Gestão de Dito Silva mudou unidade para tempo integral sem as devidas melhorias

Familiares de estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Santa Joana, em Muniz Freire, no sul do Estado, denunciam a precariedade das condições estruturais da unidade e cobram transparência sobre a aplicação dos recursos repassados pelo Programa Capixaba de Fomento à Implementação de Escolas Municipais do Ensino Fundamental em Tempo Integral (Proeti). Eles exigem que a prefeitura, sob gestão de Dito Silva (PSB), cumpra a promessa feita no primeiro semestre de 2024, de que a escola passaria por reformas e ampliações durante as férias escolares, e reivindicam a reversão do regime de ensino para tempo parcial até que as adequações ocorram.
As demandas foram temas de protesto na entrada da unidade, nessa terça-feira (1º). O líder comunitário Elizeu Gonçalves, conhecido como Mazola, afirma que a unidade foi convertida para o regime de tempo integral no início de 2024, sem que houvesse estrutura adequada para isso. “Os pais aceitaram essa reforma, porém isso trouxe muitos problemas”, acrescentou. Entre as dificuldades apontadas, estão a falta de água potável, a superlotação das salas de aula, mofo nas instalações, falta de segurança e alta rotatividade de professores.
“Foi prometido que teríamos uma ampliação, mas até agora nada foi feito. Se não for feita a reforma, queremos o tempo parcial de volta, porque não dá para continuar do jeito que está”, enfatizou.
Após o protesto, a Secretaria Municipal de Educação se comprometeu a marcar uma reunião com os responsáveis pelos estudantes, para discutir soluções. “Se até sexta-feira (5) não houver um retorno e uma data definida, vamos para a porta da prefeitura na próxima semana e faremos uma nova manifestação”, garantiu Mazola.
Ele acrescenta que, no ano passado, o prefeito e o secretário de Educação, Joanes de Castro Pereira Boim, fizeram uma reunião com os pais, alegando que precisavam passar a escola para tempo integral. Prometeram que fariam uma reforma com R$ 3 milhões que já estavam em caixa, mas nada foi feito”, critica. “Antes, a mesma estrutura atendia cerca de 150 alunos de manhã e 150 de tarde. Agora, colocaram todos os alunos no mesmo período, e não estão dando conta de organizar e manter isso”, denuncia.
As famílias também têm cobrado transparência sobre a aplicação dos recursos captados por meio do Programa Capixaba, que verificam não terem sido investidos em melhorias para a escola. “Fomos olhar e, por cada aluno, hoje a prefeitura recebe R$ 8 mil por ano. Passaram para tempo integral para captar recursos, mas não sabemos para onde esse recurso está sendo destinado. A sensação é que nossos filhos foram usados”, enfatiza.
Apesar das promessas de adequação da estrutura, o líder comunitário relata que foram feitas apenas reformas paliativas, como a construção de salas improvisadas em espaços inadequados. “Ergueram uma sala minúscula no espaço do recreio, outra embaixo da escada, sem nenhuma janela, sem ventilação”, descreve.

A precariedade estrutural da escola tem gerado problemas de saúde nos alunos. Pais relatam que o excesso de mofo nas salas de aula provoca crises alérgicas e respiratórias em diversas crianças. Além disso, a superlotação e a falta de ventilação adequada agravam o desconforto dos estudantes e prejudicam o desempenho.
A situação tem levado alguns pais a retirarem seus filhos e matricularem em escolas em outros municípios, acrescenta Mazola. “As salas de aula estavam superlotadas, mas agora pode ser que diminua, porque muitos estão desistindo. Aceitamos no primeiro ano, acreditando que a reforma seria feita nas férias. Mas iniciamos o ano letivo nas mesmas condições”, reitera. Também em 2024, ele relata que a escola chegou a ficar sem merenda e os pais tiveram que enviar alimentos e água de casa para que seus filhos não passassem fome.
Outro problema apontado é a falta de professores e a alta rotatividade, resultado das remunerações abaixo do mínimo estipulado na lei do piso do magistério, falta de pagamento de auxílio combustível, entre outras condições que precarizam o trabalho. “Todo dia troca de professor, porque estão indo para cidades vizinhas, onde a remuneração é quase o dobro e os benefícios são pagos em dia”, explicou. Ele ressalta a preocupação com as constantes trocas, que impedem a continuidade no ensino e afetam a qualidade da aprendizagem.
Os professores da rede de ensino de Muniz Freire também realizaram uma manifestação em frente à prefeitura em março. Eles reivindicam que a gestão do prefeito Dito Silva (PSB) pague o piso do magistério, conceda vale-alimentação para os docentes que atuam em Designação Temporária (DTs), e coloque em dia o auxílio-transporte, que está atrasado há oito meses.