Arcebispo de Vitória usa debate sobre aborto para defender boicote ao Psol

Vídeo divulgado por Luiz Mancilha nas redes sociais gerou nota de repúdio do Psol-ES

O arcebispo metropolitano de Vitória, Luiz Mancilha Vilela, causou polêmica, nesta quarta-feira (1), ao divulgar um vídeo em que se posiciona contra o aborto, acusando o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) de “defender a morte” por ter proposto a descriminalização da medida. Por meio de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, que está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), a legenda propõe a regulamentação até a 12ª semana de gestação. O religioso conclama os fieis a fazer um boicote de votos, o que motivou divulgação de nota de repúdio pelo Psol no Estado. 

No vídeo, de dois minutos e 24 segundos de duração, o arcebispo cita que a descriminalização do aborto está sendo discutida no STF por preposição do Psol e, em seguida, faz uma série de acusações à legenda.

“Veja que coisa grave, uma luta contra a vida, o que nós cristão não devemos estar de acordo... Que dono da vida somente Deus, não é um partido, não é um juiz que tem poder para dar licença para matar alguém! Quero, então, avisar a todos que isto é crime, é pecado mortal, do ponto de vista católico. E partido como este, político que defende a morte, o assassinato do bebê no seio materno não merece apoio, não merece nosso voto!”, disse o arcebispo... Vejam o que eles estão propondo! Esse pessoal é contra a vida, é a favor da morte... Votemos somente naqueles que estão para promover a vida”. 

Na ADPF 442, o Psol questiona os artigos 124 e 126 do Código Penal, que criminalizam a prática do aborto. O partido pede que se exclua do âmbito de incidência dos dois artigos a interrupção voluntária da gravidez nas primeiras 12 semanas de gestação, alegando a violação de diversos princípios fundamentais.

Nota de repúdio

O Psol-ES se manifestou por meio de nota que repudia a manifestação do arcebispo Dom Luiz Mancilha Vilela que, "em vídeo divulgado nas redes sociais nessa terça-feira, 31, utilizando da Instituição Igreja Católica para fazer política partidária - o que é proibido pela Lei Eleitoral - acusa o partido de ser ‘criminoso’ e ‘a favor da morte’. Diante dessa afirmação falaciosa, de quem deveria ter compromisso com a verdade, o Psol expressa com veemência seu total repúdio a tal declaração e reitera sua posição em defesa da vida, dos direitos humanos, da diversidade, da democracia e do Estado Laico”.

A nota continua: “As acusações são gravíssimas, especialmente partindo de um líder religioso, que, ao nos acusar publicamente de defensores da morte, dá falso testemunhos das nossas ações em defesa da vida das mulheres, da negritude, da população LGBT, que são as vítimas preferências da violência praticada em nosso Estado. Não é por acaso que o Psol é o único partido que não possui denúncias de corrupção, não está envolvido na Operação Lava Jato e tem reconhecidamente a melhor bancada no Congresso Nacional. É lamentável que na atual conjuntura a principal pauta do líder religioso seja o controle sobre o corpo das mulheres e não a critica ao processo violento de retirada de direitos dos trabalhadores, como a reforma trabalhista e da previdência, ou o aumento da desigualdade social e da violência no país”.

O documento diz ainda que a ADP n. 442, movida pelo Psol e a Anis – Instituto de Bioética, prevê a alteração dos artigos 124 e 126 do Código Penal para descriminalizar o aborto, com vistas a preservar a vidas das mulheres, especialmente as mulheres negras e pobres, sejam elas casadas, solteiras, evangélicas, católicas ou agnósticas, pois, segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registra uma média de quatro mortes por dia de mulheres que buscam socorro nos hospitais por complicações de aborto.

Segundo informações da legenda, somente em 2015, foram registradas 1.664 mortes de mulheres em hospitais brasileiros. “Na opinião do Psol-ES, criminalizar o aborto é lavar as mãos para essa realidade, já que somente a descriminalização pode contribuir para que o aborto seja tratado como questão de saúde pública, o que possibilitará acolher e salvar a vida de milhares de mulheres brasileiras que hoje correm risco de vida ao se submeterem a procedimentos inseguros”, reforça a nota.

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para mantê-lo ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
8 Comentários
  • Antonio Locateli , quarta, 01 de agosto de 2018

    Sr. Arcebispo, espero sua resposta, e como vai abordar: vi recente uma pesquisa que mais de 50% dos católicos são favoráveis a Pena de morte. O que dirá a estes seus fiéis, tão contrários a sua justa posição.

  • LUÍS MOREIRA , quarta, 01 de agosto de 2018

    O celibato é uma das maiores perversões sexuais. Por isso que a igreja católica está cheia de padres pervertidos, homossexuais e pederastas. A igreja torturou, queimou na fogueira, saqueou, escravizou, e seu patrimônio tem origem das mais sombrias. Foi omissa quando do nazismo. E, até hoje, não defende a pílula anticoncepcional ou preservativo. Para essa igreja, as mulheres não merecem planejamento familiar, seus filhos podem ser espalhados pelas ruas virando criminosos. Merecem morrer nas mãos de abortos clandestinos.

  • Efrem de Brito , quarta, 01 de agosto de 2018

    Sábias palavras do Arcebisbo. Chega de mimimi desses partidos de esquerda.

  • SERGIO LUIZ DA SILVA BRITO , quarta, 01 de agosto de 2018

    Discurso do religioso me faz recordar a inquisição. Sugiro ao Psol que processe o cidadão. Independente da roupa que veste e da pretensa "autoridade" deve responder na justiça as acusações. Por último o corpo não pertence a qualquer religião. Pertence á mulher que é a única que deve e tem o direito de decidir. Xô atraso!

  • Lázaro Pacheco , quinta, 02 de agosto de 2018

    O arcebispo está absolutamente certo na sua defesa da vida dos nascituros, a qual encontra respaldo de revelação divina na Bíblia ("Deixem que venham a mim as crianças, pois delas é o Reino dos Céus") e na tradição apostólica, e também na razão humanista que não vê lógica entre defender vida de adultos e defender a morte de nascituros. Porém, vejo no discurso dele algumas falhas que são muito comuns entre políticos de direita e de esquerda: 1) todas as falas de "defesa da vida" precisam ser mais detalhadas e menos superficiais, mais profundas para não tornar um tema complexo como este virar jogo de futebol... assim, seria melhor ele ter mencionado a "defesa da vida dos nascituros" ou dos "fetos" ou qualquer termo parecido para não usar o termo genérico "defesa da vida" e assim a fala ficar menos propensa a críticas e a receber contra-ataques nas contradições existentes tanto no lado da Igreja quanto no lado dos partidos. 2) não são todos/as do Psol ou de qualquer partido de esquerda (Pt, Pcdob, etc.) ou de direita (Psdb, Dem, Pmdb, etc.) que apoiam o aborto. Muitos são levados à omissão, à evasão do debate, ou à oposição em segredo e silêncio por fidelidade partidária ou por malandragem política, sabendo que é um tema delicado que pode causar derrota eleitoral. Assim, é viável separar o joio do trigo, dizendo que "alguns políticos" propuseram o aborto, não o partido inteiro, mesmo que sejam os representantes do partido, pois se formos ver a realidade na sua singularidade veremos que os atos de um representante não são necessariamente unânimes num partido qualquer. Para que se evite mais complicações no âmbito social, por que os partidos de esquerda e a Igreja não se estimulam à mútua edificação e à conversa para firmar uma base comum de trabalho? Creio que seria muito viável uma defesa da vida dos nascituros conciliada com uma luta forte contra o machismo, a homofobia, a intolerância e a falta de recursos para a educação das pessoas pelo respeito à vida em todos os sentidos, sobretudo a humana mas também a natureza como um todo. Nenhuma destruição da vida humana faz bem à humanidade! A destruição da vida só interessa à burguesia e à classe alta, que lucra muito com a morte comercializando serviços e materiais para a sua realização.

  • Estanislau Tallon Bozi , sexta, 03 de agosto de 2018

    Sim, o PSOL, é adepto da cultura da morte. Discursos vazios de conteúdo, com clichês repetidos. Aborto é caso de saúde pública mesmo: comprovadamente traz consequências graves a quem aborta, afeta sua saúde mental e aumenta a incidência de câncer (quanto mais abortos em uma mesma mulher, maior a chance de câncer de mama). Parabéns, Senhor Arcebispo!!! Que os católicos se coloquem em defesa da vida!

  • Vinícius de Moraes , sexta, 03 de agosto de 2018

    Srº Arcebispo Dom Luiz, compreendo que a Igreja Católica, assim como as outras ademais Igrejas, majoritariamente sejam contrárias ao aborto. É direito civil de vocês, delas e até mesmo dos cidadãos que consigo concordam. Contudo, defensar o boicote a uma instituição partidária, em razão disso?! Até porque há outros partidos, sindicatos e associações que apoiam o aborto. Inclusive cristãos, tais como eu, que frequentam ou não igrejas cristãs, sejam católicas (porque o catolicismo não é outrossim uníssono) e/ou protestantes. Não vi o Srº chamar o boicote contra partidos políticos e, até mesmo, políticos profissionais, envolvidos ou não em corrupção, quem são favoráveis ao Estado mínimo e a destruição de direitos sociais e econômicos da população, perfazendo uma apologia às desigualdades sociais, à pobreza, à miséria, ao desemprego e ao atraso social. Poderia eu, nós, cristãos (ou não cristãos) quem concordamos como aborto, convocar o boicote contra a Igreja Católica, quem apoiou discretamente o nazifascismo na europa e diretamente o franquismo na Espanha e uma miríade de ditaduras na América Latina?! Uma instituição que dispõe de um passado histórico com alguns acontecimentos nefastos, tais como a cobrança de indulgências, a escravidão, a tortura, o assassinato e a queima de milhares de pessoas, p. ex., através da Santa Inquisição?! Acredito que não seja por aí que devemos (retro)agir. Defender o aborto e o boicote ao PSOL são direitos civis e políticos seus. Contudo, não penso que seja acertada a apologia ao boicote ao PSOL, até porque não se manifestou quanto aos outros ademais partidos, fatos e fenômenos que tangem à esfera pública, inclusive de opiniões notórias.

  • Vinícius de Moraes , sexta, 03 de agosto de 2018

    Srº Arcebispo Dom Luiz, compreendo que a Igreja Católica, assim como as outras ademais Igrejas, majoritariamente sejam contrárias ao aborto. É direito civil de vocês, delas e até mesmo dos cidadãos que consigo concordam. Contudo, defensar o boicote a uma instituição partidária, em razão disso?! Até porque há outros partidos, sindicatos e associações que apoiam o aborto. Inclusive cristãos, tais como eu, que frequentam ou não igrejas cristãs, sejam católicas (porque o catolicismo não é outrossim uníssono) e/ou protestantes. Não vi o Srº chamar o boicote contra partidos políticos e, até mesmo, políticos profissionais, envolvidos ou não em corrupção, quem são favoráveis ao Estado mínimo e a destruição de direitos sociais e econômicos da população, perfazendo uma apologia às desigualdades sociais, à pobreza, à miséria, ao desemprego e ao atraso social. Poderia eu, nós, cristãos (ou não cristãos) quem concordamos com o aborto, convocar o boicote contra a Igreja Católica, quem apoiou discretamente o nazifascismo na Europa, diretamente o franquismo na Espanha e uma miríade de ditaduras na América Latina?! Ainda mais em se tratando de uma instituição que dispõe de um passado histórico com alguns acontecimentos nefastos, tais como a cobrança de indulgências, a apologética à escravidão, a prática de tortura, assassinato e da queima de milhares de pessoas, p. ex., através da Santa Inquisição?! Acredito que não seja por aí que devemos (retro)agir. Ser contrário ao aborto e favorável ao boicote ao PSOL compreendem direitos civis e políticos seus. Contudo, não penso que seja acertada a ode ao boicote ao PSOL, até porque não se manifestou quanto aos outros ademais partidos, fatos e fenômenos que tangem à esfera pública, inclusive de opiniões notórias.

Matérias Relacionadas

Psol estadual descarta aliança com o PT para evitar aproximação com a direita 

André Moreira se coloca em posição irredutível para evitar alinhanças com grupos de direita

Psol-ES vai protocolar notícia-crime contra Capitão Assumção no MPES

A petição feita ao procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, será, inicialmente, por incitação à violência

Caravana capixaba participa de audiências sobre o aborto em Brasília

STF realizará as audiências nos dias 3 e 6 de agosto. Abrasco lançou moção de apoio