Na roda, crianças, mulheres e grandes mestres na capoeira

Fim de semana de celebração do esporte e da cultura no Encontro Internacional A.C.A.P.O.E.I.R.A.

Fotos: Rogério Medeiros

A décima edição do Encontro Internacional e Jogos Abertos do grupo A.C.A.P.O.E.I.R.A. aconteceu no último final de semana, reunindo cerca de 250 capoeirista do Brasil e de países da Europa. Aulas e rodas separadas conforme a graduação dos praticantes aconteceram simultaneamente, enchendo de vibração o ginásio da Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (Sesport). Outras modalidades próximas à capoeira também marcaram presença, com oficinas de samba de roda e maculelê.

Mas para além dos exercícios corporais, um momento muito esperado também foram as homenagens e roda de conversa com dois grandes mestres, Itapoan e Geni. Os dois foram alunos do Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, criador da capoeira regional e um dos maiores expoentes da arte-luta, falecido em 1974. A conversa girou em torno da história e vivência com Mestre Bimba, com quem conviveram por cerca de uma década, e os participantes puderam fazer perguntas e tirar dúvidas e curiosidades.

Durante o evento ainda houve muito jogo e campeonato em diversas idades e categorias conforme as graduações. “O bom é que não é uma competição em que joga um contra o outro. Jogam um com o outro, aí quanto mais movimentos aparecerem no jogo, melhor fica para serem julgados. Entra na análise o nível técnico, volume de jogo, continuidade dos movimentos”, explica Mestre Capixaba, fundador do grupo A.C.A.P.O.E.I.R.A.

Na dinâmica criada, um conjunto de mestres avalia os competidores, que precisam realizar três jogos de um minuto – o que pode ser muito tempo na capoeira - em três ritmos diferentes. No toque de Benguela o jogo é lento, no de Iúna exige técnica, pois os jogadores não podem tocar um no outro, e no São Bento Grande o ritmo sobe e valem todos os golpes como saltos, quedas, pontapés. Desta maneira, se busca avaliar o capoeira de maneira completa.

Entre os destaques estiveram Jonatha Santos, o Pé Preto, de Vila Velha, campeão na categoria Avançada de Corda Roxa até Vermelha e Preta, e Flaviane Leles, a Piu-Piu, de Cachoeiro de Itapemirim, ganhadora da categoria Avançada de Corda Azul até Verde e Roxa, e que se classificou para participar do Encontro Europeu do grupo, que acontece em novembro em Frankfurt e agora está buscando patrocínio para a viagem. 

O número de mulheres na capoeira não para de aumentar, como explica o Mestre Capixaba. “À medida que o tempo passa, o número de mulheres vai aumentando. Começa lá atrás e ajuda a melhorar a aceitação da sociedade sobre a capoeira. Começou com as mulheres levando seus filhos para treinar capoeira, e depois elas começaram a praticar. Ainda existia a ideia de que capoeira era coisa de homem. À medida que começaram a treinar foram evoluindo na capoeira e hoje temos mulheres formadas que são mestres, além de muitas professoras dando aula. As mulheres chegaram para somar e multiplicar na capoeira”.

Outro destaque foram as aulas especiais para crianças, com destaque para a pedagogia aplicada pelos professores Parede e Fantasma, mestrandos de Mestre Farmácia no Rio de Janeiro. Eles trouxeram elementos lúdicos, como uso de fantasias  e brincadeiras para promover maior interação com os pequenos capoeiristas. 

Das crianças e adultos iniciantes aos longevos mestres discípulos de Mestre Bimba, a capoeira segue transmitindo saúde e, principalmente, cultura afrobrasileira.

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