Reunião do Cosud em Vitória mostra desenho da disputa presidencial de 2022

Rodrigo Maia e João Doria seguem na mesma linha e não deixam de alfinetar Bolsonaro

A quarta reunião do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), encerrada em Vitória no último sábado (24), teve a participação de dois potenciais pré-candidatos à sucessão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em 2022: o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-ES), na frente da corrida se consideradas as homenagens e tratamento a ele dispensados. 

As mesuras rompem a barreira das boas maneiras e viram movimentos essencialmente políticos, seguindo o modelo, embora com alterações para melhor, do ex-presidente Michel Temer, que resultou em mais concentração de riquezas e ampliação da pobreza no país. A política de privatizações e a redução de direitos não muda, apesar do discurso de favorecimento às camadas mais pobres. 

Em crises geradas por conta de seu despreparo e da ausência de um projeto completo de políticas públicas e de gestão, Bolsonaro amplia cada vez mais o seu desprestígio, tanto interno quanto externamente. Isso se agravou nas duas últimas semanas, principalmente, pela postura adotada frente às queimadas que colocam a Amazonas em risco, gerando protestos planetários, prejuízos enormes e uma onda de insatisfação até mesmo entre seus apoiadores.    

Em consequência, confirma que não tem mais o protagonismo na condução de projetos que poderiam dar uma marca ao governo, como a reforma da Previdência, cuja aprovação foi orquestrada, sem qualquer dúvida, pelo deputado Rodrigo Maia, sem a atuação do qual não passaria na Câmara dos Deputados, apesar dos recursos milionários do governo federal despejados em emendas parlamentares dos deputados que se venderam. 

É para fortalecer esse protagonismo que o presidente da Câmara trabalha, mantendo-se numa posição de equilíbrio com o governo federal, sem, no entanto, deixar de alfinetar a figura do presidente, alimentando dessa forma a inaptidão de Bolsonaro para exercer o cargo mais importante da nação. Esse movimento o coloca à frente do governador paulista, que tenta se desvencilhar do alinhamento passado com o então candidato à presidente da República, sem muito sucesso.

Não é à toa, portanto, que a presença de Maia foi muito enaltecida pela maioria dos governadores de uma forma tão especial, não apenas por ele ser o terceiro na ordem de sucessão de Bolsonaro, no caso de algum impedimento do presidente, que já faz parte dos bastidores políticos, mas considerando que está perfeitamente em sintonia com a onda liberal atualmente em curso no Brasil, outra marca do Cosud. Ao contrário dos governadores do Norte e Nordeste, que priorizam o papel do Estado.  

Prova disso foi a presença do empresário Jorge Gerdau, fundador do Movimento Brasil Competitivo, elevado à condição de conveniado com o bloco de governadores do Cosud para contribuir na elaboração de linhas de atuação político-econômicas, que reduz o tamanho do Estado e prioriza a iniciativa privada.  

O encontro serviu para sedimentar os caminhos futuros, que passam por privatizações e incluem portos, aeroportos e alcançam a Petrobras, processo que se inicia com a quebra do monopólio no mercado de gás, cuja participação da estatal é significativa.   

O governador paulista segue na mesma linha e trouxe a tiracolo o ex-presidente do Banco Central e ministro da Fazenda de Temer, Henrique Meirelles, e também o ex-chefe da Casa Civil desse governo, Antônio Imbassahy, um dos caciques de PSDB. Meirelles é secretario da Fazenda em São Paulo e alavanca articulações junto ao empresariado, especialmente no mercado financeiro.

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