Pagamentos do 13º, salário e tíquete estão atrasados; rescisão também não foi paga
Trabalhadores que prestam serviço para a Seacrest, por meio da empresa Sudamin, impediram o acesso de pessoas e veículos à Fazenda Alegre (FAL), uma estação de tratamento de óleo que fica em Jaguaré, no norte do Espírito Santo. A motivação para o protesto foi o atraso do salário e do vale alimentação referentes a novembro e a não previsão de pagamento do 13º de 60 empregados. Outros 30 se queixam do não pagamento da rescisão efetivada há dois meses.

O secretário de Administração e Finanças do Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito Santo (Sindimetal/ES), Roberto Pereira de Souza, relata que os trabalhadores estão com as atividades paralisadas desde essa terça-feira (3). Por isso, a Sudamin se comprometeu a fazer os pagamentos nessa quinta (5), mas não cumpriu, o que motivou o protesto.
Roberto informa que a Seacrest argumenta que está em dificuldades financeiras, e, inclusive, vendeu 25% dos ativos que comprou da Petrobras. Diante dessa situação, não tem pago a Sudamin e outras empresas prestadoras de serviço. No entanto, o dirigente sindical afirma que as demais, mesmo assim, têm efetivado o pagamento dos funcionários.
O montador de andaime Jeferson Santos Silva afirma que os trabalhadores estão passando por dificuldades. “A sensação é horrível. Há quatro meses que vem atrasando. Tem gente que o aluguel está vencendo, não está em condições de fazer compras do mês”, diz.
Jeferson relata que os trabalhadores se sentiram constrangidos com a presença da Polícia Militar (PM) no local, pois “estão fazendo um protesto pacífico”. Ele destaca, ainda, que novamente, nesta sexta-feira (6), a Sudamin falou que não tem dinheiro para fazer os pagamentos.

A Seacrest comprou ativos da Petrobras no Polo Norte Capixaba em janeiro de 2022. A negociação abrangeu os cinco maiores campos de petróleo em terra do Estado, cuja assinatura do contrato de venda ocorreu em fevereiro de 2022. Os campos estão distribuídos entre os municípios de São Mateus, Jaguaré e Linhares.
Impacto ambiental
O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro/ES) se posicionou contra a venda dos ativos da Petrobras para a Seacrest. Um dos argumentos eram os impactos ambientais que isso poderia trazer. O coordenador-geral do sindicato, Valnísio Hoffmann, declarou na ocasião que a Seacreast tem um histórico de “pequenos incidentes”, como derramamento de petróleo em campos terrestres e rompimento de dutos. De acordo com Hoffmann, havia, ainda, relatos de precarização das condições de trabalho, como jornada extensa e falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
Em outubro último, o poço de Inhambu, pertencente á empresa e situado em São Mateus, no norte, sofreu blowout, ou seja, um vazamento descontrolado. O sindicato apontou que a causa pode ter sido problemas no manuseio. A entidade soube do problema ao receber vídeos de moradores da região e contatou a empresa para obter informações oficiais, mas a Seacrest se limitou a dizer que estava enviando uma equipe ao local.
A Seacrest está envolvida em outros acidentes ambientais. Em março de 2023, foi responsável pelo vazamento de aproximadamente 1,1 mil litros de petróleo, em Linhares, norte do Estado, no Polo Cricaré. Contudo, não foi multada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Em nota, a autarquia informou que sua equipe de fiscalização “vistoriou o local onde houve um vazamento em um tanque de armazenamento temporário de óleo bruto (…) atingido uma área estimada em 2000m²” e que “lavrou auto de intimação determinando a limpeza imediata e a correta destinação dos resíduos”.
Estima-se que o vazamento tenha demorado alguns dias para ser detectado. “O derramamento de óleo ocorreu no município de Linhares, num poço de pequena produção de petróleo, com média de dois barris por dia, o que equivale a 300 litros. Com uma produção tão pequena, o poço deve estar há alguns dias em vazamento, o que promove um alerta ainda maior, visto que não há um mínimo de ações de prevenção e de cuidado por parte da empresa”, declarou na ocasião a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a partir de denúncia do Sindipetro.