Despreparo de Manato e repetições de Aridelmo marcam debate na TV

O debate reuniu seis candidatos ao governo do Estado e teve como principal alvo Renato Casagrande

“Sou médico, sei cuidar das pessoas”, frase que já virou refrão da campanha de Carlos Manato (PSL), e a repetitiva fala de Aridelmo Teixeira (PTB) sobre a "nova política" marcaram o debate entre os concorrentes ao governo do Estado promovido pela TV Gazeta na noite dessa terça-feira (2). 

Com a eleição para governador sinalizando vitória de Renato Casagrande (PSB) já no primeiro turno, por cerca de duas horas os outros cinco participantes da corrida ao Palácio Anchieta dirigiram ataques ao líder das pesquisas e, em alguns momentos, abordaram a disputa presidencial. 

A primeira provocação partiu de Manato, perguntando a Casagrande como ele se posicionaria no segundo turno da eleição presidencial entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), arrematando após o questionamento: “Aqui ao meu lado, todos são vermelhos, eu sou verde e amarelo”, disse, divulgando logo no início do debate uma das frases de efeito de sustentação à campanha de Jair Bolsonaro, que tenta desconstruir todos os outros partidos, especialmente PT, PDT e Psol.   

Casagrande defendeu o diálogo e disse que aguardará o resultado das urnas no domingo para decidir sua posição no segundo turno (o PSB decidiu ficar neutro no primeiro turno). Esse posicionamento lhe valeu críticas, inclusive nos blocos seguintes, reforçando a tentativa de ligá-lo ao projeto nacional do PT. Já Aridelmo, pelo contrário, fez questão de anunciar, convicto, que ficará com Bolsonaro no segundo turno, o que provocou a lembrança por Casagrande do ex-deputado Roberto Jeferson, presidente do PTB, preso por corrupção no processo conhecido como Mensalão, e recentemente envolvido em escândalo no Ministério do Trabalho, juntamente com a filha, Cristiane Brasil.

Os outros debatedores, como André Moreira (Psol) e Jackeline Rocha (PT), protestaram contra a violência defendida pelo presidenciável do PSL, com destaque para o protesto de mulheres realizado em várias cidades do País, que ficou conhecido como #elenão. Rose de Freitas, ao ser perguntada pela petista sobre o movimento, exaltou o papel da mulher na política, mas desconversou sobre o ato.

Jackeline também questionou Manato sobre as declarações do general Mourão, vice de Bolsonaro, que pretende cortar o 13º salário e as férias remuneradas. “Uma fala infeliz”, disse Manato, declarando que a entrada de Mourão se “deu aos 47 minutos do segundo tempo”, uma referência à dificuldade de Bolsonaro em achar quem aceitasse ser vice em sua chapa.  

O debate prosseguiu morno, com Rose de Freitas repetindo sua marca de municipalista responsável por trazer dinheiro para as prefeituras e confundindo eventos culturais com turismo, e Casagrande se defendendo de ataques e mostrando o que já realizou no Estado. 

No entanto, ele ainda não conseguiu explicar as diferenças entre seu mandato, de 2011 a 2014, e a gestão do governador Paulo Hartung, especialmente o modelo de desenvolvimento econômico e os incentivos fiscais concedidos a grandes empresas poluidoras, fatos provocados pelo candidato do Psol, André Moreira.  

Em sua fala, Moreira lembrou ainda que o governo de Casagrande foi caracterizado pela violência contra estudantes e trabalhadores. Uns dos fatos mais marcantes, a ocupação da Universidade Federal (Ufes) e o uso do Batalhão de Choque da Polícia Militar contra manifestações populares, também abordados pela candidata ao PT.   

A um questionamento sobre malha viária e mobilidade urbana, Renato Casagrande citou várias realizações e destacou a avenida Leitão da Silva, em Vitória, entre as que foram paralisadas no atual governo Hartung.

Participaram do debate, coordenado pelo apresentador André Junqueira, os candidatos Jackeline Rocha (PT), André Moreira (Psol), Aridelmo (PTB), Rose de Freitas (Podemos), Renato Casagrande (PSB) e Carlos Manato (Psol). 

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