Coser abriu discurso em defesa do sacerdote e da Igreja Católica e foi seguido por Mazinho e Iriny Lopes
Os ataques ao pároco da Paróquia Santa Teresa de Calcutá, localizada no Território do Bem, padre Kelder Brandão, voltaram a ser assunto na sessão da Assembleia Legislativa desta terça-feira (12). Os deputados estaduais João Coser (PT) e Iriny Lopes se posicionaram em defesa do sacerdote, da Arquidiocese de Vitória e do Serviço de Engajamento Comunitário (Secri), localizado no bairro São Benedito. O deputado Mazinho dos Anjos (PSDB) também se pronunciou, mas com um foco maior na defesa do projeto social.
João Coser foi o primeiro a se pronunciar, registrando sua “solidariedade, respeito e carinho ao padre Kelder e aos moradores” e afirmou que o sacerdote é “respeitado, valorizado e de grande compromisso com o Território do Bem”. Quanto ao vídeo exibido pelo deputado estadual Coronel Welinton (PTB) na sessão dessa segunda-feira (11), no qual mostra um suposto baile com armas e drogas nas dependências da comunidade católica de São Benedito e que motivou acusações e ofensas direcionadas ao padre Kelder, à Arquidiocese de Vitória, e até mesmo à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Coser afirmou ter tido “a infelicidade de ver deputados replicando sem o devido cuidado de checar as informações”.
Acusações
Após a exibição do vídeo durante a sessão, o primeiro parlamentar a se pronunciar foi Dary Pagung, dizendo que a “quadra da Igreja é para ajudar na fé, nos louvores”. Afirmou, ainda, acreditar que a Arquidiocese de Vitória não estava ciente. “Fico abismado ao ver as imagens, ainda mais num local que era para cultuar a Deus”, afirmou. Depois de Dary Pagung, quem falou sobre o assunto, em tom bastante agressivo, foi Lucas Polese.
Ele ressaltou estar “estarrecido, e não surpreso”, e prosseguiu dizendo que é “o que se espera quando ouço o nome do padre Kelder relacionado”. Polese acusou o sacerdote de, em 2022, ter utilizado o altar da igreja “para pedir voto para o PT” e recordou as recentes críticas do pároco às ações da PM no Território do Bem. “Um padre mais preocupado em perseguir a polícia, em condenar a polícia, em atacar o trabalho policial, do que pregar a palavra de Deus, o Evangelho”, acusou.
Lucas Polese também mostrou a manchete de uma matéria do jornal A Gazeta sobre dois jovens mortos pela PM em Alvorada, Vila Velha, nessa sexta-feira (8). A manchete trazia a afirmação do pai de um dos jovens, que dizia que o rapaz não estava armado. O deputado acusou o jornal de defender o crime organizado e mostrou vídeos que, segundo ele, mostravam a ação de pessoas ligadas às vítimas, atacando ônibus na região após as mortes.
Em seguida, voltou a atacar padre Kelder, ao dizer que, diante das recentes ações da PM no Território do Bem, o sacerdote “estava militando na Gazeta, no Século Diário, dizendo que a PM perseguia a comunidade dele quando fazia operação lá”. Ainda acusou o pároco de não conhecer “o Evangelho que ele prega”. “Se conhecesse saberia que não roubarás é um mandamento, que aborto vai contra as diretrizes da Igreja Católica, que a ideologia de gênero também vai contra, que o assalto promovido pelo PT vai contra tudo que ele defende”, disse.
Em referência à entrada de policiais com cães farejadores nas dependências da comunidade Imaculada Conceição, em Itararé, ocorrida em julho último, e encarada como uma forma de intimidar Kelder, o deputado disse que “quando a PM vai pegar droga nos arredores da igreja, é contra [o padre] e quer tirar de lá”. Também disse que quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se pronunciava sobre algum assunto “em cinco minutos tinha cartinha da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil]” e desafiou a instituição a fazer o mesmo em relação a Kelder.

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