A hora de Colnago

Atuação do vice se assemelha à autêntica movimentação de campanha eleitoral. Ele roda o Estado, faz entregas e vai sedimentando o caminho

Quando o vice-governador César Colnago, em novembro de 2017, mudou sua maneira de ser, peitou a ala contrária e conquistou a Presidência do PSDB, ele começou a trajetória em direção ao Palácio Anchieta, com claros sinais emitidos pelo govenador Paulo Hartung.  
 
É desse modo que o vice é visto no mercado político, apesar das especulações naturais dessa fase do calendário eleitoral, considerando que as eleições só ocorrerão daqui a oito meses e somente entre março e abril o cenário estará definido.
 
O apoio do governador ao seu vice, isso não se discute, se tornou mais explícito quando César conseguiu colocar na diretoria do PSDB alguns “estranhos” ao ninho tucano. Ali não foi só apoio, mas o dedo de Hartung que mexeu na cena.
 
Assim, Octaciano Neto, prestigiado secretário de Agricultura e por enquanto pré-candidato a deputado federal, e o secretário de Obras e histórico apoiador de Hartung, Paulo Ruy Carnelli, tomaram assento na nova diretoria. Sem chiado do seu oponente, o prefeito de Vila Velha, Max Filho. 
 
Desde então, César Colnago, que está como governador em exercício até o próximo dia 25, tem sido alvo de mimos do Hartung, que chegou a chamá-lo de “melhor vice-governador do país”, explicitando as bênçãos para quem quiser ver.
 
Para o mercado político, os sinais ficam a cada dia mais claros. Exemplo dessa afirmativa pode ser observado desde a semana passada, quando César assumiu a governo pela 11ª vez. 
 
A rotina administrativa foi deixada de lado, aparentemente para manter o ritmo do governo em ano eleitoral. No entanto, a atuação do vice se assemelha à autêntica movimentação de campanha eleitoral. Ele roda o Estado, faz entregas de obras e serviços e vai sedimentando o caminho.
 
Caso as previsões se cumpram, César Colnago assumirá o governo em abril, com a possibilidade de disputar a reeleição, fazendo dobradinha com Hartung, então candidato ao Senado ou a outro cargo em nível nacional, como vice de uma chapa do chamado “Centrão”. 
 
Hábil articulador político e aliado de Hartung desde os tempos do Diretório Acadêmico da Universidade Federal do Estado (Ufes), César Colnago é visto no cenário político como um personagem capacitado a assumir o governo do Estado, principalmente pela falta de outra liderança com chance real de penetrar na zona de influência da atual gestão. 
 
É duro, principalmente para quem vem aturando o arrocho imposto pela política de austeridade de Hartung, alinhada com as práticas neoliberais que sufocam a classe trabalhadora. No entanto, é o quadro que se apresenta no  momento atual. 
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