‘Quase na hora’

Assumção e Pazolini voltam a falar em mais uma “tragédia de 2017”. O que vem por aí, afinal?

Na véspera do ato programado pela frente de policiais, civis e bombeiros em frente à Secretaria de Estado de Planejamento (SEP), no Centro de Vitória, nesta quinta-feira (13), os deputados estaduais que têm atuado como porta-vozes do grupo no plenário da Assembleia Legislativa, principalmente Capitão Assumção (PSL) e Lorenzo Pazolini (sem partido), só falam em “colapso na segurança pública”, “quase na hora de repetir o movimento de 2017”, “iminente catástrofe”, “outra tragédia”, “flagelo social”, “situação crítica”, e por aí vai. Discursos nesse sentido dominaram as sessões dessa terça e quarta-feira (11 e 12), com manifestações também de Danilo Bahiense (PSL), um dia após a reunião da Comissão de Segurança que contou com a participação em peso dos servidores da área de Segurança Pública, e antes da negociação anunciada com o governo, que revelou divergências sobre a participação, de fato, da frente unificada que reúne entidades em prol de valorização salarial. Na semana passada, logo da tramitação do projeto do governo enviado à Casa que concede reajuste para os defensores públicos e que gerou reações, um vídeo gravado por integrantes da frente também citou, sem entrar em detalhes, a formulação de “estratégia de mobilização para o Carnaval”. Medida reforçada nessa terça, com o anúncio de “aplicação de medidas de operação-padrão já pré-estabelecidas” em caso de não avanço das negociações. A expectativa é de que mais de 1,5 mil policiais, civis e bombeiros compareçam à SEP, porém, ainda sem sinalização do governo de sentar-se à mesa. O que esperar dos próximos dias, afinal?

Cenas do caos
No discurso desta quarta, especificamente sobre a PM, Assumção exibiu um vídeo “militares do ES pedem socorro; pior salário do País”. No decorrer, apontou o que considera “descaso do governo” e citou os elevados índices de pedidos de desligamentos e suicídios, até chegar no Jornal Nacional exibido na época da greve de 2017, com imagens do caos e medo vicenciado pelos capixabas.

‘Recados’
Nas redes sociais, o deputado divulgou o mesmo discurso-vídeo, com outros recados. “Não queira nos testar novamente! Sabemos a força que temos, e mais, ninguém poderá dizer que nós não avisamos. O recado está dado, ou nos atendam conforme prometido e proposto ou...daí pra lá nós não assumimos mais a responsabilidade”. 

Sem mudanças
O impasse entre a frente unificada já tinha incendiado o plenário nessa terça, quando Pazolini exibiu vídeo de uma parte da reunião da Comissão com o líder do Governo, Freitas (PSB), confirmando o encontro de quinta. A declaração confrontou informação divulgada na imprensa de que a frente não seria recebida, e sim as associações da Polícia Militar e dos bombeiros. Até agora, é isso que prevalece.

Sem mudança II
No mesmo dia e também nesta quarta, Danilo Bahiense, que é presidente da Comissão de Segurança, cobrou que ainda aguarda o convite do governo para participar do encontro na SEP. 

Reações
Os discursos não passam livres pelo plenário. Freitas tem rebatido todos eles, inclusive citando a anistia administrativa concedida pelo governador Renato Casagrande após sanções decorrentes da greve pelo antecessor Paulo Hartung, e também o ex-líder, Enivaldo dos Anjos (PSD). 

Mas, já?
A propósito, a sessão dessa terça se resumiu a muito bate-boca e pouco trabalho. Acabou cedo, às 16h30, após pedido de recomposição de quórum feito por Freitas. Só haviam sete parlamentares dos dez exigidos pelo regimento em plenário. Ano de eleição, sabe como é...

Mas, já II?
O pedido de Freitas causou mais um desconforto em plenário, já que os poucos deputados presentes pretendiam prosseguir com a pauta. Dr. Hércules (MDB) apelou para a deputada Janete de Sá (PMN), que estava por ali mas não registrou presença. Ela tentou se justificar ao microfone: abertura da Vitória Stone Fair, no Pavilhão de Carapina, na Serra. Não é trabalho, mas tem holofote de sobra. E lá está ela, na foto oficial do governo...

Soltou o verbo
O deputado estadual Carlos Von (Avante) disparou contra o governo e o PSB nesta quarta-feira. Denunciou da tribuna da Assembleia que tem sido vítima de “perseguição política, abuso de poder, jogo sujo e baixo, e de um plano criminoso de militares do partido em Guarapari”. Segundo ele, tudo para beneficiar a candidatura à prefeitura do subsecretário estadual de Turismo, Gedson Merízio (PSB).

Soltou o verbo II
O discurso engloba projetos de sua autoria não acatados pelo governo; indicações sem respostas; exclusões de reuniões e entregas de obras em Guarapari relacionadas a demandas de seu mandato; e denúncia anônima feita ao Ministério Público Estadual (MPES) que o acusa de crime, arquivado devido a uma “montagem grosseira”.

Embate
Embora considerado há muito tempo candidato a prefeito no município, Von afirmou que o martelo só será batido no final de março. O mercado não vê, porém, a menor possibilidade de o deputado ficar de fora, consolidando uma disputa direta com Gedson. O adversário, diz Von, ao contrário de seu caso, não perde um evento oficial em Guarapari, além de fazer anúncios oficiais em áreas que nada teriam a ver com a pasta que ocupa hoje.

PENSAMENTO:
“Às más notícias o fado dá asas, e elas voam velozes”. John Dryden

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