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APESAR DA CRISE
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Eu fico realmente impressionado ao perceber como os colunistas políticos da grande mídia sentem prazer em pintar o país em cores sombrias: tudo está sempre “terrível”, “desesperador”, “desalentador”. Nunca estivemos “tão mal” ou numa crise “tão grande”.
Em primeiro lugar, é preciso perguntar: estes colunistas não viveram os anos 90?! Mas, mesmo que não tenham vivido e realmente acreditem que “crise” é o que o Brasil enfrenta hoje, outra indagação se faz necessária: não lêem as informações que seus próprios jornais publicam, mesmo que escondidas em pequenas notas no meio dos cadernos?

Vejamos: a safra agrícola é recordista, o setor automobilístico tem imensas filas de espera por produtos, os supermercados seguem aumentando lucros, a estimativa de ganhos da Ambev para 2015 é 14,5% maior do que o de 2014, os aeroportos estão lotados e as cidades turísticas têm atraído número colossal de visitantes. Passem diante dos melhores bares e restaurantes de sua cidade no fim de semana e perceberá que seguem lotados.

Aliás, isto é sintomático: quando um país se encontra realmente em crise econômica, as primeiras indústrias que sofrem são as de entretenimento. Sempre. Famílias com o bolso vazio não gastam com supérfluos – e o entretenimento não consegue competir com a necessidade de economizar para gastos em supermercado, escola, saúde, água, luz, etc.

Portanto, é revelador notar, por exemplo, como os cinemas brasileiros estão tendo seu melhor ano desde 2011. Público recorde. “Apesar da crise”. A venda de livros aumentou 7% no primeiro semestre. “Apesar da crise”.

Uma “crise” que, no entanto, não dissuadiu a China de anunciar investimentos de mais de 60 bilhões no mercado brasileiro – porque, claro, os chineses são conhecidos por investir em maus negócios, certo? Foi isto que os tornou uma potência econômica, afinal de contas. Não?

Se banissem a expressão “apesar da crise” do jornalismo brasileiro, a mídia não teria mais o que publicar. Faça uma rápida pesquisa no Google pela expressão “apesar da crise”: quase 400 mil resultados.

“Apesar da crise, cenário de investimentos no Brasil é promissor para 2015.”

“Cinemas do país têm maior crescimento em 4 anos apesar da crise”

“Apesar da crise, organização da Flip soube driblar os contratempos: mesas estiveram sempre lotadas”

“Apesar da crise, produção de batatas atrai investimentos em Minas”

“Apesar da crise, vendas da Toyota crescem 3% no primeiro semestre”

“Apesar da crise, Riachuelo vai inaugurar mais 40 lojas em 2015″

“Apesar da crise, fabricantes de máquinas agrícolas estão otimistas para 2015″

“Apesar da crise, Rock in Rio conseguiu licenciar 643 produtos – o recorde histórico do festival.”

“Honda tem fila de espera por carros e paga hora extra para produzir mais apesar da crise,”

“16º Exposerra: Apesar da crise, hotéis estão lotados;”

“Apesar da crise, brasileiros pretendem fazer mais viagens internacionais”

“Apesar da crise, Piauí registra crescimento na abertura de empresas”

Apesar da crise. Apesar da crise. Apesar da crise.

A crise que nós vivemos no país é a de falta de caráter do jornalismo brasileiro.

Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está; outra é inventar um caos que não corresponde à realidade. A verdade, como de hábito, reside no meio do caminho: o país enfrenta problemas sérios, mas está longe de viver “em crise”. E certamente teria mais facilidade para evitá-la caso a mídia em peso não insistisse em semear o pânico na mente da população – o que, aí, sim, tem potencial de provocar uma crise real.

Que é, afinal, o que eles querem. Porque nos momentos de verdadeira crise econômica, os mais abastados permanecem confortáveis – no máximo cortam uma viagem extra à Europa. Já da classe média para baixo, as consequências são devastadoras, criando um quadro no qual, em desespero, a população poderá tender a acreditar que a solução será devolver ao poder aqueles mesmos que encabeçaram a verdadeira crise dos anos 90. Uma “crise” neoliberal que sufocou os miseráveis, mas enriqueceu ainda mais os poderosos.

E quando nos damos conta disso, percebemos por que os colunistas políticos insistem tanto em pintar um retrato tão sombrio do país. Porque estão escrevendo as palavras desejadas pelas corporações que os empregam.

Como eu disse, a crise é de caráter. E, infelizmente, este não é vendido nas prateleiras dos supermercados.

Curta de hoje.

Danilo estava prestes a sair de casa para ir morar com seu namorado, Marcos, quando seus pais morrem num acidente. Seus planos para o futuro mudam quando ele se torna responsável pelo irmão caçula, Lucas. Novos laços são criados entre estes três jovens garotos. Enquanto os irmãos Danilo e Lucas precisam descobrir tudo que não sabiam um sobre o outro, Marcos tenta encontrar seu lugar naquela nova relação familiar. Entre vídeo-games e copos de leite, dor e decepção, eles precisam aprender a viver juntos.

Nús na Avenida!

A Av. Paulista, cenário de atos homofobicos, foi também o cenário da ousadia gay. por poucos minutos, eles se impuseram nús e desafiaram o conservadorismo brasileiro.

Foi erótico? Sim, mas foi muito mais que isso. Foi arte! e foi coragem, uma imagem tão eloquente que mesmo muda, despertou os quase 12 milhões de habitantes da maior metropole da América do Sul.

Felipe e Marlon tiraram as roupas e se exibiram aos fotografos Fábio Lamounier e Rodrigo Ladeira. Estavam frágeis e vulneraveis, alvos perfeitos para loucos com soco inglês ou lâmpadas fluorecentes.

Uma noite fria de Julho, incendiada por uma proposta louca – de mãos dadas e nús na Paulista.

(Ficou estranho assim com a traja preta – A traja preta que tanto nos intimida, a censura pudica de quem tem medo do que nega e desafia.

Então eu desafio você, tire a tarja aqui –  http://www.chicos.cc/los-chicos/felippe-e-marlon/)

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Conheci através do site “Fora do Armário”, a história de Mauricio, que se libertou da prisão. Trouxe aqui pra vocês!

Maurício é um jovem nascido do amor entre um suíço, filho de italianos, e uma brasileira. Foi ensinado na religião de seus pais, Testemunhas de Jeová. Cresceu na Suíça, mas nunca perdeu a conexão com o Brasil, onde sua avó materna mora até hoje. Tive o privilégio de conhecê-lo em 2014. Ele havia deixado o Salão do Reino das Testemunhas de Jeová havia pouco tempo e pudemos trocar boas ideias sobre religião e emancipação.
Ele leu Em Busca de Mim Mesmo. Disse que gostou, emprestou para a avó, e comprou outro para dar de presente. Logo em seguida, voltou para a Suíça, mas esteve no Brasil novamente há pouco tempo.

 Jovem, inteligente e comunicativo, Maurício fala muito bem a língua portuguesa, mas sente-se mais à vontade para conversar em inglês. Ele carinhosamente concedeu ao Blog Fora do Armário a entrevista que você lerá abaixo:
 Fora do Armário: Mauricio, você foi testemunha de Jeová, certo? Quando você nasceu sua família já pertencia à organização?
Maurício: Certo. Meus Pais se conheceram e se casaram dentro da organização. Meu pai nasceu na Suíça, de pais italianos, e minha mãe é carioca. Se conheceram na Assembleia Internacional das TJ no Rio de Janeiro e se casaram em 1992. Quando eu nasci, em 1994, aqui na Suíça, a minha família já fazia parte da organização.

Fora do Armário: Conte-nos sobre sua experiência no Salão do Reino.

Maurício: Desde infante, fui levado ao Salão do Reino pelos meus pais. A reunião costumava ser segunda-feira, à noite; sexta-feira, à noite; e domingo, pela manhã. Em 2009 a organização decidiu reduzir as reuniões para duas reuniões por semana. Porém, a segunda-feira tinha que ser reservada para estudar em família.

Como criança sempre tive amiguinhos no Salão do Reino. A gente brincava antes da reunião começar e depois dela terminar. Amizades fora da organização não são recomendadas e só surgiram depois que eu comecei a frequentar o jardim de infância, mas continuavam sendo muito limitadas. Nos cinco anos do meu ensino fundamental, o meu melhor amiguinho foi um menino que fazia parte da minha congregação. 

Como criança era muito chato ter que me vestir formalmente, ir para o Salão do Reino, e me sentar por aproximadamente duas horas calado, quando eu não entendia nenhuma palavra. Mas acredito que foi muito enriquecedor para o meu vocabulário (risos).
A primeira atração pelo mesmo sexo da qual eu ainda me lembro foi em 2001 (eu tinha 7 anos), quando ganhei um CD do cantor Italiano Tiziano Ferro. Gostava tanto da foto dele naquela capa que fantasiava sobre beija-lo. Por sentir-me muito culpado, contei para minha mãe. Ela me disse que eu tinha que orar para Jeová, e ele ia me ajudar a lutar contra isso.Às vezes me pergunto quando foi que ficou claro para mim o que que é a homossexualidade. Não lembro direito, mas se nessa época já via essa fantasia como algo errado, então acho que eu já estava bem doutrinado.

Decidi “dedicar minha vida” à organização em 2011 e fui batizado em julho do mesmo ano. Pensava que para mim aquela era a verdade e que não existia outra, então eu me sentia como se não tivesse nada a perder.

Em 2012, conheci uma garota que pertence à organização e mantivemos contato. Eu gostava muito dela, mas de uma forma muito platônica, e depois de algumas semanas começamos a nos encontrar com mais frequência. Quando ela mostrou interesse, achei uma boa oportunidade para conhecê-la também, porque minha intenção ainda era viver uma uma vida dentro do armário. 

Mas, assim que ela exprimiu os sentimentos afetivos dela, eu caí numa fase depressiva, e um dia, ao voltar do trabalho, contei para os meus pais e me assumi gay. Eles falaram que a decisão era minha: escolher entre a aprovação de Deus ou viver uma “vida homossexual”. Por mais um tempo, fiquei dentro da organização.
Já sabia que depois de me formar em farmácia, eu não quereria mais morar na Suíça. Morar no Rio com meus parentes ainda não era uma opção, porque eles não pertenciam à organização, e viver com eles significaria um alto risco de eu perder meus princípios e eventualmente abandonar a organização. Porém, no início de 2012, eu conheci um grupo de Testemunhas de Jeová num ônibus turístico em Roma. Eles também eram turistas, missionários que se mudaram dos EUA e Canadá para o México, porque a organização precisava de pessoas que falassem inglês para divulgar a Palavra lá. Estava considerando me mudar para o México para sustentar a obra.

Então, em outubro de 2012, visitei o México por duas semanas e estava determinado a me mudar depois da minha formatura. 

Assim que voltei, conheci pela Internet (ainda tinha 18 anos na época e uma visão sobre relacionamentos bem distorcida) um homem que, assim como eu, é um fã dedicado da Madonna e comecei a conversar com ele. Com o tempo, o contato ficou muito mais frequente. A gente se falava muito. Tinha dias em que eu acordava 1 hora antes do trabalho para conversar com ele pelo Skype, e me apaixonei por ele. Sonhava em viver em Los Angeles com ele depois de me formar.  


Mas tudo isso pra mim era um peso, porque eu estava vivendo uma vida dupla. Sabia que nunca ia poder dar-lhe o amor e a atenção que ele merecia. 

Pensei em escrever uma carta assinada e abandonar a organização de vez, mas acho que para os meus pais teria sido um choque e muito mais pesado para “aceitar” (coisa que até hoje não aconteceu). Começou mais uma fase muito difícil pra mim.

Fora do Armário: Em que ano você deixou a Sociedade Torre de Vigia?
Maurício:  Deixei a Sociedade em Março de 2013. Em fevereiro de 2013, tinha viajado sozinho para visitar um amigo e conheci um homem com o qual decidi me relacionar. Quando voltei para casa recebi uma visita dos anciãos da congregação e fui questionado. Não tinha escondido a minha viagem “mundana” e tinha publicado fotos dela nas redes sociais, coisa que chamou a atenção deles.
Contei tudo: que não tinha mais vontade de continuar, que sou gay e também confessei o meu “pecado”.
 Sete dias depois fui chamado para responder a uma comissão judicativa, um tipo de tribunal religioso. Lá, ficou decidido que eu seria desassociado, ou seja, excomungado da congregação, porque não tinha me arrependido do pecado.
Foi ao mesmo tempo um choque e um grande alívio. Uma parte da minha mente me dizia que eu nunca ia ser feliz fora da organização, mas por outro lado, eu sabia que todas as possibilidades estavam agora abertas para mim e que poderia fazer o que quisesse.

Fora do Armário: Qual foi a reação dos seus pais, parentes e amigos TJ? 

 Maurício: Meus pais ficaram devastados e não entendiam o porque de todo isso. Tivemos muitas discussões e momentos difíceis, porque, a partir daquele momento, cada um queria fazer a sua opinião valer, tanto eu como eles.
 
Os outros parentes e amigos simplesmente cortaram relações comigo imediatamente.

Fora do Armário: Quando você começou a pensar em deixar a organização, você recebeu apoio de outros TJ que saíram também ou fez essa transição sozinho? Como se sentiu nesse período?
Maurício: No início comecei a visitar sites “apóstatas”, tais como jwfacts.org, taze.co, jwsurvey.org e aawa.co.
Quando entrei em contato com minha tia que não é TJ, contei a situação pra ela e ela me deu o contato de um amigo dela que também deixou a organização por conta da sexualidade. Graças a ele, ficou claro pra mim que a vida e a felicidade não acabam depois de largar a organização. Pelo contrário, começam de verdade. Essa foi uma fonte de esperança pra mim. Hoje em dia ainda o vejo como um bom irmão e sou grato pelas coisas que ele me ensinou.
Porém, só procurei esse apoio um mês antes de deixar a congregação. Antes disso, os pensamentos sobre deixar a organização vinham da leitura do material “apóstata”.
Fora do Armário: Qual é a visão da Sociedade Torre de Vigia sobre a homossexualidade? O que você acha dessa visão?
Maurício: “A Bíblia não fala diretamente dos fatores biológicos envolvidos nos desejos homossexuais, embora reconheça que todos nós nascemos com a tendência de ir contra os mandamentos de Deus. (Romanos 7:21-25) Mas, em vez de focalizar a causa dos desejos homossexuais, a Bíblia simplesmente proíbe as práticas homossexuais.”
(http://www.jw.org/pt/ensinos-biblicos/perguntas/biblia-diz-sobre-homossexualidade/#?insight[search_id]=9900c557-647b-4da2-8300-a6dfeab715de&insight[search_result_index]=1 [site oficial da Sociedade Torre de Vigia])Um Testemunha de Jeová homossexual dedicado tem duas escolhas: ou continua solteiro para o resto da vida ou se casa com uma pessoa de sexo diferente do seu.

Um homossexual nunca vai poder viver um Amor verdadeiro dentro da congregação.

Essa visão é a mesma visão que a maioria das religiões cristãs têm. Como não acredito que a Bíblia seja um livro inspirado por alguma entidade espiritual, não tenho uma opinião sobre essa visão. Ela é simplesmente tão irrelevante pra mim quanto qualquer outra doutrina bíblica.

Fora do Armário: Como é vista pela congregação do Salão do Reino das Testemunhas de Jeová a pessoa que abandona a organização?  

Maurício: O Corpo Governante proíbe o contato dos membros da congregação com qualquer pessoa que foi batizada na organização e depois abandonou a congregação ou foi excomungada.

Qualquer pessoa que não concorda plenamente com os ensinamentos e as doutrinas do Corpo Governante é considerada apóstata.

“Suponha que um médico lhe recomendasse evitar contato com alguém que está infectado com uma mortífera doença contagiosa. Você entenderia as palavras do médico, e você seguiria estritamente o seu conselho. Bem, os apóstatas estão “mentalmente doentes”, e tentam contaminar outros com seus ensinamentos desleais. Jeová, o Grande Médico, nos diz que devemos evitar o contato com os apóstatas.” (Edição de Estudo da Sentinela, 15 de Julho de 2011  pág. 16)

Fora do Armário: Comparando o tempo em que você viveu nesse círculo religioso – e dentro do armário – com o momento que você vive agora, quais foram os ganhos do ponto de vista pessoal ao deixar a organização? Houve perdas? Se tivesse que fazer essa transição para fora do armário e do Salão do Reino de novo, faria algo diferente? 
 

Maurício: Ganhei uma liberdade pessoal que nunca tinha tido antes. Foi uma emancipação completa. 

Cinco meses depois de deixar a organização, fui pro Rio de Janeiro e passei 15 meses lá. Foi uma experiência maravilhosa. Tive uma família que me aceitou do jeito que eu sou, e experimentei muito mais liberdade pessoal. Consegui desconstruir o preconceito em relação aos LGBTs conhecendo muitos LGBTs maravilhosos que hoje em dia são ótimos amigos.
 
Tive o meu primeiro relacionamento maravilhoso. Hoje, apesar de não sermos mais namorados, somos ótimos amigos.

Não consigo pensar em nenhuma perda que tive deixando a organização, por que as coisas que parecem ser perdidas na verdade nunca existiram. Por exemplo: várias pessoas cortaram o contato comigo depois de deixar a organização.
 
Uma pessoa desassociada poderia lamentar que perdeu amizades. Mas pra mim, isso não tem nada ver com amizade. Não foi um Amor incondicional. Durou enquanto tínhamos as mesmas visões sobre a vida e sobre deus; assim que isso mudou, a amizade se dissolveu. Não lamento.

Se tivesse que fazer essa transição de novo, faria muito mais cedo. Diria bem cedo para as pessoas e para os meus pais que sou gay, lutaria muito mais contra o preconceito, contra as doutrinas com as quais não concordo. Não teria me batizado.


Fora do Armário: Que mensagem ou conselho você deixaria para as pessoas LGBT que vivem no armário? 
Acho que não tem nada que uma pessoa possa dizer para alguém que vive dentro do armário que vá fazer a pessoa mudar o pensamento ou que possa dar a coragem para sair. É um processo interior, pessoal e que acontece dentro da própria pessoa.

Infelizmente ainda existem muitas pessoas que não tem a coragem de lutar contra o preconceito e assumir a homossexualidade, continuam vivendo uma vida de mentira. Mas que bom que tem muitas pessoas que acordam e enxergam que esconder a verdadeira identidade é um ato que derrota a pessoa por dentro, uma vida de sofrimento todos os dias. E eu tive que questionar as doutrinas para ver como tudo isso é injusto, que eu não posso ter a mesma liberdade de viver a minha identidade como têm as pessoas heterossexuais na organização. Depois disso, você vai juntando e juntando mais e mais força, e quando essa força é suficiente, você consegue dar o passo necessário para se libertar.

Acredito que esse seja o processo pelo qual a maioria das pessoas LGBT passa antes de se libertar. Mas a decisão de acordar tem que ser da pessoa mesmo, e essa decisão é muito mais difícil quando a pessoa é doutrinada.

Posso dizer com certeza absoluta que VALE A PENA todo o esforço e sofrimento. Viver a própria verdade/identidade não tem preço. Inclusive, esse é um dos motivos pelo qual eu dei essa entrevista tão abertamente: não tenho nada a esconder. Quero que as pessoas me amem pela pessoa que eu realmente sou, e essa história faz parte da minha vida, de quem eu sou hoje.

 Esses sites fornecem mais informações sobre a Organização da Torre de Vigia:
http://www.jw.org (Site oficial da Sociedade Torre de Vigia)Ex-testemunhas de Jeová:

Fora do Armário: Obrigado pela atenção e pelas respostas, Maurício. Certamente, serão palavras de estímulo e inspiração para muitas pessoas que leem esse blog ou que virão a lê-lo no futuro. Forte abraço, queridão.

2014Maurício Graziano em 2014. Noite fantástica da festa Pop Bitches com muitos hits de Madonna no TV Bar.

By Phil

Confundir a democracia com a opressão de uma maioria contra as gifs-animados-3d-4minorias é subverter o principal fundamento do regime democrático: A isonomia. Legisladores desconhecem a própria constituição, que é a base de todas as leis, existe uma cultura de domínio e desrespeito, que transpira ares de legalidade, mas que falseia a liberdade de todos se reconhecerem cidadãos.

A diversidade, religiosa, sexual, racial e suas tantas facetas, fica submersa e fragilizada, vulnerável a uma maioria grosseira e manipulada por oportunistas, que rejeita o novo e teme mudanças que possam abrir espaços a inclusão. Se sentindo ameaçada em seus falsos privilégios, não se percebem apenas massa de manobra, conduzida como um imenso rebanho, em direção ao matadouro.

Obviamente que quando se toca em pontos sensíveis a mudanças, reações diversas tentam impedir mesmo o debate, prevendo a fragilidade de seus argumentos, chegando a tentar mudar a lei numa tentativa golpista e cheia de subterfúgios.

Chegou o momento das minorias se unirem em torno da luta contra a opressão da arrogante maioria ditatorial, que não resistirá a esse embate.

A laicidade do estado é uma das principais forças na construção de uma sociedade equânime e justa, onde a individualidade de credos, ou mesmo a descrença, é respeitada e tratada com a mesma relevância e independência.  Ser respeitado é ser cidadão, ser reconhecido como tal.

A relevância está na isenção de impostos que as igrejas têm. Uma prerrogativa injustificável, já que são arrecadadoras de receitas não declaradas, facilmente usadas para lavagem e desvios fraudulentos.

Esse tipo de distinção instiga o crime, facilitando a coação financeira e invertendo valores da própria religião. Haja vista o caso da evasão de divisas na Igreja Maranata aqui no Espírito Santo. Esse é mais um tópico que cabe o debate, e deve ser analisada a luz do direito. – Será correto enriquecer a custa da fé ingênua de outra pessoa, desprovida de senso critico? – Não seria isso, em todos os seus nuances, estelionato? – Como controlar uma receita cuja contabilidade é obscura e sem auditoria?

São muitas as interrogações que implica numa maior fiscalização do estado. Numa prestação de contas severa e constante. O governo tem de ter mecanismos de fiscalizações dessas chamadas doações voluntárias, que a cada dia se tornam mais automáticas e compulsórias.

Envoltos no transe imposto pelos cultos histéricos, ovelhas se entregam a lobos, e acreditando em promessas mirabolantes, se fascinam na ambição e tiram de seu próprio sustendo, para alimentar a insaciável fome de riqueza desses prósperos empresários de deus.

E falar o que? Regular como? Com as facilidades do privilégio que isenta do fisco, a impunidade prospera na teologia do 171. – E já vai longe à máxima “A Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de deus” 22.20. Assim chegamos mais uma vez ao impasse legal, se o Brasil é um estado Laico, e se todos são iguais perante as leis, qual a razão de tal isenção? Caridade? Qual o que…

Escutando TRAVESTUTAS

Escutando TRAVESTUTAS

Rafael Ribeiro

As histórias são similares mas nem por isso, o coração endurece. Sair à noite para entregar condons e bater um papo com essa massa marginalizada, inclusive por alguns LGBT desinformados e preconceituosos, foi uma experiência única.

A noite estava agradável. Saímos pelo município de Serra, o 1º município em termos populacionais do Espírito Santo, para cumprir uma tarefa que é obrigação do poder público mas que, como militantes assumimos esse papel e com prazer: o de estar nas ruas junto a essas profissionais do sexo, conversando e conhecendo um pouco mais sobre a vida delas.

Os pontos de prostituição da Serra em especial os considerados nobres, são em frente ao Sesi – Laranjeiras, a rodovia Norte-Sul na altura da CEF e o famoso e não tão amigável prostíbulo Copo Sujo. E logicamente, que as conversas e ambientes se modificam ao passo que trocamos de lugar.

Em Laranjeiras, tudo parece ser o inicio. Ali, menores de idade, do interior capixaba concentram-se para com R$50 satisfazer as básicas necessidades humanos. Sexo. “Eu vim de Linhares, sempre faço programa com camisinhas e lá no norte, além de ser mais complicado, trabalho muito e ganho pouco. Em Linhares eu tenho que fazer sete programas para juntar 250 reais numa noite. Desgasta muito a pele então aqui, numa noite, com três programas saio com 200 reais”. Medo? “Eu tenho, mas procuro não pensar que existam pessoas más no mundo. Eu acredito que irei e voltarei para casa di boa”.

Na outra esquina, uma travesti de 1,89m de altura, negra, cabelos escovados, mas sujos e mal tratados, fumava um cigarro. “Se alguém vier pro meu lado, acreditem, ele perde alguma parte do corpo. Olha aqui ó…” enquanto abria a bolsa, de estampa reggae. Lá dentro tinha uma peixeira que mais parecia uma espada.

E as histórias são similares. Em todos os pontos de prostituição, os sonhos são o mesmo: formar aquela Família de comercial de Doriana vista na televisão. “Eu coloquei que minha meta é de R$120 por noite (se trabalha cinco dias na semana, juntaria R$2,400) e quando meia-noite cai, eu estou em casa cuidando do meu homem. No momento desempregado mas muito batalhador. Estamos juntos há seis meses”, comentou uma delas que não hesitou em nos mostrar a arma que os clientes desejam – o pênis de 22cm trucado num branco vestido que mais parecia ter sido vestido a vácuo. E, orgulhosa, Maria X, deu uma viradinha para nos mostrar a alegria nacional – a bunda lotada de silicone, que já está deformada.

“Eu moro com meus pais, mas não sei fazer outra coisa. E nem vem com essa câmera perto de mim pois detesto fotografias. Não sou fotogênica” revolta-se Maria Y, vestida apenas de um micro biquíni com a bandeira nacional estampada quando avista nossa câmera. “Não se preocupe, pois fui até modelo na Itália e a câmera me ama”, se joga na frente da câmera Maria T que sem vergonha, tira a roupa na avenida Norte-sul e ganha gritinhos de admiração e gozação vindos de um ônibus parado num ponto próximo ao ponto delas. As três Marias fazem juntas ponto há cinco anos na mesma região.

Elas, Marias, estão na rua pelas mesmas razões, vivenciando cada uma a sua forma, as dificuldades de serem respeitadas numa sociedade machista, heteronormativa, cristã. “O pior é lembrar que eu não sei fazer nada, não fiquei na escola e a rua é a minha universidade. Tem gente de tudo que é tipo e ainda por cima, temos que aguentar a própria sociedade que nos exclui, reforçar o preconceito. Isso não vai mudar” desabafa Maria B, 17 anos que se protege com um facão escondido na bolsa.

Não bastasse a violência diária das ruas, principalmente entre elas, a maior parte ainda lida com o abuso do consumo de drogas. Numa dessas realidades de rua, uma dessas Marias, visivelmente alterada por uso de alguma substância ilegal, se viu obrigada a sair da Av. Dante Michelline – altura da entrada da Vale do Rio Doce (outro famoso e caro reduto de prostituição) pois se não pagar R$2mil à cafetina, não pode mais fazer programas.

“Ela me ameaçou. Disse que se eu não pagasse logo, cortaria minhas pernas. E sei que eles são capazes disso, então estou aqui fazendo hora extra para quitar meu débito, mas se me der a louca, saio corrida para outro estado”, ri da situação Maria P com um cacoete nervoso; estalava a língua devido o efeito da droga que enquanto conversávamos a deixava num estado de torpor. Eram ainda 23h20 de uma quinta-feira e para ela, nenhum movimento. nenhum programa. “Como pagarei o aluguel?” questiona.

Durante as três horas em que estávamos na rua distribuindo panfletos e camisinhas e colendo material para essa reportagem, não vimos nada demais. O imaginário de cafetões punindo as prostitutas com agressões físicas ou as obrigando a consumir drogas para que elas fiquem mais endividadas não foi constatado. Mas o silêncio em torno do assunto enviou um alerta que tais práticas são comuns e recorrentes.

O que incomodou mesmo foi o habitual gritinho vindo de dentro dos carros que passavam em alta velocidade. “Esses homens que ficam tentando nos intimidar ou diminuir enquanto estamos aqui ganhando nosso pão são uns imbecis mas fazer o quê, são ossos do ofício” ironiza Maria G que faz pista há 12 anos, mantém a forma, não fuma e não bebe.

Já começou a reformar a casa onde pretende morar com o marido, que “ainda está por vir” quando se aposentar. “Isso ainda está para ser visto, pois eu faço o que eu gosto e tem cada homem gostoso nesse mundo, que seria loucura sair agora. Já notou minha competição? Não tenho. Sou a mais bonita e os clientes pagam por isso”.

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