Não basta excluir os pobres, é preciso matá-los?

Roberto Junquilho

A chacina de presos prossegue no Norte do País e já passa da casa dos 100. Uma situação que coloca os presídios de várias capitais em estado de alerta, num cenário construído por políticas públicas equivocadas e incapazes de impedir a deterioração de um sistema cuja marca é um estado vingativo, sem a preocupação de resgatar camadas da população historicamente exploradas e desassistidas.  Os números da tragédia mostram que os mais atingidos são pretos e pobres.

Isso está configurado em declarações de agentes públicos do primeiro escalão do governo diretamente envolvidos nas chacinas e no noticiário apelativo e sensacionalista, que colocam o assunto bem distante de um debate profundo sobre a questão prisional no Brasil, principalmente a superlotação dos presídios, a falta de fiscalização e a corrupção que permite o controle das prisões por parte de facções criminosas em grande parte do território nacional. Some-se a esse cenário preocupante o fato de que mais de 40% dos presos brasileiros são provisórios, ainda não foram julgados em primeira instância. Leia mais