Vereador de Vitória, que virou alvo de representação após investida de Pazolini, disse confiar no presidente da Câmara
Ao ser questionado por Século Diário sobre a ameaça de cassação feita pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), no último dia 12, durante a prestação de contas na Câmara Municipal, o vereador Vinícius Simões (Cidadania) disse, nesta segunda-feira (17), que teme não só pela perda do seu mandato: “Meu temor maior é sobre a minha integridade física e da minha família. Mas não vou parar, pois não estou fazendo nada de errado. Aliás, estou cumprindo uma obrigação constitucional: fiscalizar. Não posso perder o mandato porque estou obedecendo a lei”, ressaltou.
A declaração é decorrente da representação encaminhada ao presidente da Câmara, Leandro Piquet (Republicanos), pedindo a cassação do mandato do vereador, cinco dias depois dele ser alvo de Pazolini, que disse, ao prestar contas, que Corregedoria deveria abrir um processo de cassação de mandato contra o vereador, condenado por danos morais, com trânsito em julgado, referindo-se, sem citar o nome, a Vinícius Simões.
O corregedor-geral da Câmara, Leonardo Monjardim (Patriotas), não se manifestou sobre o assunto nesta segunda-feira, “por estar cumprindo agenda que não poderia ser interrompida”. A previsão é que a situação permaneça inalterada até o dia 23, devido às restrições registradas no legislativo decorrente de obras de reestruturação.
“O prefeito disse que ‘o vereador que ofender a hora de alguém, perde o mandato’. Não há nenhuma lógica jurídica sobre isso. A Justiça me obrigou a indenizá-lo por que fiz uma postagem, em 2020, em que diz que ofendeu a honra dele. Paguei a indenização. É um processo cível, não é criminal. Já se encerrou. Analiso essa atitude do prefeito como uma afronta à ordem democrática”, comenta Vinícius.
O documento em que é pedida a cassação do mandato, segundo Vinícius, está assinado pelo ex-candidato a deputado estadual pelo União Brasil Wanderley da Silva Ferreira, o Thor do Império, que já foi condenado a 25 anos de prisão, nos anos 90, pelo assassinato do diretor social do Clube Náutico Brasil, José Carlos Preciosa. Preso depois de fugir várias vezes, foi libertado em 2017.
Vinícius diz que “ficou claro, no evento, que o prefeito me considera o seu principal opositor e por isso quer me aniquilar. Em minha opinião, Pazolini tentou desviar a atenção dos inúmeros desastres cometidos por ele contra a população, trazendo à tona um factoide, uma situação descabida, sem fundamento algum contra mim”.
Sobre sua atuação na Câmara, ressalta: Quando assumi em fevereiro [na vaga aberta com a eleição para a Assembleia de Denninho Silva, do União], iniciei um trabalho incessante e estratégico de oposição ao prefeito em defesa da população da cidade. Denunciamos falhas graves no serviço público municipal na saúde, educação e assistência”.
Para ele, “tudo isso prova que nosso mandato está forte, independente e no caminho certo como oposição e em defesa da população de Vitória. Isso está causando muito desconforto ao prefeito”, aponta Vinícius, e enfatiza: “Confio no presidente da Câmara. Confio nos vereadores. Mandato se ganha e se perde na eleição. Claro, se houver corrupção comprovada em um governo ou em um parlamentar, aí sim, deve ser cassado”.
O vereador afirma que não irá mudar: “Vou continuar com a mesma velocidade e intensidade defendendo a população da minha cidade. Não tenho nada contra a pessoa do Pazolini. Eu apenas vou continuar a fazer um mandato livre, independente e sintonizado com a população”, reiterou.
Vinícius Simões integra juntamente com os vereadores André Moreira (Psol) e a vereadora Karla Coser (PT) a oposição ao prefeito Lorenzo Pazolini. Durante a prestação de contas do prefeito, feita fora do prazo regimental, os três foram os únicos a colocar questionamentos, cobrando compromissos assumidos, destoando do outros 12 vereadores, que formam a base do Executivo. Pazolini não respondeu às perguntas.