Movimento de Direitos Humanos realiza ato contra a extinção da CJP

Comissão Justiça e Paz foi extinta pelo arcebispo de Vitória, Luiz Mancilha

O Movimento Nacional de Direitos Humanos no Espírito Santo (MNDH-ES) divulgou uma nota em que convoca a sociedade civil capixaba para o Ato em Solidariedade à Comissão Justiça e Paz (CJP), que acontecerá no dia 17 deste mês, às 18h30, na Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), Campus de Goiabeiras, Vitória. O evento é uma forma de reagir à extinção da CJP, decisão unilateral do arcebispo metropolitano de Vitória, Luiz Mancilha, no último dia 3 de agosto.  
 
Em nota, a entidade explica os motivos para a mobilização: “No dia 3, a população capixaba foi surpreendida com o anúncio da extinção da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória/ES. Essa história não pode ser silenciada com uma canetada... Nos últimos 40 anos, a CJP protagonizou lutas importantes no Espírito Santo. Seu início foi marcado pela luta contra a ditadura, acolhendo um enorme contingente de militantes em defesa da liberdade e perseguidos pelo regime militar... Na década de 90, liderada por Ewerton Montenegro, esteve firme na luta contra o esquadrão da morte. Em tempos mais recentes, atuou contra o crime organizado, integrando o Fórum Reage ES; na denúncia das 'Masmorras' de Paulo Hartung e na defesa dos atingidos pela lama da Samarco”. 

E continua: “É impossível relembrar das quatro décadas de serviços prestados pela CJP à sociedade sem mencionar Dom João Batista da Motta e Albuquerque e o bispo auxiliar Dom Luís Gonzaga Fernandes. Progressistas por convicção, ambos se dedicaram a aproximar a Igreja Católica das pautas sociais, como a defesa de moradias e dos direitos dos trabalhadores. Essa história não pode ser silenciada com uma canetada...”. 

Na última segunda-feira (6), o Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), respeitada entidade ecumênica criada em 1979 e cuja sede fica em Alagoas, também divulgou uma nota em que pede que a Igreja Católica de Vitória reveja sua decisão de extinguir a CJP. No texto, a entidade diz que “o CEBI aposta no caminho no qual o Evangelho prevaleça e que a posição da Igreja de Vitória seja revista e se possa resgatar a Justiça e o Direito para o bem do povo. Que se desfaçam alianças políticas que não visam o bem comum. Destituir uma Comissão de Justiça e Paz, em tempos de muita exploração, opressão, violências e de injustiças, é no mínimo jogar por terra o Evangelho, o Reino e a sua Justiça”.

A nota faz duras críticas ao senador Magno Malta (PR) e também ao encontro que o político capixaba teve com o arcebispo Luiz Mancilha na Cúria Metropolitana. O registro da visita ganhou as redes sociais de Malta, que fez a postagem em seu Instagram.
 
Malta fez questão de prestar apoio à Mancilha na luta contra a descriminalização do aborto, depois que o religioso católico postou um vídeo em que chamou o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) de “partido que defende a morte” e incentivou os fieis católicos a fazer um boicote de votos à legenda. Depois de repudiar as declarações, o partido se manifestou em nota sobre a extinção da Comissão.

Para os representantes da CEBI, a decisão do arcebispo de extinguir a CJS vai contra as dimensões, diretrizes e caminhos construídos pela Igreja marcada pelo Concílio Vaticano II. “A Doutrina Social da Igreja, as Diretrizes da CNBB e o caminhar impulsionado pelo Papa Francisco foram colocados de lado. Pois melhor a imagem de uma Igreja e aliança política com políticos corruptos e aproveitadores do que aliança com o Evangelho, com a Doutrina Social e com uma “Igreja em Saída”, diz a nota da entidade. 

Luiz Mancilha extinguiu a CJP um dia depois da renúncia do então presidente da Comissão, Bruno Toledo, que entregou o cargo como reação ao encontro de Mancilha e o senador Magno Malta, defensor declarado da pena de morte e da redução da maioridade penal, medidas, veementemente, condenadas pelos militantes dos direitos humanos.  

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