Agentes da Serra denunciam baixo efetivo para combater dengue no município

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, em 2019, foram 79.245 casos notificados com 43 mortes

Os Agentes de Combate a Endemias (ACE’s) do município da Serra, na Grande Vitória, denunciam que o efetivo de profissionais está abaixo do determinado pelo Ministério da Saúde para controle da dengue e outras doenças transmitidas por vetores. Com um agravante: este mês de janeiro e o período de verão são os mais favoráveis para epidemias, pelas condições de calor e umidade das chuvas. No total, são cerca de 100 ACE's em atuação, enquanto o preconizado seriam 220, uma defasagem de cerca de 40%.

Um profissional, que preferiu não ser identificado, contou que trabalha na cidade há 15 anos e há dez a Prefeitura da Serra não contrata agentes de endemias que fazem o controle e combate do mosquito Aedes aegypti, no caso, transmissor da dengue e de outros males como zika e chikungunya. Fato que é confirmado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde no Estado (Sindsaúde-ES). Segundo Alberto Nogueira, da direção do sindicato, foram cerca de 100 ACE's contratados pelo concurso de 2009. Mas, ao longo do tempo, muitos foram pedidos desligamentos da Prefeitura. E outro agravante: em agosto de 2017, a entidade sindical denunciou a demissão de 50 agentes de saúde pela Prefeitura. Por meio de decisão judicial, alguns deles foram recontratados pelo poder público, mas o efetivo continua abaixo do ideal. 

“A última contratação de agentes foi no ano de 2009, dez anos atrás. O prefeito Audifax, que está no seu segundo mandato consecutivo, não repôs o efetivo desses profissionais, que, no decorrer de dez anos, diminuiu. A população não pode contar com as seis visitas anuais desses profissionais, determinadas pelo ministério da Saúde, uma média de uma visita a cada dois meses, pois o efetivo está defasado”, explicou.

E completa: “Outros serviços como tratamento com inseticida, que deveriam ser feitos quinzenalmente em grandes imóveis, segundo o manual dos agentes de combate às endemias definidos como ponto estratégico (PE),  como ferro velhos, borracharias e outros imóveis locais com grandes quantidades de depósitos com água parada, estão atrasados. Esse trabalho está sendo feito em longos períodos de dois ou três meses, colocando os moradores que vivem próximos a esses imóveis com grande risco de contraírem o vírus da dengue. A omissão do prefeito Audifax na reposição do número de ACE é um fator real que tem contribuído para epidemias”, afirmou.

Casos Notificados

Segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que divulgou seu 52º boletim epidemiológico da dengue na última sexta-feira (3), foram notificados 79.245 casos da doença no Espírito Santo com 43 óbitos confirmados entre 30 de dezembro de 2018 e 28 de dezembro de 2019.

Segundo a Sesa, essas informações são enviadas pelos municípios à Secretaria da Saúde até o dia anterior à divulgação do boletim epidemiológico. 

Utilizando dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), que preveem chuva e altas temperaturas, a Secretaria alerta que essa associação de água proveniente das chuvas que ficam paradas em poças e altas temperaturas são preocupantes, pois é a combinação perfeita para o surgimento de criadouros do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, do zika e da chikungunya.

Além disso, é preciso atenção, pois os ovos colocados pelos mosquitos nas últimas semanas, em contato com a água das chuvas, irão eclodir, o que aumenta os riscos de proliferação do mosquito.
 

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