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Prefeito eleito de Laranja da Terra é acusado de compra de votos

Ação apresenta depoimentos que admitem recebimento de dinheiro de Joadir Lourenço

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O prefeito eleito de Laranja da Terra, na região serrana do Estado, Joadir Lourenço (PSDB), é acusado de compra de votos nas eleições de outubro deste ano. A acusação consta em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), protocolada nessa quarta-feira (4) pela chapa que ficou na segunda colocação, formada por Florisvaldo Kester (MDB) e Carlinhos da Saúde (PSB).

Na ação, constam como provas os depoimentos registrados em cartório de dois eleitores que admitem o recebimento de dinheiro para votar no candidato vencedor, junto com comprovantes de transferência bancária por pix. Diante disso, foi solicitada que a diplomação de Joadir e de seu vice, Douglas Brandão (PSDB), seja suspensa, que haja a quebra dos sigilos bancários dos investigados, e se aplique os demais meios necessários para a produção de provas.

Em decisão publicada nesta sexta-feira (6), a juíza Walméa Elyze Carvalho Pepe de Moraes, da 7ª Zona Eleitoral de Baixo Guandu, reconheceu haver elementos que poderiam sustentar a solicitação de suspensão da diplomação, mas considerou que tal medida sumária significaria “um desrespeito à livre manifestação e escolha dos eleitores nas urnas”, considerando também que o acusado não teve tempo para apresentar a defesa – indeferindo, portanto, a liminar.

Também foi pedido na ação que, ao final do processo, os integrantes da chapa eleita sejam declarados inelegíveis por oito anos, que os seus votos sejam anulados, e que haja a convocação de novas eleições.

Segundo o processo, uma eleitora afirma ter recebido R$ 700 para se deslocar da Serra, município da Grande Vitória, onde mora, até Laranja da Terra, para votar na chapa de Joadir Lourenço. Ela disse que foi procurada por Fernando Lourenço Marques, filho de Joadir, e a esposa de Fernando, Paloma Rossmann Briscke, a responsável por transferir o dinheiro, conforme comprovante anexado à ação.

Outro eleitor, morador do próprio município de Laranja da Terra, declarou que recebeu R$ 1 mil de Fernando Lourenço Marques para votar em Joadir, referendando seu depoimento com o comprovante da transferência por pix. Os dois declararam que o vínculo com os acusados se restringiu à suposta transação ilícita.

A AIJE aponta também que há indícios de transferência fraudulenta de títulos eleitorais para Laranja da Terra com o intuito de arregimentar eleitores para votar no candidato vencedor. Isso porque, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral do Espirito Santo (TRE-ES), houve um aumento significativo de eleitores no município: de 8,9 mil em 2020 para 9,5 mil em 2024.

“Há ainda provas cabais e idôneas que os investigados concorreram para a prática de compra de votos, indicando ser apenas uma pequena fração de um montante de pessoas que receberam pagamento, vantagens ou custeios em troca de votos para o candidato eleito”, diz a ação, informando que um outro eleitor também apresentou um comprovante de pix de R$ 200 para votar no candidato vencedor.

Joadir Lourenço foi eleito com 4.028 votos (49,43%), apenas sete a mais do que o segundo colocado, Florisvaldo Kester – fato apontado na petição do processo como mais um indício de anormalidade no processo eleitoral, tendo em vista que pesquisas de intenção de voto supostamente apontavam Kester como líder na disputa. Helder Perozini (PL) foi o terceiro e último colocado na eleição majoritária do município, com 100 votos (1,23%).

Lourenço foi prefeito de Laranja da Terra em dois mandatos, de 2009 a 2016. Em 2020, ficou em segundo lugar, perdendo para Josafá Storck (MDB), que se reelegeu. Ex-vereador, Florisvaldo Kester é o atual vice-prefeito, compondo Josafá em seus dois mandatos. Nas eleições de outubro deste ano, Florisvaldo contou com o apoio declarado do governador Renato Casagrande (PSB), além do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), do deputado federal Evair de Melo (PP) e de outras lideranças políticas estaduais.

Século Diário não conseguiu contato com Joadir Lourenço para falar das acusações, até o fechamento desta matéria.

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