Justiça determinou Júri Popular para motorista, mas defesa recorreu

No próximo dia 15 de abril, a morte da modelo Luisa da Silva Lopes, atropelada por uma motorista embriagada em Vitória quando tentava atravessar a rua de bicicleta, completará três anos. Para celebrar a memória de Luisa e reforçar o apelo por justiça, haverá um ato neste domingo (13), às 9h, em frente ao Clube dos Oficiais, na orla de Camburi.
Os organizadores, o que inclui familiares da modelo e cicloativistas, pedem doações para revitalizar o bikeghost, bicicleta branca instalada em homenagem a Luisa, e também custear a produção de outros materiais, como panfletos informativos e adesivos. Para isso, basta fazer um pix para a mãe da modelo, por meio da chave [email protected].
Outra forma de contribuir é doando alguns dos materiais necessários, incluindo tinta spray vermelha ou branca, tinta para piso branca, flores artificiais e naturais, fitas coloridas e adornos. A indicação também é de que, quem puder, compareça ao ato de bicicleta.
“É muito importante fazer esse ato para que a Luisa não caia no esquecimento, tanto por parte da população em geral quanto da própria Justiça. O que aconteceu foi um crime, e não vamos deixar que fique impune. O ato também não é só por ela, mas por todas as famílias que passam por esse tipo de situação”, afirma a professora Adriani Luiza da Silva, mãe da jovem.
Em uma decisão recente, o juiz do caso decidiu que a corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira, que dirigia o carro que atropelou Luisa, deve ir a Júri Popular. Entretanto, a defesa recorreu, e o processo segue em tramitação. Não há previsão de quando ocorrerá o julgamento.
“A partir do momento em que a motorista ingeriu a bebida alcoólica, ela assumiu o risco de matar, e por isso precisa ir a Júri Popular. Já está comprovado que ela bebeu antes de dirigir, não tem nem como contestar isso”, defende o advogado Ildo Almeida, que acompanha a família de Luisa no caso.
Adriana Felisberto Pereira dirigia embriagada, acima da velocidade permitida, e vitimou Luisa fatalmente em frente ao Clube dos Oficiais, onde chegou a arrastar seu corpo por cerca de 40 metros. O crime aconteceu em abril de 2022. Sua irmã estava com ela no carro. Antes as duas tinham ido a dois bares, um em Jardim Camburi e outro no Triângulo, na Praia do Canto.
Câmeras de videomonitoramento de um dos bares em que Adriana esteve com a irmã e a comanda de consumo atestam que ela bebeu antes de dirigir. A Polícia Civil identificou que ela levou um copo de cerveja à boca 23 vezes em cerca de 30 minutos, e também ingeriu vodka.

Em dezembro de 2022, oito meses depois do crime, Adriana Felisberto foi denunciada à Justiça pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Entretanto, não foi pedida sua prisão, o que foi contestado pela mãe da vítima. “Diante de tantas provas, meu sentimento é de indignação”, desabafou na ocasião.
Além das provas de que a corretora foi responsável pelo atropelamento, Adriani recordou as palavras ditas pela mulher que atropelou sua filha, que se preocupou muito mais com o estado em que se encontrava seu carro do que com a vítima, inclusive, referindo-se a Luisa com frieza e discriminação, ao proferir frases como “ela provavelmente era uma empregada doméstica sem importância” e “não quero saber dela, não”.
A morte da modelo causou grande comoção, o que motivou a realização de protestos. A jovem estudava Oceanografia e participava de projetos de Carnaval, capoeira e dança. Em dezembro de 2022, foi inaugurado, no Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN) da Ufes, o prédio Luisa da Silva Lopes, dedicado ao Módulo III da Pós-Graduação, no campus de Goiabeiras. O nome foi uma escolha da própria comunidade universitária, por meio de edital cultural.