O silencioso e mortal cortejo do pó preto sobre a cidade

 

As nuvens negras passam pela Praia do Canto e se espalham sobre Vitória
As nuvens poluentes passam pela Praia do Canto e atingem toda a cidade

Roberto Junquilho

É de manhãzinha lá pelas 5h40m desse chato horário de verão quando abro a janela. Assusto-me com a marcha silenciosa de nuvens escuras formadas por partículas de minério de ferro e de outras substâncias venenosas sobre o belo contorno da cidade. Invadem o céu e despejam toneladas de veneno, atingem o mar, onde já não se nota o azul, engolido que foi pelas partículas de metal que recebe diariamente, ganhando uma estranha coloração de chumbo.
As gigantes corporações Vale e Arcelor Mittal Tubarão comandam o triste espetáculo, responsável por sujeira, doenças, mortes.

Mas isso não conta, o que importa, de verdade, é a proteção de um modelo econômico distanciado da realidade do cidadão, do bem estar de cada um, com a cumplicidade da mídia e acobertado por promoções tipo Feira do Verde, fazendinhas, reservas florestais, tudo dentro do conceito de engodo característico do marketing, encarregado de dar o verniz aceitável, alvo de elogios e premiações, como recente evento de entidade de classe, ao homenagear a poluidora Arcelor pelo “excelente trabalho social que realiza”. Leia mais

Jornalista argentino aponta dedo dos EUA contra governos populares na América Latina

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Nestor e Olga: “Macri é Temer, Temer é Macri”.

Roberto Junquilho

“Existe uma ofensiva do poder econômico, com o dedo dos Estados Unidos, para acabar com os governos populares, progressistas, na América Latina. Voltar para o neoliberalismo, ao predomínio do mercado em benefício dos setores mais concentrados da economia em prejuízo das conquistas sociais das últimas décadas”.

A afirmativa é do jornalista argentino Nestor Busso, que passa férias no Brasil com sua esposa, a também jornalista Olga Busso. Ele é um dos formuladores da Lei dos Medios, responsável pela quebra do monopólio dos grandes grupos de mídia na Argentina, agora modificada pelo presidente Maurício Macri.

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Perplexo e indignado com a política, entro de férias

Roberto Junquilho

A partir de hoje, entro em período de férias para promover meu livro “Fogo Estranho no Altar”, que chega às livrarias no final do mês de setembro, aqui e em Portugal. Não poderia sair sem explicitar a minha indignação com o resultado da sessão do Senado Federal que colocou a presidenta Dilma Rousseff na condição de ré no processo pela sua cassação.

A cassação da presidenta, apesar de esperada, traz um sentimento de perplexidade significativa, porque representa um tremendo retrocesso em nossa jovem democracia e forte ameaça às conquistas sociais da última década. A partir de agora, começa a fase do arrocho, principalmente com as alterações previstas nas relações entre patrões e empregados, que vêm de cima para baixo, como bem demonstra recentes declarações de lideranças empresariais, fortalecidas com a cumplicidade do interino Michel Temer. Leia mais

Visão limitada da classe política engaveta projetos importantes

Roberto Junquilho

Projetos de mobilidade urbana da Grande Vitória anunciados por sucessivos governos do Espírito Santo se encaixam como um exemplo perfeito da visão limitada da classe política, ressaltadas raríssimas exceções. Em consequência, há um desorganizado cenário na gestão pública, principalmente com a paralisação de programas e projetos toda vez que ocorre a mudança do gestor pela via de processo eleitoral.

Ações de novos gestores públicos, geralmente anunciadas com grande estardalhaço, envolvem contratação de especialistas em diferentes áreas, técnicos, servidores e gastos em campanhas publicitárias. Como demoram a sair do papel ou são, simplesmente, engavetadas, provocam significativos prejuízos e frustração para as equipes técnicas. Leia mais

Aprovado em concurso aguarda nomeação há 23 anos

Navarro

Francisco Elias Pereira Navarro é pintor de paredes, vida difícil aos 55 anos. Carrega uma queixa que tenta esconder no sorriso fácil, ao ver desfeito, mais uma vez, o sonho de ser investigador da Polícia Civil. Francisco é um dos mais de 100 aprovados em concurso público realizado em 1993 que ainda não foram nomeados para a função.

O governo do Estado se firma na posição de não efetuar novas nomeações, sob a velha argumentação da falta de recursos financeiros. Uma situação que desagrada a entidades de classe da área de segurança, que se movimentam de forma unificada, podendo haver a deflagração de uma greve ainda neste mês. Leia mais

Projetos reais e as ações de marketing político

Roberto Junquilho

“Vitória vai receber recursos da ordem de R$ 9.449.922,20 para a construção do Centro de Inovação do Parque Tecnológico Metropolitano. O espaço terá uma área total de nove mil metros quadrados e será erguido na região de Goiabeiras, nas proximidades do Galpão das Paneleiras e da Faculdade Univix”.

O texto acima foi publicado no site da Prefeitura de Vitória há quatro anos, mais precisamente em 02/07/2012, às 13h24, quando o prefeito era João Coser. Mas poderia ter sido postado neste mês de junho de 2916, em que a Prefeitura anuncia o lançamento da obra citada naquela época, comprometendo-se a iniciar a construção do prédio no próximo mês de outubro, coincidentemente o mesmo das eleições para escolha de um novo prefeito da cidade. Leia mais

Proposta reduz representatividade na Câmara de Vereadores de Vitória

 

Se a palavra golpe não tivesse tão desgastada se poderia afirmar que é o que a bancada do PPS na Câmara de Vitória quer aplicar na população. A proposta de redução do número de vereadores na capital, dos atuais 15 para nove, não trará nenhum benefício para moradores da capital. A opinião é do músico e investigador de Polícia Civil Helinho Oliveira, pré-candidato a vereador por Vitória (PTN), e se junta a outros que almejam alcançar um mandato nas eleições de outubro e que são contrários a essa iniciativa. Leia mais

Os rinocerontes estão soltos, e atacam!

Roberto Junquilho

Há rinocerontes na cidade e eles começam a atacar, como tantos outros espalhados pelo Brasil nesta situação de caos em que o País mergulhou. Um deles ameaçou-me, colocou ofensas pessoais em redes sociais e disse que sou do PT, o que não é verdade. Para me resguardar e também para dar uma lição nesse abusado, pretendo adotar as medidas judiciais cabíveis. Com o crescimento da onda de ódio e intolerância insuflada diariamente pela imprensa, em especial a Rede Globo, o Brasil foi invadido por uma manada enorme desses animais, que não entendem direito as coisas ao seu redor  e possuem extrema força bruta.


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1984 é agora

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Roberto Junquilho
“Era um dia claro e frio de abril, e os relógios marcavam uma da tarde”. Assim começa 1984, o último livro de George Orwell, uma pesada narrativa a denunciar os excessos de regimes totalitários, nos quais atrocidades contra as liberdades individuais são cometidas naturalmente, acobertadas por uma lei impiedosa e cruel, orquestrada pelo Big Brother, o Grande Irmão, que tudo pode, tudo vê.
O abril que chega nesta semana traz esse mesmo clima sombrio, em nosso País, mostra uma dura realidade e nos remete a traidores como Temmer e tantos outros, a juízes travestidos de ativistas políticos e extremamente vaidosos, como Moro, Tofoli, Carmem Lúcia, que afirmam ser o impeachment legal, mesmo sem existir comprovação de qualquer delito; a Gilmar Mendes, um do líderes golpistas. Com o abril vem também a perplexidade de assistir um Eduardo Cunha, velho achacador dos cofres públicos e réu em processos de corrupção, dar as cartas nesse processo, acobertado por uma mídia que deixou para trás todos os conceitos éticos e morais, marca que se encaixa também na nossa classe política, havendo apenas pouquíssimas exceções. Leia mais

A lava-jato e a síndrome de Pirandello

Roberto Junquilho
Tantas são as ilações e versões que surgem na operação lava-jato, divulgadas na imprensa geralmente em dias meticulosamente estudados, que me vem à memória a peça teatral “Assim é, se lhe parece”, de Luigi Pirandello. O escritor italiano é conhecido como o criador do teatro do absurdo, em textos que mostram diferentes pontos de vistas e situações aparentemente sem nexo. Leia mais