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Protesto de moradores faz prefeitura retomar carros-pipa em São Mateus

Após protesto dos moradores de Pedra d'Água e arredores, em São Mateus (norte do Estado), que fechou a Rodovia Othovarino Duarte Santos na noite dessa quinta-feira (4), a prefeitura retomou o serviço de fornecimento de água potável à população por carros-pipa. Os primeiros abastecimentos aconteceram até às 4h da manhã desta sexta-feira (5), sendo retomados ao longo do dia, expandindo-se para outros bairros. Cinco caminhões já estão em uso e outros dez irão chegar durante o sábado e domingo.

Em paralelo, as torneiras voltaram a jorrar água salgada – salgada, não salobra – depois de alguns dias trancadas, por decisão judicial. O diretor-presidente da autarquia, René Michel, enfatiza que a água das torneiras não pode ser usada para ingerir ou preparo de alimentos, sendo destinada à lavagem de roupas e louça, descargas no vaso sanitário e banho.

A dobradinha água salgada na torneira e água potável dos caminhões será mantida até que novos poços artesianos sejam perfurados, o que deve acontecer na próxima semana, segundo expectativa do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) do município.

“Contratamos um geólogo, que estudou os pontos. A água será injetada diretamente nas redes que levam aos bairros, sem passar pela Estação de Tratamento de Água (ETA). Vamos fazer análise e, se preciso, faremos a dosagem de cloro na própria linha”, conta o diretor-presidente.

Os poços terão de 200m a 250 m de profundidade e a vazão mínima será de 50 mil litros por hora, o que deve contornar, segundo ele, os problemas gerados em 2016, quando muitos poços perfurados simplesmente não jorraram água. “Aqueles poços não alcançaram o aquífero”, explica René.

Cavando buraco n'água

A crise hídrica em São Mateus já dura anos e sacrifica a população, que é obrigada a se banhar com água salgada – o que causa, obviamente, vários desconfortos – e a conviver com longos períodos de torneiras secas e transtornos para abastecimento via caminhões-pipa.

O problema é a redução da vazão do Rio Cricaré, devido à seca no norte do Estado, o que faz com que a água do mar entre no rio, chegando até o ponto de captação do SAAE. Essa “cunha salina” forma uma camada densa, na parte baixa do rio, exatamente onde é feita a captação.

A solução, a médio prazo, é passar a captação para um ponto cerca de 15 km acima do atual, mas ainda não se tem data para iniciar a obra. E o reflorestamento das matas ciliares do rio, então, verdadeira solução a longo prazo, sequer está sendo discutido pelos entes públicos. “O foco no momento é garantir a distribuição de água potável por carros-pipa e poços”, afirma o diretor-presidente do SAAE. 

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