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‘Se for um partido da base do governador, não vejo problema na fusão’

Deputado Mazinho dos Anjos avalia as possibilidades para o PSDB

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Lucas S.Costa/Ales

Até fevereiro deste ano, a incorporação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) a outra sigla do mercado político nacional era dada como certa. Entretanto, há um movimento de filiados que relutam em aceitar que um partido que já ocupou a Presidência da República perca o seu nome e princípios programáticos.

As articulações nacionais são acompanhadas de perto por políticos tucanos do Espírito Santo. O deputado estadual Mazinho dos Anjos, secretário-geral do PSDB no Estado, afirma que participou de uma reunião há um mês, em que o presidente nacional da sigla, o ex-governador de Goiás Marconi Perillo, explicou que a negociação em curso não envolve incorporação, e sim fusão com outra sigla. Mazinho não vê problemas nas articulações.

“Se for acontecer, não tem o que fazer, não tem como lutar contra essa decisão da Nacional. No meu caso específico, se [o partido que surgir da fusão] for da base do governador Renato Casagrande [PSB], de centro ou centro-direita, que é o como eu me identifico mais como posição política, eu não vejo problema”, afirmou o deputado.

Na fusão, conforme destacou Mazinho, a nova sigla criada incorpora elementos dos dois partidos – como seria o caso, por exemplo, de o PSDB passar a utilizar o número 20, do Podemos, com quem tem negociações mais adiantadas. Na incorporação, ao contrário, um partido apenas passa a agregar os filiados de outro, que deixa de existir. Dos Anjos afirma que não tem apego específico à manutenção do nome do PSDB, ao contrário de outros tucanos, e se preocupa mais com a questão ideológica e o posicionamento político em âmbito estadual.

“Caso aconteça, eu vou fazer uma análise junto com o Vandinho [Leite, deputado estadual e presidente do PSDB no Espírito Santo] –, porque eu vou ter uma janela para optar se continuo ou fico sem partido, para lá na frente eu definir qual partido eu vou. Eu não concordaria se o partido fosse para um viés diferente do meu, como uma extrema esquerda, esquerda, extrema direita. Se for um partido da base do governador e parecido com o que eu estou atualmente, não veria problema em continuar”, comentou.

Dentro dessa perspectiva, Mazinho avalia como positiva uma eventual fusão com o Podemos, conforme tem sido especulado recentemente. “O Podemos é um partido que está na base do governador, tem uma boa relação com os deputados federais Gilson Daniel [presidente estadual da sigla] e Victor Linhalis. O Vandinho está trabalhando para montar uma chapa de candidatos a deputado federal e estadual, e a fusão até facilita. A gente já tem um grupo de pré-candidatos, o Gilson Daniel também deve ter, e nós precisamos de 31 candidatos. É muita gente”, explicou.

Atualmente, o PSDB conta no Estado com dois deputados estaduais, três prefeitos e nenhum deputado federal ou senador. O Podemos, por sua vez, tem três deputados estaduais, dois deputados federais, um senador e 11 prefeitos.

Também há negociações do ninho tucano com outros partidos, como Republicanos e Solidariedade, envolvendo inclusive a possibilidade de formação de uma federação com algum desses partidos.

‘PSDB Vive’

Um grupo de filiados lançou um manifesto contra a possibilidade de fusão ou incorporação do PSDB a outras siglas, além de um abaixo-assinado compartilhado nas redes sociais. Também há uma página do Instagram, intitulada “PSDB Vive”, que divulga o movimento.

“(…) que fique claro que a nossa militância tucana se posiciona firmemente contra e não aceita sequer discutir a possibilidade de nossa extinção (é disso que se trata) através da fusão com outro partido justificada por qualquer tipo de dificuldades que estejamos vivenciando e que poderemos superar com nossa organização e nosso esforço, assim como já fizemos uma vez na fase inicial da criação do nosso partido”, diz o texto que acompanha o abaixo-assinado.

Até a noite dessa terça-feira (1º), o documento reunia 795 assinaturas. Entre os que assinaram estão pessoas de cidades como Vila Velha e Guarapari, na região metropolitana do Estado, e Ecoporanga, no noroeste – de acordo com a organização do movimento nacional.

Redes Sociais

Muitos tucanos históricos demostram grande apego ao nome do partido e aos seus conteúdos programáticos, conforme um filiado do PSDB estadual narrou a Século Diário, ainda que reconheça a fragilidade atual da sigla e a necessidade de acordos com outros partidos.

Século Diário procurou um desses tucanos históricos do Estado, Luiz Paulo Vellozo Lucas, ex-prefeito de Vitória, que não quis entrar em detalhes. “Estou acompanhando [o movimento contra a fusão ou incorporação do partido]. Faço parte da Executiva Nacional e estou em permanente contato com Vandinho Leite. Ele fala pelo PSDB capixaba com meu apoio”, afirmou, em nota.

Também procurado, o ex-prefeito de Vila Velha Max Filho alegou que está distante das decisões partidárias e não poderia comentar. Já o presidente estadual do PSDB, Vandinho Leite, não deu retorno às tentativas de contato.

Fim da federação

O que quer que aconteça com o PSDB, de uma coisa já se sabe: a federação com o Cidadania está com os dias contados. A não continuidade da parceria, que ainda vigora até 2026, foi decidida pela Executiva Nacional do Cidadania em março.

Dentro do Cidadania, a avaliação é de que a federação prejudicou seu crescimento político. No Espírito Santo, a sigla teve dificuldade de diálogo com o PSDB em 2024. O Cidadania presenciou uma debandada de lideranças políticas, especialmente em Vitória, onde concentrava mais força devido aos dois mandatos de Luciano Rezende na prefeitura (2013-2020). A saída mais notada foi a do deputado estadual Fabrício Gandini (atualmente no PSD), que disputava com Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) a vaga como candidato a prefeito da federação.

Gandini acabou deixando o Cidadania, mas, mesmo assim, desistiu de entrar na eleição majoritária da Capital do Estado. A disputa em Vitória teve dois candidatos próximos do governador Renato Casagrande (PSB): o próprio Luiz Paulo e o deputado estadual e também ex-prefeito João Coser (PT).

Com isso, o Cidadania, que já estava enfraquecido, ficou ainda menor no Espírito Santo. Nas eleições de 2024, uma de suas únicas conquistas foi a reeleição do prefeito Paulo Cola em Piúma, no litoral sul do Estado. Luciano Rezende, presidente estadual da sigla, tem se mostrado distante das articulações políticas.

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