A corda esticada 

As manifestações em defesa da Educação representam o único meio de quebrar o autoritarismo

As imagens expostas nos veículos de comunicação e nas redes sociais de milhares de pessoas que saíram às ruas no último dia 30 de maio, em uma das maiores manifestações ocorridas nos últimos anos, contrastam com a grotesca figura do vídeo do ministro das Educação, Abraham Weintraub, dizendo que está chovendo fake news. 

Com a fala, o ministro faz gracinhas totalmente sem nexo, portando um guarda-chuva, na tentativa de encobrir a ameaça a professores e alunos, formalizada pelo Ministério da Educação (MEC) ao pedir que a população denuncie quem incentivar protestos. 

A mensagem, e não poderia ser de outra forma, provocou uma onda de protestos nas redes, que vem no rastro deixado relo governo Bolsonaro nesses primeiros seis meses de governo, marcando posições antidemocráticas e revelando um autoritarismo preocupante. 

Por falta do que dizer de maneira lógica, diante da força das manifestações em defesa da educação em Vitória e na maioria das cidades brasileiras, a saída é manter a pressão, usando ameaças nas mais variadas formas. O objetivo é quebrar a hegemonia dos movimentos em torno do ensino público gratuito e de qualidade, sem ideologia político-partidária, mas, de outro lado, fortalecidos em conceitos de democracia. 

A questão, na situação em que o país está mergulhado, é até que ponto se pode esticar a corda sem arrebentá-la? Achar a medida exata está condicionado a vários fatores e também à natureza das extremidades onde as amarras foram feitas, a fim de que ela não se solte antes de estourar ao meio.

Em política, o ato de esticar a corda para manter-se no poder e permanecer com a visibilidade em alta é comum a lideranças destituídas de conteúdo programático, que são usadas apenas como atividade meio para se alcançar uma finalidade. 

Assim que os objetivos são alcançados, essas figuras são lançadas fora. Assim ocorreu com o ex-deputado Eduardo Cunha, o poderoso presidente da Câmara dos Deputados no golpe de 2013 que destituiu a presidente Dilma Rousseff, que hoje se encontra preso. 

Do mesmo modo, entraram em baixa o então senador e hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB), o ex-senador Romero Jucá, Michel Temer, Sergio Moro, hoje ministro, entre outros que certamente estarão para sempre nos anais da infâmia da historia do Brasil. 

Weintraub, da mesma forma que seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro, é parte de um movimento atuante não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina, comandado por barões da indústria e das finanças que encontram terreno apropriado para expandir seus projetos. 

Lideranças construídas por meio da manipulação descarada e aberta das camadas mais desinformadas e que geram o mutismo coletivo, a omissão e a aceitação passiva de crueldades sociais. São alimentadas por setores de forte influência na sociedade, entre eles sistemas religiosos de todas as crenças, e só podem ser quebradas com o impacto de manifestações como a do último dia 30.

Só desse modo, enfrentando as ameaças, a corda pode ser desatada do poste do autoritarismo, sem arrebentar. Caso contrário, tipos como Weintraub certamente irão estimular a queima de livros, dando início a uma escala de terror que alcançará as pessoas.    

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1 Comentários
  • MARCIO MACHADO DA SILVA , quarta, 05 de junho de 2019

    Caro colunista, você está em que mundo? No que eu vivo constatei que a sua aclamada manifestação do dia 30.05 foi um fracasso, afinal de contas, era uma manifestação que pedia "lula livre" e ele, felizmente, continua preso, não é mesmo? A esquerda é covarde, durante 8 anos de FHC e mais 16 anos de lulopetismo, o Brasil caiu em todos os rankings de testes na educação, ou seja, nesse período em que a esquerda esteve no comando do país, assistimos a um desperdício de dinheiro do povo, erroneamente direcionado para universidades que formam analfabetos funcionais em detrimento do investimento na educação básica. Felizmente, Bolsonaro chegou para arrumar a casa e irá colocar o Brasil no trilho das nações desenvolvidas. A educação básica será prioridade nesse governo e o povo será o principal beneficiado com essa medida.