Projetos reais e as ações de marketing político

Roberto Junquilho

“Vitória vai receber recursos da ordem de R$ 9.449.922,20 para a construção do Centro de Inovação do Parque Tecnológico Metropolitano. O espaço terá uma área total de nove mil metros quadrados e será erguido na região de Goiabeiras, nas proximidades do Galpão das Paneleiras e da Faculdade Univix”.

O texto acima foi publicado no site da Prefeitura de Vitória há quatro anos, mais precisamente em 02/07/2012, às 13h24, quando o prefeito era João Coser. Mas poderia ter sido postado neste mês de junho de 2916, em que a Prefeitura anuncia o lançamento da obra citada naquela época, comprometendo-se a iniciar a construção do prédio no próximo mês de outubro, coincidentemente o mesmo das eleições para escolha de um novo prefeito da cidade.

Não se discute a importância da obra, mas sim o oportunismo contido no ato de lançamento, considerando que a atual administração está se encerrando e há, pelo menos por enquanto, extrema dificuldade para o atual prefeito conseguir se reeleger. Sob essa visão, esse projeto se encaixa no rol das ações midiáticas, como tantas outras que marcam a gestão de Luciano Rezende. Torço para que não seja assim e qualquer que seja o prefeito a tomar posse em 2017 dê continuidade à construção do Centro Tecnológico de Vitória.

As duas informações, a de 2012 e a atual, confirmam que a atual administração de Vitória chega ao seu final apresentando um minguado leque de realizações, cujos destaques se apoiam em projetos desenvolvidos em gestões anteriores. Exceção, para que se faça justiça, são as ciclovias, que só funcionam em feriados e fins de semanas, mesmo assim desconectadas uma das outras e muito longe de formarem o anel constante do plano de governo do prefeito.

Aliás, o plano de governo de Luciano Rezende divulgado em sua posse, em 2013, confirma a máxima popular de que o papel aceita tudo. No documento, que sela o compromisso dele com a comunidade que o elegeu, embalada no gesto de mudança, constam várias ações que se perderam no tempo, porque não passavam de invencionice de marketing político.

Elas se encaixam perfeitamente no que afirma o pensador Milton Santos no livro “Por uma nova globalização”. É “o engodo, com o nome de marketing”. Ações importantes para o desenvolvimento da cidade e de melhoria da qualidade de vida da população não passam, pelo menos até agora, de meras promessas.

Alguns exemplos: tornar o mercado da Vila Rubim o Mercado Municipal de Vitória, revitalizando a região central; efetuar o mapeamento científico dos pontos de emissão de partículas no ar, identificando as fontes geradoras e estabelecer cronograma de redução, monitorando-os sistematicamente; criar  novas alternativas econômicas pós-alterações do Fundap.

E o que dizer do projeto Acquário Vitória, uma espécie de “oceanário” que reuniria várias espécies da vida marinha dos quatro oceanos (Atlântico, Ártico, Índico e Pacífico)? E da Guarda Municipal, cujos agentes não tem condições de trabalho por falta de viaturas, ampliando desse modo o nível e insegurança na cidade? Tem ainda o Parque Zé da Bola, no final de Camburi, anunciado em evento especial, com a presença de convidados de outros estados, o Centro Esportivo de Goiabeiras, entre vários outros projetos que não vingaram.

É ano eleitoral, o prefeito luta para sair da terceira colocação, segundo as últimas pesquisas, atrás de Amaro Neto e Luiz Paulo Vellozo Lucas, as duas apostas do Palácio Anchieta. É, portanto, uma reeleição difícil. Dentro desse cenário, só lhe resta o marketing, o uso de comerciais de TV mostrando uma Vitória maquiada, com gente bonita em seus parques, jardins e nos belos recantos  formados pela natureza.

No real mesmo, o cenário é outro. A bela paisagem da cidade não esconde as dezenas de pessoas em situação de rua, o lixo acumulado em diversos pontos, a situação degradante de bairros da periferia, o déficit nas contas públicas gerando atraso no pagamento a fornecedores. Além disso, há um clima de insegurança que só faz aumentar quando se toma conhecimento de que vários agentes da Guarda Municipal estão sem armamento e as viaturas sem condições de trafegar.

Os agentes se recusam a atuar, mas o secretário de Segurança, Fronzio Calheira, afirma: “A falta de viatura não é argumento para que o trabalho não seja feito. O agente pode fazer o patrulhamento a pé, de bicicleta ou de moto”. A cidade vive uma dura realidade, um cenário que os comerciais de TV não conseguem esconder.

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