Os manifestantes protestaram no Estado contra a corrupção no governo e atuação de militares na política
Por vacina, emprego, mais comida e a saída da política de militares da ativa, milhares de pessoas tomaram as ruas neste sábado (24) em mais de 400 cidades brasileiras, incluindo Vitória e outras cidades do Espírito Santo, na quarta manifestação da série de protestos pelo fim do governo Bolsonaro iniciados em todo o país em maio, com número cada vez maior de participantes. O ato trouxe a público também as denúncias de corrupção na compra de vacinas e a ameaça de um golpe contra a democracia, que coloca em risco as eleições de 2022.
Professores, estudantes, políticos, empresários, movimentos sociais e religiosos, centrais sindicais e ativistas se unem no grito “Fora Bolsonaro”, que ocorre também em 15 países, no momento em que o Brasil registra mais de 550 mil mortes pela Covid-19. Houve distribuição de máscaras e álcool em gel e frequentes recomendações para o respeito às normas médico-sanitárias de distanciamento. A estimativa é de uma participação entre sete a oito mil pessoas, muito acima do evento de 3 de julho.
A concentração foi marcada para as 14 horas nas imediações do Instituto Federal de Educação (Ifes), desde a praça de Jucutuquara até a Avenida Paulino Muller e a rua João Santos Filho. Mas a partir de meio-dia, grupos de manifestantes começaram a se posicionar, a pé, de bicicleta, moto e de carro para a carreata em direção à praça do Papa, na Enseda do Suá, onde ocorreu o encerramento, com uma apresentação relacionada ao Dia Internacional da Mulher.
Sobre a ameaça do general Braga Neto, chefe da Casa Civil, de que não irá ter eleição, o parlamentar afirmou: “Isso tem dois sinais, o primeiro é que o governo está derretendo e, do outro lado, é que eles estão preparando algum tipo de obstáculo ou golpe para evitar que a gente vença as as eleições de 2022. Vamos denunciar o discurso autoritário e continuar organizando o nosso povo, os partidos políticos, para denunciar todo tipo de tentativa como essa”.
Fernanda Samoa, bibliotecária residente em Vila Velha, pontuou: “Estou aqui para protestar. Sou servidora pública e com essa Covid, a situação ficou insustentável”. Já Marieta Gonçalves dos Santos, psicóloga, estava no protesto para lutar pelos direitos dos trabalhadores e contra o governo fascista. “A gente quer mais vacina e fora Bolsonaro”.
Para José Adílson, presidente do Sindicato dos Estivadores, além das questões da falta de vacina, a manifestação tem a finalidade, também, de protestar contra o programa de privatização do governo, que atinge os portos de todo o Brasil. “Os trabalhadores estão na luta”.
Outras lideranças políticas, sindicais e religiosas participaram do evento, com uma duração aproximada de três horas, com organização a cargo da ala estudantil, a fim de não congestionar o trânsito, contando com a colaboração da Polícia Militar e da Guarda Municipal de Vitória. Entre eles, o senador Fabiano Contarato (Rede), o ex-prefeito João Coser (PT) e as vereadoras de Vitória Karla Coser (PT) e Camila Valadão (Psol).
Camila fez um discurso contra o fascismo e defendeu a memória do ativista Lula Rocha, falecido recentemente e que teve sua memória agredida na Câmara por um vereador bolsonarista, Gilvan da Federal (Patri), que foi vaiado ao ter o seu nome citado.