A farsa da história

Não tem como aceitar propostas sem nexo inspiradas na barbárie

O cenário político atual representa uma nova fase de recentes acontecimentos históricos, não apenas no Brasil, trazendo à lembrança fatos ainda hoje causadores de traumas, choro e dramas que atormentam milhares de seres humanos. A semelhança entre eles gera coincidências nem sempre agradáveis para o cidadão, que revelam a cara da sociedade opressora.   

A história não para, constrói a sua engrenagem alimentada por acontecimentos que servem de combustível para garantir o seu moto-contínuo, contrariando o alemão Friedrich Hegel, no século XIX, e o norte-americano Francis Fukuyama, autor de O Fim da História e o Último Homem, no século XX. Ambos erraram.  

Acolho, como o mais acertado, o pensamento de Marx em O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, em que ele diz que a história se repete da primeira vez como tragédia e da segunda como farsa. 

Em se tratando do Brasil dos golpes de 1964 e de 2016, onde emergiram figuras anãs como Delagnoll, Sergio Moro, Temer e Bolsonaro com seus ridículos ministros, fico com o brilhante Veríssimo. Ele diz: no Brasil, as farsas viram história.   
 
Dentro dessa constatação, não há como separar o movimento nazista denominado “Terceira Via”, na Alemanha, de inúmeras ações desenvolvidas por agentes púbicos e também pelo poder central da República. 

Todos esses projetos demonstram características muito parecidas: nacionalismo exacerbado, alto patriotismo, estímulo aberto à violência, racismo, autoritarismo, inclusive religioso, e meritocracia para as “pessoas de bem”. 

O decreto de liberação de armas do presidente Jair Bolsonaro lidera a lista das ações enquadradas nesse contexto. A medida é inspirada no modo de vida dos Estados Unidos, um dos países mais violentos do mundo e palco de tragédias anunciadas em escolas e outros locais públicos por psicopatas livres para comprar armas e munições. 

Bem mais abaixo da lista, mas igualmente assustadora, é a proposta do deputado Capitão Assumção (PSL), que obriga alunos de escolas públicas e privadas a entoarem o Hino Nacional e hastearem a bandeira nacional, semanalmente. O projeto se enquadra no programa de militarização das escolas públicas brasileiras e se assemelha às ações desenvolvidas na Alemanha, a partir de 1939, e no Brasil pós ditadura militar de 1964, com o objetivo de ideologizar a juventude. 

O projeto surge no exato momento em que escolas e professores são pressionados a abandonar o “ensino ideológico” e quando a massa estudantil ocupa as ruas para exigir, democraticamente, a manutenção do ensino público gratuito e a garantia da democracia, o fim do preconceito e os projetos sociais.

Coincidência ou não, o fato incontestável é que o grito dos jovens estremeceu as bases de uma sociedade opressora e desse movimento poderá surgir opções para evitar que o País repita a história, com tragédia ou com farsa, como na Alemanha nazista e na ditadura de 1964.  

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