A Odebrecht quebrou a “Omertá”, e agora?

 Roberto Junquilho

O mais famoso código de honra de delinquentes, a “Omertá”, na forma como engendraram seus criadores, os mafiosos italianos, foi quebrado. O poderoso chefão da Norberto Odebrecht, Emílio, com um riso cínico a aflorar os lábios, falou com todas as letras perante o seu inquiridor: a corrupção da classe política por meio do caixa 2 é antiga, com mais de 30 anos, e a imprensa sabe disso: “Por que tanta surpresa?”, pergunta, sarcástico.

Não muito longe de onde ele estava o filho Marcelo, seu sucessor na engrenagem da corrupção que arrasta a maioria dos caciques políticos brasileiros desde a década de 80, confirma sem qualquer cerimônia: “Não existe político eleito no Brasil sem o uso do caixa 2”. Outros companheiros do crime, os chamados executivos da grande organização, adotam o mesmo procedimento e desfilam nomes, planilhas, dados de contas bancárias e encontros sigilosos em palácios e hotéis de luxo, com a presença de cabeças coroadas da República, inclusive o golpista Michel Temer, citado em uma denúncia de propina de R$ 40 milhões. Leia mais