Por que é tão difícil a fidelidade no meio gay?

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A infidelidade no meio gay é social e fisiológica. Social porque mesmo homens gays podem ser machistas. Vivemos nesse contexto social já bastante citado no blog “Minha Vida Gay”, no qual o homem tem uma certa “liberdade e autonomia” para pular a cerca. Não seria muito diferente com um homem gay que se sente livre, autônomo e descomprometido.

É fisiológico porque o homem tem uma natureza sexual mais aflorada, da procriação, o que não excluem aquelas mulheres que também tem um apetite sexual intenso.

pedro_beto_henrique_by_alex_machadoNesse contexto, quando são dois homens gays, a fidelidade pode se tornar mais volátil. Pessoalmente, carrego uma “ficha limpa” e até hoje não trai nenhum dos meus namorados (e não vejo isso como um mérito, mas é um fato). Foram relações de mais de um ano e meio e, se nesse período eles deram uma escapadinha não tem como afirmar porque, no final, nunca fiquei sabendo. Posso dizer que tive também a oportunidade de me relacionar com pessoas mais sérias na questão da fidelidade e, mesmo aqueles mais “fogueteiros”, acabavam “cumprindo o papel” ao meu lado (a ironia pode dizer que não, mas eu confio). Fidelidade tem a ver com respeito. Respeito tem a ver com educação.

Penso que a fidelidade é uma virtude, ou até mesmo um diferencial em pessoas do meio gay (principalmente no meio gay masculino). Casos de traição ou de relacionamentos múltiplos a gente ouve aos montes. São os relatos de amigos, de colegas e, muitas vezes, as pessoas acabam por supervalorizar a traição. Coisa estranha, mas é o que as vezes acontece. Quando alguém termina um namoro a primeira coisa que as pessoas pensam é: “trocou por outra pessoa”?

janela-da-infidelidadeMuitas vezes a traição vira justificativa da atitude alheia (ou ausência de atitude).

A ideia de ser fiel recai novamente sob a maturidade de um indivíduo. O gay ou é muito permissivo ou é muito possessivo (difícil encontrar um meio termo). Priorizar outras ocupações na vida que vão além do desejo de dar uma “escapadinha”, é raro. Já percebeu que gay está sempre contando algum caso de ego?

Diante de tudo isso, como ter um relacionamento gay maduro?

Entendo que a primeira coisa a se fazer é preservar a si mesmo. Muita gente trai porque o outro trai (ou acha que trai). Em outras palavras, a infidelidade justifica a infidelidade e esse pensamento é raso mas comum. A infidelidade de um não deve ser justificada pela falta de seriedade do outro. Rege a regra: não faça com o outro o que você não quer para você. Isso, se você realmente busca um relacionamento mais maduro. Isso, se você é maduro!

Quando estiver namorando, não precisa manter a rotina intensa de baladas que você teria se estivesse solteiro. Certo ou errado, na balada as pessoas estão para se divertir e não se preocupam muito se você ou seu parceiro estão disponíveis ou não. Numa dessas, alguém pode despertar o seu interesse ou o interesse do seu namorado e aí vem a bagunça.

O legal de estar num relacionamento não é ostentar o namorado em baladas, mostrar para os outros que ele tem seus atributos ou chamar a atenção alheia. O legal de um namoro gay é poder experenciar outras coisas, como é em qualquer relacionamento.

Já pensou em viajar com seu namorado mas está faltando dinheiro? Deixe de ir em 4 baladas!

O mundo exclusivamente gay é repetitivo, viciado e é só uma pontinha de tugrind-2do que um casal pode realizar. A gente, muitas vezes, fica viciado na rotina gay, de querer ver e ser visto e esquece que, quando se namora, não precisa mais disso. A gente tem dificuldade de “virar a chave” e deixa portas abertas para potenciais paqueras. E faz isso por puro exercício do ego. E normalmente é um ego que não se satisfaz consigo mesmo.

grind1Se você é daquele tipo que começa uma relação e parece que logo enjoa, talvez você esteja insatisfeito com você mesmo! Você fica na expectativa de querer achar alguém melhor mas não parou para pensar se você é tudo isso mesmo. Essa coisa de ser muito seletivo ou de enjoar rapidamente, no fundo, é cegueira. Cegueira por não enxergar a sua totalidade, que vai além de ser gay.

Me assumir na totalidade?

Por mais que pais nos aceitem e amigos também, nos resolvermos como indivíduos, gays, exige um esforço, exige se sobressair. A infidelidade está muitas vezes relacionada a incapacidade de um indivíduo de se entregar para um relacionamento. É mais cômodo e confortável se garantir com alguém mas deixar brechas: você sempre vai ter opções para exaltar seu ego ou alguém para ser um “estepe” caso a relação de interesse não dê certo. Do contrário, na totalidade de uma relação você se resolve com apenas um indivíduo, parceiro ou namorado. As duas coisas juntas ficam bem difíceis de se ter.

Esse conceito de fidelidade no meio gay brasileiro ainda é muito novo, imagine então o casamento. As pessoas são mais intimidadas e tem dificuldades de enxergar essa totalidade por conta de inseguranças e limites impostas por elas mesmo, impostas pela sociedade e pelo o que cada um absorve da sociedade.

Assim é a vida, com as facilidades e dificuldades. O importante é buscar a tal consciência e aceitar que a qualidade de um relacionamento depende de você, mais do que o outro. Entrar numa relação só com as pontinhas do dedos costuma não dar certo.

Publicado por MINHAVIDAGAY.

Verão gay, a pegação começou.

casal-gay-praia-1100-810x391Verão rima com pegação. Aqui no Espírito Santo, as cidades do litoral, lotadas de turistas e com muita gente de férias, são o point ideal para olhares, paqueras e com certeza, depois de um papo os motéis ficam cheios.

O mundo gay cria points  especiais onde rola desinibição, olhares mais insinuantes e uma manifestação mais festiva cheia de trejeitos e linguagem especifica, onde o erótico se insinua na sensualidade e na exposição de quem quer ver e ser visto.

dois-homem-gay-na-praia-10513544É interessante observar como esses poits se multiplicam, e são também frequentados por simpatizantes que gostam de desfrutar da companhia dos gays.

Mesmo no clima da festa do verão, o perigo ronda esses refúgios, bandidos se aproveitam para extorquir, roubar ou mesmo violentar incautos gays,  que se deixam levar, imprudentes, por esses malfeitores cretinos que se aproveitam da situação, todo cuidado é pouco, a homofobia é traiçoeira.

Mas vamos aos points capixabas.

Vila Velha (ES) – Feira do Cu é o nome popular do final da Praia de Coqueiral de Itaparica, próximo ao Jóquei Clube. Frequência eclética, de pintosas a machões. Dizem que você pode tomar sol de bunda pra cima, pelado ou de fio dental, e até rolar na areia que ninguém repara…

Guarapari (ES) – Na badalada Praia do Morro, tem o Morro da Pescaria, ali em direção ao condomínio Aldeia. Você sobe um morro de pedras, se arranha todo, mas sempre consegue pescar alguma coisa…

ipanema_gayVitória (ES) – Final Feliz, fica em Camburi, no final da praia, próximo à entrada da C.S.T. Lá rola de tudo, Barbies, pintosas e bofes. Se jogue. Em Vitória também na praia de camburi tem a “Praia do Phil”, alusão ao meu programa na Universitária FM, onde facilmente se encontram gays e lésbicas circulando. A pouco tempo atrás o quiosque do Lui comandava a festa, mas o moralismo da prefeitura, na época, pressionado pelo fundamentalismo religioso que contamina a câmara municipal, instalou La uma sede da guarda municipal, já abandonada, para reprimir a presença gay no local, foi em vão. Se você não sabe, a “Praia do Phil”, fica entre o segundo e terceiro píer na praia de Camburi.

Agora é com você, caia de boca ou do que preferir, mas deixe o verão capixaba mais divertido.

A nova família (1)

familia-gayO sonho da paternidade vem se tornando uma constante na vida de casais gays. Um casal lesbico é bem resolvido quanto a esse assunto, mas uma dupla masculina precisa vencer inúmeros obstáculos para realizar esse sonho.

Nas mulheres tudo se resolve com uma inseminação artificial, do lado masculino é cada vez maior a figura da barriga de aluguel, o que se torna uma aventura de nove meses. Muitos optam para que a mãe de aluguel se mude para sua casa e passam a acompanhar passo a passo a gravidez. Isso é uma maneira de ambos se envolverem no processo e já começam a vivenciar a paternidade.

Essa situação precisa se muito planejada para evitar muitos inconvenientes, essa convivência gera intimidades e fica difícil a separação depois do parto, quando os dois papais precisam do seu momento na construção da nova família, na intimidade com seu bebe. O afastamento da mãe de aluguel não pode ser traumático, mas tem de ser o mais rápido possível.amor-large570

Na questão social, encontrei com meu amigo Lúcio que me falou de sua ansiedade, ele e Edu, seu companheiro, já há muito tem o plano da paternidade. Comentamos da barriga de aluguel, algo já totalmente descartado por eles, a expectativa é pela adoção mesmo. “Tantas crianças abandonadas, jogadas em orfanatos a espera de uma chance.” Eles não esperam um bebe recém nascido, ao contrario, querem acima dos cinco anos, até por volta dos sete, que seja negro e se estiver acompanhado de um irmão ou irmã, que será também bem vindo.

O momento é muito especial para eles, e na visão não será difícil, os casos de espera de adoção nessa situação são muitos e fogem da expectativa da maioria dos que se propõem a receber uma criança.

LAR-01-019-141113Na verdade é que por mais que os fundamentalistas religiosos neguem o status de família, uma nova realidade se firma independente da estupidez desses falsos religiosos. A nova família se impõe e se constrói com base no amor e na construção de uma sociedade representativa da tolerância e da verdadeira essência da oportunidade e da igualdade.