turista no verão que está às portas. Sem projetos específicos para o turismo e os setores que funcionam como suporte, a cidade continua sem atrativos e até mesmo as praias não contam com uma estrutura adequada. Restam mesmo as belezas naturais da ilha.

Não fosse o esforço da Companhia de Desenvolvimento de Vitória (CDV), a praia de Camburi, a mais extensa da Capital, estaria sem os quiosques funcionando. Também é só isso: o calçadão colado à praia mistura pedestres, skatistas, ciclistas e outros esportes, colocando em risco, principalmente idosos e crianças. Do outro lado da pista de carros, existe todo tipo de comércio, menos os mais apropriados para a atividade turística, como bares e restaurantes. Ali tem de tudo – bancos, farmácia, loja de colchões e até uma igreja evangélica.

No Centro da cidade, a situação é bem pior. Sem um projeto efetivo de revitalização, que ficou somente no papel e em peças publicitárias, a região tem como atrativos para uma visitação turística a Catedral Metropolitana de Vitória, o convento de São Francisco, Igreja do Carmo, Igreja do Rosário, Igreja de São Gonçalo, Capela de Santa Luzia e o Teatro Carlos Gomes.

Vários outros projetos anunciados pelo prefeito Luciano Rezende, no início de sua gestão, cairam no esquecimento.  O Mercado da Capixaba, que seria um centro de gastronomia e artesanato, ameaça desabar. O Mercado da Vila Rubim, que teve projeto anunciado em entrevistas e ações de marketing, também gorou. Sem obras, exceção às iniciadas na gestão de João Coser, que o antecedeu, Luciano Rezende tem a apresentar apenas as ciclovias, que, no entanto, só funcionam em fins de semana e feriados.

O prefeito reclama que a finanças estão em baixa, uma queda de receita de pelo menos 25%, sendo 15% da redução do repasse do ICMS, 5% da extinção do Fundap e o restante em decorrência da crise econômica, onde, evidentemente, cabe tudo. Com um orçamento de R$ 1,8 bilhão neste ano, 48% gastos com folha de pagamento de pessoal não sobra recursos paras tocar obras, afirma.

No entanto, vale lembrar que Vitória é uma cidade sem muitos problemas, com uma população de classe média, em sua maioria, cujas  exigências que nem sempre dependem de muitos recursos financeiros. E um orçamento de R$ 1,8 bilhão representa muito dinheiro, desde que a administração seja tocada por um gestor com capacidade criativa e, o mais importante, apto a aglutinar forças em torno de suas iniciativas. Esse, porém, parece não ser o caso de Luciano Rezende.

2 pensamentos sobre “Falta de projeto turístico deixa Vitória sem ver navios de luxo

  • 6 de novembro de 2015 em 17:28
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    Além do mais, o orçamento de 2012 era de apenas R$ 1,2 bilhão e a cidade não estava abandonada como esta hoje, a arrecadação de Vitória aumentou em 50%, como falta dinheiro, todas as obras estão paradas, os funcionários estão sem reajuste, o Prefeito insiste em dizer que pagou a inflação de 2014, mentira, ele repôs em 2014 a inflação de 2013.

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  • 7 de novembro de 2015 em 23:59
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    Projeto turístico em Vitória? Quando? Passear de bicicleta aos domingos no calçadão de Camburi e ficar sorrindo para quem passa achando que ta fazendo uma baita administração. Pegar os projetos de ciclovias da administração passada e continuar. Projetos arrojados, mudança, mudança… cadê? Só na propaganda de margarina. A população vai saber dar o recado em breve, nas urnas. Aguarde prefeito!

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