Promessas e direitos

As promessas políticas tendem a cair no vazio, mas continuam encantando o eleitor desinformado

A tentativa de suicídio na Terceira Ponte desde 2000 registrada nessa terça-feira (11), a 441ª segundo os dados oficiais, forçou o governo do Estado a anunciar a construção de barreira de proteção, a fim de evitar que casos como esses continuem a ocorrer numa progressão assustadora, que já contabilizam - pelo menos - 90 mortes. 

Mas o que tem a ver os casos de suicídio na Terceira Ponte com política, tema da coluna, deve se perguntar o leitor? Tudo, por estranho que pareça, principalmente por ter sido registrado durante a campanha eleitoral, período no qual a classe política se derrama em promessas, lançamento de programas e projetos com reduzida possibilidade de se tornar realidade.

Uma rápida análise do anúncio do governo, sinalizando o início das obras ainda para este ano e sua conclusão em julho de 2019, enquadra o projeto nesse contexto, levando em conta vários fatores, principalmente que no próximo ano o governo já será outro. 

Além da barreira de proteção da ponte, o discurso político demonstra uma enxurrada de promessas sem pé nem cabeça, como novos investimentos, concursos com inúmeras vagas, seguindo a mesma linha de anos anteriores. A maioria dos projetos, ensina a história, está fadada ao esquecimento.  

Na campanha eleitoral, então, pode-se ver ações oportunistas e repetitivas de políticos profissionais com rendimento parlamentar pífio que, mesmo assim, mantêm prestígio junto ao eleitorado. Desinformado, esse tipo de eleitor, com o pensamento crítico obstruído, é levado por mensagens destituídas de veracidade, mas que o fascinam. 

Os oportunistas tocam no emocional e, propositadamente, confundem os códigos de valores ao alterar significados da mensagem, conseguindo, sem muito esforço, construir bons canais receptivos, que caem no encantamento fácil e enganoso.     

Usam bandeiras religiosas e empresariais, mas esquecem os temas relacionados à quebra de privilégios das elites e à garantia de direitos do restante da população. Martelam insistentemente nos mesmos temas e, assim, mantêm a plateia (eleitor) hipnotizada. Na realidade, estabelecem uma bolha, onde não cabem outros assuntos.

Os senadores Ricardo Ferraço (PSDB) e Magno Malta (PR) são exemplos, feitos e acabados, em uma extensa relação que inclui também a senadora Rose de Freitas (Podemos), neste ano candidata ao governo. Ricardo tem o foco em projetos de desenvolvimento econômico, Rose atua na facilitação de dinheiro para as prefeituras, e Magno Malta se apresenta como defensor dos valores da família. 

Nada contra esses temas. No entanto, o mandato dos três é marcado por alinhamento a movimentos contrários à defesa das classes menos favorecidas economicamente. Os privilégios da elite, para os três, são intocáveis, direitos dos trabalhadores e dos mais pobres, não. 

Assim foi na votação das reformas do presidente Michel Temer, que aumentaram o desemprego e retiraram garantias históricas e, agora, ameaçam a aposentadoria de milhões de brasileiros.  O voto contraria o discurso da campanha política exibido no horário da propaganda eleitoral. 

Como a construção da barreira de proteção na Terceira Ponte, promessas políticas tendem a cair no vazio, da mesma forma que as bandeiras empunhada pelos que se apresentam como heróicos defensores de valores e códigos. 

O heroísmo desses políticos se mostra inócuo, especialmente quando afirmam lutar pela vida, de um lado, e, ao mesmo tempo, trabalham em favor da pena de morte, do armamento da população e se voltam, furiosos, contra minorias, como pobres e negros, e usam sofismas para encantar os desinformados, que os apoiam sem saber que lutam contra si próprios. 

0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para manter ativo.Será necessário confirmar os seus dados no e-mail de verificação que iremos enviar assim que registrar o seu comentário, para que o comentário seja exibido. Comentários não validados em até 48 horas serão desativados.