Pandemia destacou relevância da Pedagogia da Alternância para Educação do Campo. Regulamenta-la é prioridade em 2021
“Nada substitui a mediação de um professor no processo de ensino e aprendizagem do educando”. A frase, que pode parecer um chavão, brota com ênfase e verdade da conversa com Fátima Ribeiro, professora da Escola Estadual Paulo Damião Tristão Purinha, do Assentamento Sezínio Fernandes de Jesus, em Linhares no norte do Estado, e integrante do setor de Educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A pandemia, afirma, ressaltou essa importância. As escolas localizadas em assentamentos procuraram manter as atividades típicas da Pedagogia da Alternância (PA). “Fizemos uma série de atividades que a criançada pôde realizar mesmo em casa”, conta, citando plantios de árvores, poesias e outras atividades artísticas e as pesquisas, que em muitos momentos dialogaram com a temática da crise sanitária mundial.
“Claro que muitas crianças tiveram muita dificuldade de fazer esse acompanhamento, nem nós estamos jogando essa responsabilidade acadêmica pros pais. Muito pelo contrário. A pandemia mostrou a urgência da valorização do educador, que é peça fundamental pro desenvolvimento integral, a formação integral do educando”, argumenta.
Sobre o retorno presencial em fevereiro, Fátima conta que as escolas de assentamento estão programando reuniões com as famílias para levar o posicionamento ao governo do Estado. “Em 2021 um debate que vamos fazer é sobre a obrigatoriedade de voltar pra escola. As famílias, ainda mais agora, com novo crescimento da pandemia, estão receosas. Estamos aguardando audiência com o secretário”, informa. “A vida acima de tudo!”, exclama.
Nesse sentido, o MST seguirá com a perspectiva de formação dos educadores, nos moldes tradicionais, com ênfase na abordagem socioambiental, e fazer o máximo pra que as famílias e educadores não contraiam o vírus. “Pensar na vida é pensar em preservação do meio ambiente, plantar árvores, cuidar do solo, praticar a agroecologia …”, elenca.
O setor de Educação do MST cuida de 26 escolas, onde estudam 1,5 mil crianças e adolescentes. Todas seguem a Pedagogia da Alternância dentro do possível, considerando as amarras impostas pela Sedu. No Mepes, são 18 escolas que aplicam a metodologia a 2,1 mil alunos. Oito delas estão ligadas à Regional das Associações dos Centros Familiares de Formação em Alternância do Espírito Santo (Raceffaes), que soma, no total, 25 escolas com a Pedagogia da Alternância, beneficiando 1,2 mil estudantes. Pontos de luz no universo de 1.025 escolas municipais e estaduais e 72 mil estudantes do campo, que continuam sendo alijados de seu direito de uma educação de qualidade e alinhada com as especificidades do campo.
Outras regulamentações necessárias e antigas, elenca Fátima, são das diretrizes da Educação do Campo e das escolas de assentamentos. “Vamos continuar na batalha. São coisas que não podem mais ficar na dependência desse ou daquele governo, precisam se tornar políticas de Estado, para o bem da Educação do Campo e do conjunto dos sujeitos do campo, com suas especificidades”, defende.

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