O silencioso e mortal cortejo do pó preto sobre a cidade

 

As nuvens negras passam pela Praia do Canto e se espalham sobre Vitória
As nuvens poluentes passam pela Praia do Canto e atingem toda a cidade

Roberto Junquilho

É de manhãzinha lá pelas 5h40m desse chato horário de verão quando abro a janela. Assusto-me com a marcha silenciosa de nuvens escuras formadas por partículas de minério de ferro e de outras substâncias venenosas sobre o belo contorno da cidade. Invadem o céu e despejam toneladas de veneno, atingem o mar, onde já não se nota o azul, engolido que foi pelas partículas de metal que recebe diariamente, ganhando uma estranha coloração de chumbo.
As gigantes corporações Vale e Arcelor Mittal Tubarão comandam o triste espetáculo, responsável por sujeira, doenças, mortes.

Mas isso não conta, o que importa, de verdade, é a proteção de um modelo econômico distanciado da realidade do cidadão, do bem estar de cada um, com a cumplicidade da mídia e acobertado por promoções tipo Feira do Verde, fazendinhas, reservas florestais, tudo dentro do conceito de engodo característico do marketing, encarregado de dar o verniz aceitável, alvo de elogios e premiações, como recente evento de entidade de classe, ao homenagear a poluidora Arcelor pelo “excelente trabalho social que realiza”. Leia mais