Poço da Seacrest, no norte, teve escape de fluidos, com danos ambientais

Um poço do campo de petróleo de Inhambu, da empresa Seacrest, em São Mateus, no norte do Estado, sofreu um blowout, ou seja, um vazamento descontrolado. O acidente ocorreu nessa quarta-feira (16). O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro/ES) aponta que a causa pode ter sido problemas no manuseio. A entidade soube do problema ao receber vídeos de moradores da região e contatou a empresa para obter informações oficiais, mas a Seacrest se limitou a dizer que estava enviando uma equipe ao local.
A Seacrest adquiriu, no Governo Bolsonaro (PL), campos da Petrobras no norte do Espírito Santo, sendo 27 no pólo Cricaré, 5 no pólo Norte Capixaba, além do Terminal Norte Capixaba. O diretor de Comunicação do Sindipetro, Etory Sperandio, afirma que empresas como a Seacrest, ao contrário da Petrobras, que tem mais de 70 anos, não têm expertise na condução de projetos de óleo e gás.
“Foram montadas três anos antes das vendas da Petrobras e usam muito mão de obra terceirizada, que muitas vezes também não tem muita expertise para esse tipo de trabalho”, afirma.
Nas imagens encaminhadas para o Sindipetro, afirma Etory, não é possível perceber se há cursos d’água no local do acidente, mas parece haver uma vegetação rasteira, que destaca, agora está contaminada. Ele informa que o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) já foi acionado e explica que é necessário um procedimento adequado para a retirada do material expelido, devendo, ainda, ter a retirada do solo a depender da quantidade que penetrou nele e depois descarte no local correto.
A não retirada do material e do solo, bem como o descarte inadequado, podem causar danos ao meio ambiente, segundo Etory. Ele afirma que em caso de chuvas o material pode contaminar o lençol freático, além de fazer o mesmo com a fauna, a flora e seres humanos. Além disso, em alguns casos, um blowout pode causar irritação no sistema respiratório por causa dos óxidos de enxofre. O dirigente sindical comemora o fato de não ter havido vítimas fatais, mas alerta que esse tipo de acidente pode ter “alto potencial de dano”.
Etory afirma que o Sindipetro irá cobrar informações da empresa sobre o ocorrido e acompanhar a investigação junto aos órgãos ambientais. “A Seacrest deve essas informações à sociedade, à imprensa, aos trabalhadores, acionistas, aos órgãos ambientais de controle e ao sindicato, que representa os trabalhadores”, defende. Ele destaca que o Sindipetro não é contra o investimento privado, mas isso tem que ser feito com “responsabilidade social, ambiental e com a segurança dos trabalhadores”.
A Seacrest está envolvida em outros acidentes ambientais. Em março de 2023 a empresa foi responsável pelo vazamento de aproximadamente 1,1 mil litros de petróleo, em Linhares, norte do Estado, no Polo Cricaré. Contudo, não foi multada pelo Iema. Em nota oficial, a autarquia informou que sua equipe de fiscalização “vistoriou o local onde houve um vazamento em um tanque de armazenamento temporário de óleo bruto (…) atingido uma área estimada em 2000m²” e que “lavrou auto de intimação determinando a limpeza imediata e a correta destinação dos resíduos”.
Estima-se que o vazamento tenha demorado alguns dias para ser detectado. “O derramamento de óleo ocorreu no município de Linhares, num poço de pequena produção de petróleo, com média de dois barris por dia, o que equivale a 300 litros. Com uma produção tão pequena, o poço deve estar há alguns dias em vazamento, o que promove um alerta ainda maior, visto que não há um mínimo de ações de prevenção e de cuidado por parte da empresa”, declarou na ocasião a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a partir de denúncia do Sindipetro.