MST-ES rejeita acusações de Magno Malta e condena latifúndios improdutivos

O MST possui vários campos produtivos no Espírito Santo, sem o uso de de agrotóxicos

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Espírito Santo (MST-ES), que nesta terça-feira (22) completa 35 anos, não invade e sim ocupa propriedades que não cumprem a sua função social e são improdutivas. 

A afirmativa é de Rodrigo Gonçalves, da direção estadual do MST, que rechaçou falas do senador Magno Malta (PR), em final de mandato, gravada em vídeo nas redes sociais, no qual ele tacha o movimento de "terrorista e de vagabundo", ao comentar o decreto que facilita a posse de arma de fogo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

"O MST sempre lutou pela terra seguindo a Constituição, ocupando latifúndios improdutivos, que não geram empregos, não respeitam o meio ambiente nem a biodiversidade e ainda destroem a natureza”, explica Rodrigo, que se mostra contrário ao decreto do presidencial.  

Divulgado no dia 18 deste mês, no vídeo o senador Magno Malta conclama o “cidadão brasileiro” a se armar para enfrentar os “terroristas do MST”, a quem tachou de “vagabundos”. A gravação circulou depois do decreto da Presidência da República, motivo de polêmica em todo o País. 

No Espírito Santo, são mais de três mil famílias assentadas em  63 comunidades e, segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem 60 mil famílias que se declaram como sem terras no Estado, informa o dirigente  o movimento. 

Além disso, atualmente, “mais de mil famílias sobrevivem em 14 acampamentos, há mais de 10 anos, erguidos às margens de rodovias federais, debaixo da lona, de norte a sul do Estado”. 

Para Rodrigo, a luta é em defesa de uma sociedade mais justa e igualitária, pela reforma agrária popular. “Nesses 35 anos, houve muitas lutas e conquistas em todo Brasil. Já conquistamos mais de 10 mil assentamentos com mais de 300 mil famílias assentadas”. E completa: c"ada uma dessas famílias gera 10 empregos diretos e indiretos. No entanto, os interesses dos governantes são outros e não entra a reforma agrária. Por isso, ainda existem milhões de famílias sem terra, acampados debaixo de lonas”, lamenta Rodrigo. 

Ele se alegra quando informa sobre o resultado do trabalho do MST. “Somos o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, representamos 10% do PIB [Produto Interno Bruto] do Brasil, com pouquíssimos recursos dos governos”. 

No Espirito Santo, segundo ele, o movimento está avançando na agro-industrialização do café conilon, pimenta do reino, mel, e também na comercialização de produtos agroecológico nas feiras de alimentos saudáveis. 

Rodrigo informa que o MST está construindo acampamentos produtivos com foco nos sistemas agroflorestais e na produção de alimentos agroecológico produzido pelas famílias acampadas e assentados no Estado e critica a política agrícola vigente no País.


 “Somos contra o modelo chamado agronegócio, porque destrói a biodiversidade, com a monocultura e o uso de agrotóxicos, envenenando o solo, as águas, e provocando os desmatamento da mata atlântica. Para o MST, é possível produzir sem destruir as matas e as biodiversidades, respeitando os ecossistemas.

Sobre a posse e o porte de arma, que tocam diretamente o movimento, considerando as várias ocorrências de fatos violentos no País, Rodrigo se mostra totalmente contrário: “No nosso entendimento,  se queremos construir uma sociedade melhor, não é com arma de fogo, e sim com livro e caneta. Somente com a educação construiremos um país mais justo”.

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