‘O artigo muito claramente é encomendado e escrito por quem não vive no ES’

Sergio Majeski criticou na Assembleia artigo do Estadão que exalta Hartung e desmerece Casagrande

“O artigo muito claramente é encomendado. Essa economista é ligada a grupos e instituições onde também está o ex-governador Paulo Hartung. E é feito por quem não vive no Espírito Santo”. Assim o deputado estadual Sergio Majeski (PSB) iniciou sua fala na sessão ordinária desta quarta-feira (9), em que refutou os principais pontos elencados em um artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo nessa terça-feira (8), assinado pela economista Ana Clara Abrão, integrante do RenovaBR, e que já foi alvo de críticas contundentes neste Século Diário, em entrevista com a economista-chefe do Banestes, Eduarda La Rocque

Afirmando que o artigo em questão é um exemplo de uma prática já conhecida, em que “se compra na mídia nacional espaços pra se falar de um determinado método administrativo no Espírito Santo feito por pessoas que não vivem aqui”, Majeski discorreu, com números e fatos, sobre a suposta elevação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) durante o governo de Paulo Hartung (sem partido) e o posicionamento da Assembleia Legislativa (Ales) diante da anistia administrativa aos policiais militares punidos pelo ex-governador, acusados de participarem da greve da PM em fevereiro de 2017.

“No governo passado, nós tivemos mais de seis mil turmas fechadas, em todos os níveis, fundamental, médio, regular, EJA [Educação de Jovens e Adultos], tudo, mas principalmente do turno regular noturno e EJA, onde se concentra grande parte dos alunos que possuem as mais baixas médias e onde o índice de repetência também é maior”, informou. 

Ao explicar os dois cálculos que geram o Ideb, o parlamentar deixou claro que o fechamento dessas turmas “foi uma forma macabra que se encontrou no Estado de forçar o aumento do Ideb”, salientando que o índice capixaba já era bom, estando em segundo lugar, em média, no ranking nacional. 

“Na medida em que o governo fechou uma quantidade gigantesca sobretudo de turnos noturnos e de EJA, você expulsou uma quantidade gigantesca de alunos que apresentavam a performance pior. É claro que isso ajudou a empurrar o Ideb do Estado pra cima”, explicitou.

Sobre as Escolas Vivas, Majeski ressaltou que nenhuma das que foram criadas por Paulo Hartung aparece em primeiro lugar no Ideb. “Nós temos 470 escolas estaduais no Espírito Santo. Esse Ideb e a performance que o Estado tem deve-se em grande parte ao esforço dos professores, pedagogos, diretores. Deve-se muito mais ao trabalho executado dentro das escolas do que a uma política educacional específica, seja de que governo for”, asseverou, acrescentando ainda os cerca de R$ 5 bilhões que deixaram de ser aplicados nos quatro anos de Paulo Hartung, devido à não aplicação dos 25% do orçamento na Educação, irregularidade também presente em Renato Casagrande (PSB) . 

Já em relação à greve da polícia, Majeski defendeu a atitude da Casa, de aprovar o projeto de lei de anistia aos policiais. “Não havia outra solução melhor do que a anistia administrativa, porque não foi anistia criminal, nem temos poder pra isso”, afirmou. “Nós tínhamos três mil policiais ameaçados de processo e de investigação num Estado em que, em função do governo anterior, que não repôs o quadro funcional da PM, existe um déficit de quase três mil policiais”. 

 

Segundo o deputado, a articulista se equivocou ao colocar somente o Executivo como protagonista da condução da sociedade. Para ele, o artigo não reflete a realidade do Parlamento, que trabalha pela construção de um ambiente harmônico para os poderes no Espírito Santo.

Para o deputado, é necessário observar que cada modelo de gestão contribuiu para que o Espírito Santo alcançasse o atual patamar de desenvolvimento e todas as matérias aprovadas pela Casa foram amplamente debatidas.

Marcelo citou o Fundo Soberano, Fundo de Infraestrutura e o projeto para recuperar a malha viária estadual como exemplos de um trabalho conjunto entre os poderes.

“Não existe um padrão ideal de governo. A sucessão sempre traz novos padrões de trabalho e insistir que apenas um deve ser seguido é irreal. Temos inúmeros desafios a enfrentar; como nossos servidores pleiteando melhorias salariais e escolas a serem estruturadas. São muitos investimentos a fazer. O que queremos é continuar produzindo para a população”, disse.

Verdade, uma senhora teimosa

Também nesta quarta-feira (9), o secretário de Governo (SEG), Tyago Hoffmann, publicou artigo no mesmo Estadão, contestando a economista da RenovaBR. Intitulado Avanços e retrocessos, o texto do secretário de governo destaca o fato de que não foi com Paulo Hartung que o Espírito Santo atingiu nota A em equilíbrio fiscal. “Desde 2012, durante o primeiro mandato do governador Casagrande, nosso Estado vem merecendo nota ‘A’ da Secretaria do Tesouro Nacional, a mais alta classificação em gestão fiscal concedida aos estados brasileiros”, aduz. 

Sobre a afirmação da economista de que o ex-governador “eliminou a dicotomia entre gestão fiscal responsável e conquistas sociais”, fundamentando essa avaliação descolada da realidade nos resultados do Ideb e à Escola Viva, Tyago Hoffmann diz que o programa é “firmemente alicerçado no marketing” e “gerou, em quatro anos, apenas 36 escolas de tempo integral, no universo de 450 escolas que integram a rede estadual”.

A respeito da anistia administrativa a 2.622 policiais militares, o artigo acentua o fato de que “o movimento [grevista] foi motivado pela total ausência de diálogo por parte do governo, que manteve postura autoritária e intransigente mesmo diante dos gravíssimos problemas causados a toda a sociedade capixaba”.

“Se a economista se dispusesse a conhecer o Estado com isenção, veria que está em curso no Espírito Santo uma verdadeira revolução”, provoca, ainda, o secretário, abordando o tema da saúde, cuja rede estadual foi entregue ao novo governo “totalmente sucateada por falta de investimentos, com uma gestão inoperante e ineficiente”. 

“Ao invés de encomendar artigos para atacar os responsáveis, estamos enfrentando o problema em todas as frentes, da atenção básica à média e alta complexidades, com ferramentas tecnológicas e princípios de gestão pública modernos”, disparou.

“São apenas algumas das muitas políticas, ações e investimentos que desenvolvemos de maneira inovadora, sustentável e democrática, sem descuidar em momento algum do equilíbrio das contas públicas”, argumenta. 

“Conversando com qualquer capixaba que não esteja incluído entre os áulicos do ex-governador, ela [a economista Ana Clara Abrão] certamente verá realidade bem diferente da versão que lhe foi apresentada. E certamente terá a dignidade de reconhecer a injustiça das críticas que proferiu”, propõe Tyago Hoffmann, defendendo que “a verdade é uma senhora teimosa, que resiste com galhardia às farsas compartilhadas e sempre aparece quando é requisitada”, poetizou.

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